A irmã de um interno do Conjunto Penal de Juazeiro, na região Norte da Bahia, procurou o Portal Preto no Branco para relatar o que considera uma série de constrangimentos que estaria enfrentando durante as visitas ao familiar. Ela conta que é cadeirante e que, a cada visita, sofre uma situação diferente.
“A cada dois, três meses, eu vou visitar o meu irmão e toda vez que vou lá acontece algum constrangimento diferente. Cada um pior que o outro. Já chegaram até a me questionar se não havia outra pessoa que pudesse visitar ele, como se por eu ser cadeirante não pudesse visitar um familiar. Pessoas com deficiência têm o direito de ir e vir”, afirmou.
Ela conta ainda que, na última quarta-feira (12), foi obrigada a trocar de cadeira de rodas para conseguir visitar o irmão, o que lhe causou transtornos.
“Nas visitas anteriores, eu entrei com minha cadeira de rodas normalmente, porém, na quarta-feira, dia 12 de agosto, me fizeram trocar de cadeira na hora depois que passei pelo scanner. Minha cadeira de rodas é individual. A minha cadeira é adaptada para mim. Não tem como a pessoa cadeirante chegar lá e ficar horas e horas em outra cadeira deles, que é uma cadeira de hospital, que não foi feita para você e que não tem o mínimo de conforto. É como se estivessem trocando nossas pernas”, desabafou.
Para ela, a situação não se resume apenas ao desconforto, mas representa uma dificuldade imposta à pessoa com deficiência para exercer o direito de visitar um familiar.
“Eu, por exemplo, tenho uma escara nas nádegas. Eu não posso sentar em todo lugar. Preciso de uma cadeira adequada para mim. Resumindo, estamos tendo que ser obrigadas a trocar de cadeira de rodas para poder entrar. Eu preciso de uma resposta das autoridades
”, afirmou.
Por fim, ela finalizou que pretende procurar o Ministério Público ainda nesta semana para buscar orientação e providências.
“Já entrei em contato com o meu advogado para relatar as situações que tenho enfrentado e essa semana vou ao Ministério Público em busca dos meus direitos. Essas situações não têm atestado somente a mim, lá tem outra visitante cadeirante que faz visitas com mais frequência a um familiar e tem sofrido as mesmas humilhações. Isso não pode ficar assim”, afirmou.
Estamos encaminhando o caso para a gestão do CPJ e para a Secretaria de Segurança Pública do Estado em busca de esclarecimentos.
Imagem: ilustrativa/IA
Redação PNB



