A família de Lucas Davi de Almeida Santos, de 15 anos, morador de Juazeiro, na região Norte da Bahia, entrou em contato com o Portal Preto no Branco para pedir celeridade no tratamento do adolescente, diagnosticado com ceratocone. Segundo os familiares, a doença já comprometeu gravemente a visão do olho esquerdo e agora também avançou para o olho direito, aumentando a preocupação com a possibilidade de perda da visão.
“Meu irmão foi diagnosticado com ceratocone no olho esquerdo. Ele já perdeu a visão desse olho e só tem 15% da visão. Ele fez a cirurgia para a doença não avançar mais, mas infelizmente ela avançou para o outro olho. Ele precisa fazer outra cirurgia chamada crosslinking e também precisa de lentes novas, pois não enxerga sem elas. A lente que ele estava usando já venceu e ele não pode mais continuar usando”, relatou um familiar.
Ainda conforme os relatos, após a família recorrer a justiça, uma consulta para tratar sobre as lentes foi agendada para o próximo mês, mas até o momento não há previsão sobre a realização da cirurgia.
“Minha mãe acionou a justiça e conseguiu, através de demanda judicial, agendar uma consulta em Salvador para o próximo dia 17. Mas essa consulta é referente apenas às lentes. Sobre a cirurgia, deixamos uma guia na UBS do bairro Dom Tomás e, quando vamos lá em busca de informações, só falam para aguardar. Mas ele precisa passar por esse procedimento com urgência. Ele já tem um olho perdido, e agora a doença já está no olho direito. A gente precisa que esse tratamento seja agilizado para a doença não avançar mais e ele não perder a visão dos dois olhos”, cobrou a familiar.
Ainda segundo a família do jovem, a situação também está prejudicando a rotina escolar de Lucas.
“Ele estuda no CETEP, é um menino tão bom, inteligente, estudioso e esforçado. Hoje mesmo ele já não foi para a escola porque a lente está vencida e ele não pode mais usar. A gente não tem condições de comprar lentes novas, porque custam quase R$ 6 mil. É muito caro para a nossa família”, acrescentou a familiar.
Encaminhamos a situação para a Secretaria de Saúde de Juazeiro em busca de esclarecimentos. Em nota, a SESAU informou que “diante de informações divulgadas sobre a situação de um adolescente diagnosticado com ceratocone, que o paciente já foi atendido pela rede municipal de saúde e teve o devido encaminhamento para acompanhamento especializado. A partir da procura da família pela Unidade Básica de Saúde (UBS), foram realizados o atendimento inicial e a avaliação clínica, com posterior emissão de guia para consulta com médico oftalmologista, profissional responsável por avaliar o quadro e indicar o tratamento especializado adequado, incluindo, quando necessário, procedimentos como o crosslinking ou outras alternativas terapêuticas. A Sesau informa ainda que a guia apresentada pela família foi entregue à unidade no mês de julho e já está inserida na cota destinada ao agendamento deste mês, seguindo o fluxo regular de regulação do Sistema Único de Saúde (SUS). A Secretaria também realizou levantamento junto ao serviço de Tratamento Fora do Domicílio (TFD) e não identificou, até o momento, documentação que comprove que o adolescente tenha dado entrada em processo para realização do procedimento por meio desse serviço em Salvador. A Sesau esclarece que, após a avaliação inicial na Atenção Primária, o encaminhamento para atendimento especializado é necessário para que o oftalmologista possa confirmar a indicação cirúrgica ou definir o tratamento mais adequado ao caso. Quando o procedimento indicado não está disponível na rede municipal, o paciente poderá ser encaminhado, conforme os critérios de regulação do SUS, para serviços de referência. A Secretaria ressalta, por fim, que a família foi orientada sobre o fluxo de atendimento e que o município permanece à disposição para dar continuidade à assistência dentro dos protocolos do SUS. Entretanto, conforme informado pela própria responsável, a família optou por não prosseguir, neste momento, com a abertura do processo junto à Secretaria Municipal de Saúde e manifestou preferência pela realização do tratamento de forma particular e no próprio município. A Sesau reforça seu compromisso com a garantia do acesso à saúde, a transparência das informações e o acolhimento dos usuários da rede municipal, respeitando os fluxos de regulação e os critérios estabelecidos pelo SUS”.
Redação PNB



