Mais um caso de dificuldade para acesso ao tratamento contra o câncer no Hospital Regional de Juazeiro (HRJ), que abriga a Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON), foi relatado ao Portal Preto no Branco. Desta vez, familiares de um paciente de 59 anos, que teve diagnóstico no mês de março deste ano, relatam sucessivos adiamentos das sessões de quimioterapia.
“Ele está com câncer de reto e a primeira sessão de quimioterapia dele foi dia 21 de julho. A segunda estava marcada para o dia 11, depois de ser remarcada por duas vezes. Foi cancelada novamente porque disseram que não tinha a medicação”, relatou um familiar.
A família afirma que, após o cancelamento, continuou buscando informações sobre quando o tratamento poderia ser retomado.
“Após a denúncia da família de outro paciente também com câncer no reto, o Hospital infirmou que as sessões de quimioterapias seriam retomadas, diante dessa informação, a gente entrou em contato com o hospital para remarcar a segunda sessão dele. Porém, a resposta que tivemos foi a de que o hospital não tem previsão de quando vai chegar a medicação. Ou seja, não há previsão de quando ele irá retomar o tratamento, que é tão urgente”, contou.
A família demonstra preocupação com a demora para dar continuidade ao tratamento.
“Estamos muito preocupados, pois essa doença é muito agressiva e necessita de tratamento rápido. Cada dia é decisivo. Toda essa demora está afetando o psicológico de todos da família”, reforçou o familiar.
Encaminhamos o caso para o Hospital Regional de Juazeiro em busca de esclarecimentos, mas até o momento não obtivemos respostas.
Caso semelhante
A mãe de um jovem de 27 anos diagnosticado com câncer de reto procurou o Portal Preto no Branco na última terça-feira (17) para relatar as dificuldades enfrentadas pelo filho para conseguir iniciar o tratamento oncológico no Hospital Regional de Juazeiro (HRJ), que abriga a Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON). Sirleide conta que, desde o diagnóstico, confirmado em março deste ano, o paciente vem buscando acesso ao tratamento, mas tem encontrado uma série de dificuldades.
“O câncer do meu filho foi descoberto desde o dia 27 de março, após serem feitos todos os exames e foi dado o diagnóstico. Desde então, eu venho lutando até hoje para conseguir o tratamento dele. Me passaram que aqui em Juazeiro estava tudo muito rápido, que daria certo e que ele não teria que ir para Salvador fazer o tratamento, porque aqui já tinha tudo disponível. No entanto, ele não conseguiu fazer uma colonoscopia, não consegui fazer uma endoscopia, não consegui fazer nada. Ele só conseguiu fazer a colonoscopia lá na UPAE, em Petrolina. Até para colocar um cateter, ele também enfrentou uma dificuldade muito grande. Não tinha previsão nenhuma para colocar esse cateter para poder iniciar as quimioterapias. Um médico cardiologista que se dispôs a colocar ele na lista e, no dia 31 do mês passado, o cateter foi colocado”, afirmou.
De acordo com Sirleide, após a colocação do cateter, a expectativa era de que o filho pudesse finalmente iniciar a quimioterapia, porém, o procedimento foi cancelado de última hora pelo HRJ.
“Como ele já está com o cateter, ele já poderia começar a quimioterapia de imediato. A primeira estava marcada para o último dia 12, no Hospital Regional de Juazeiro. Só que, na segunda-feira (10), me mandaram uma mensagem do hospital dizendo que a quimioterapia teve que ser cancelada devido a problemas internos. Como eu não fiquei satisfeita, porque não me deram uma satisfação, eu fui até lá para saber pessoalmente o motivo do cancelamento. Eu venho correndo atrás e esperando essa quimioterapia esse tempo todo e, agora que tinha conseguido, simplesmente foi cancelado, sem uma justificativa”, afirmou.
Ainda segundo Sirleide, ao chegar ao hospital, ela teria sido informada de que o cancelamento estava relacionado à falta de medicamentos para a realização das quimioterapias na unidade.
“Chegando lá, eu tive a justificativa de que era por falta de medicamento. Inclusive, todas as pessoas que tinham quimioterapia marcada para a semana passada, ninguém fez. A sala de quimioterapia estava fechada. Eu fui lá pessoalmente e conferi. Estava tudo fechado, não tinha ninguém trabalhando no terceiro andar, lá onde funcionam as sessões de quimioterapia. O Regional está sem medicação na parte oncológica. Ou seja, quem precisa da área oncológica em Juazeiro, infelizmente, está sem medicamento”, disse.
A situação, segundo a mãe, estava aumentado a preocupação da família diante da necessidade de iniciar o tratamento.
“A gente fica desesperado com essa situação, porque o único meio de tratamento é através das quimioterapias e das radioterapias. Essa doença a gente não tem muito tempo para esperar. Inclusive, eu já tinha até marcado as radioterapias no dia que ele passou pela oncologista, dia 30 de junho. A primeira sessão ficou para 30 de setembro, que era a única vaga disponível, o mais próximo que tinha. Eu estava crente que seria rápido com as quimioterapias, achando que no final de setembro ele já estaria livre das quimioterapias para fazer as radioterapias. Mas infelizmente não foi assim que funcionou”, relatou.
Diante da situação, Sirleide pediu que o problema seja solucionado para que o filho e os demais pacientes possam ter acesso ao tratamento.
“Essa doença a gente não tem muito tempo para esperar. A gente fica desesperado, porque estamos falando de um tratamento que precisa ser iniciado”, finalizou.
Em nota sobre este caso, o Hospital informou que “as sessões de quimioterapia do referido paciente serão realizadas a partir da próxima segunda-feira (24). O hospital ressalta ainda que o paciente segue sendo assistido integralmente pela Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, tendo garantida a continuidade de todo o tratamento hospitalar necessário”.
Redação PNB



