A mãe de um jovem de 27 anos diagnosticado com câncer de reto procurou o Portal Preto no Branco para relatar as dificuldades enfrentadas pelo filho para conseguir iniciar o tratamento oncológico no Hospital Regional de Juazeiro (HRJ), que abriga a Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON). Sirleide conta que, desde o diagnóstico, confirmado em março deste ano, o paciente vem buscando acesso ao tratamento, mas tem encontrado uma série de dificuldades.
“O câncer do meu filho foi descoberto desde o dia 27 de março, após serem feitos todos os exames e foi dado o diagnóstico. Desde então, eu venho lutando até hoje para conseguir o tratamento dele. Me passaram que aqui em Juazeiro estava tudo muito rápido, que daria certo e que ele não teria que ir para Salvador fazer o tratamento, porque aqui já tinha tudo disponível. No entanto, ele não conseguiu fazer uma colonoscopia, não consegui fazer uma endoscopia, não consegui fazer nada. Ele só conseguiu fazer a colonoscopia lá na UPAE, em Petrolina. Até para colocar um cateter, ele também enfrentou uma dificuldade muito grande. Não tinha previsão nenhuma para colocar esse cateter para poder iniciar as quimioterapias. Um médico cardiologista que se dispôs a colocar ele na lista e, no dia 31 do mês passado, o cateter foi colocado”, afirmou.
De acordo com Sirleide, após a colocação do cateter, a expectativa era de que o filho pudesse finalmente iniciar a quimioterapia, porém, o procedimento foi cancelado de última hora pelo HRJ.
“Como ele já está com o cateter, ele já poderia começar a quimioterapia de imediato. A primeira estava marcada para o último dia 12, no Hospital Regional de Juazeiro. Só que, na segunda-feira (10), me mandaram uma mensagem do hospital dizendo que a quimioterapia teve que ser cancelada devido a problemas internos. Como eu não fiquei satisfeita, porque não me deram uma satisfação, eu fui até lá para saber pessoalmente o motivo do cancelamento. Eu venho correndo atrás e esperando essa quimioterapia esse tempo todo e, agora que tinha conseguido, simplesmente foi cancelado, sem uma justificativa”, afirmou.
Ainda segundo Sirleide, ao chegar ao hospital, ela teria sido informada de que o cancelamento estava relacionado à falta de medicamentos para a realização das quimioterapias na unidade.
“Chegando lá, eu tive a justificativa de que era por falta de medicamento. Inclusive, todas as pessoas que tinham quimioterapia marcada para a semana passada, ninguém fez. A sala de quimioterapia estava fechada. Eu fui lá pessoalmente e conferi. Estava tudo fechado, não tinha ninguém trabalhando no terceiro andar, lá onde funcionam as sessões de quimioterapia. O Regional está sem medicação na parte oncológica. Ou seja, quem precisa da área oncológica em Juazeiro, infelizmente, está sem medicamento”, disse.
A situação, segundo a mãe, tem aumentado a preocupação da família diante da necessidade de iniciar o tratamento.
“A gente fica desesperado com essa situação, porque o único meio de tratamento é através das quimioterapias e das radioterapias. Essa doença a gente não tem muito tempo para esperar. Inclusive, eu já tinha até marcado as radioterapias no dia que ele passou pela oncologista, dia 30 de junho. A primeira sessão ficou para 30 de setembro, que era a única vaga disponível, o mais próximo que tinha. Eu estava crente que seria rápido com as quimioterapias, achando que no final de setembro ele já estaria livre das quimioterapias para fazer as radioterapias. Mas infelizmente não foi assim que funcionou”, relatou.
Diante da situação, Sirleide pede que o problema seja solucionado para que o filho e os demais pacientes possam ter acesso ao tratamento.
“Essa doença a gente não tem muito tempo para esperar. A gente fica desesperado, porque estamos falando de um tratamento que precisa ser iniciado”, finalizou.
O Portal Preto no Branco encaminhou o caso para o HRJ em busca de esclarecimentos e aguarda um resposta.
Redação PNB



