“Cadê o Carrancão?”, pergunta um juazeirense de apenas 3 anos sobre a escultura instalada na orla de Juazeiro

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Do alto dos seus cinco metros, o Carrancão via o movimento acontecer na Orla de Juazeiro. Vizinho da Casa do Artesão, e foi testemunha de feiras e eventos. Foi o único juazeirense a ver os últimos instantes da banca e o nascimento do suntuoso viaduto. O Carrancão estava ali.

Esculpido pelo mestre carranqueiro Flávio Mota, entre 2001 e 2002, o Carrancão virou um dos símbolos de Juazeiro. A maior carranca do mundo estava ali, chamando a atenção dos conterrâneos juazeirenses, dos vizinhos de Petrolina e do mundo de gente que costuma passar por nossa cidade.

Quando completou 20 anos, o Carrancão foi emprestado para o Salão de Turismo, realizado na orla de Petrolina. O que era para ser uma visita de cortesia, terminou virando uma operação de resgate digna de filmes hollywoodianos, já que os vizinhos do outro lado do rio esqueceram que a obra é de Juazeiro e que os juazeirenses não gostam de deixar os seus para trás.

Com direito a guincho, desfile pela ponte Presidente Dutra e um “herói” com mandato estadual, o Carrancão voltou a ficar ali, vendo a vida acontecer no centro de Juazeiro, ao lado da Casa do Artesão.

Embora seja feita com traços capazes de assustar, a maior carranca do mundo tem o poder de atrair. E foi uma criança de 3 anos que motivou a escrita deste texto.

Visitante assíduo da Orla, sempre pedia para ver o amigo Carrancão. Quando passava de carro, se estirava na cadeirinha para ver a escultura gigante, sempre com um cumprimento digno da inocência das crianças: “ Bom dia, seu Carrancão”, “Oi, seu Carrancão”. O sorriso do amigo de madeira era a resposta que ele sempre tinha.

O Carrancão sempre esteve ali. Ele viu o paredão azul da orla cair, ligando a área do vaporzinho e a Casa do Artesão. A intervenção municipal, diga-se de passagem, muito bem apropriada, abriu caminho para estrutura da Juá Literária, um dos maiores acertos da prefeitura.

A Juá Literária reuniu crianças,livros e cultura, dando um astral novo para Juazeiro e enchendo de orgulho seus moradores. Só que o Carrancão não estava mais lá. Em uma área tão grande, os organizadores não encontraram espaço para um dos maiores símbolos culturais da cidade.

A Feira acabou, as crianças voltaram para casa com seus livros novos, Adriana Calcanhotto, Oswaldo Montenegro, os escritores e todos que vieram de fora para dividir o mesmo ar que a gente souberam por alguns instantes o poder cultural que só Juazeiro tem. O que eles não puderam sentir foi a presença da carranca gigante.

Com toda a estrutura da Juá Literária desmontada, o menino de 3 anos passou a questionar os pais onde o amigo Carrancão estava. “Mamãe, o Carrancão foi para a Univasf?”. “Ele está onde”?” “Que dia o Carrancão volta para a Casa do Artesão?”.

As dúvidas do menino de 3 anos também são dos adultos que aprenderam a valorizar os símbolos que ajudaram a construir a identidade cultural de Juazeiro. É importante a prefeitura responder a essa pergunta simples, mas cheia de significados: Cadê o Carrancão?

Por Emerson Rocha, cidadão de Juazeiro  

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