“Não forme sua opinião por um corte de 30 segundos”, por Rubnério Araújo Ferreira, advogado

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As redes sociais facilitaram o acesso à informação, mas também criaram um problema: muita gente passou a conhecer pessoas, fatos e até candidatos por pequenos recortes escolhidos justamente para provocar uma reação.

Um corte pode mostrar uma frase. Mas não necessariamente mostra o contexto, o que veio antes, o que veio depois e, principalmente, a trajetória de quem falou.

E isso se torna ainda mais importante em período eleitoral.

Antes de escolher seu candidato, pesquise. Não se limite ao vídeo que apareceu no seu Instagram, TikTok ou WhatsApp. Procure entrevistas completas. Conheça sua história. Veja o que ele já fez quando teve oportunidade de fazer. Pesquise suas propostas, suas posições, sua atuação profissional e pública. Compare o discurso de hoje com aquilo que ele praticou ao longo dos anos.

E faça o mesmo com aquele candidato de quem você não gosta.

Não permita que um corte feito por quem quer atacar faça você odiar alguém. E também não permita que um corte produzido por quem quer promover faça você admirar alguém sem conhecê-lo de verdade.

Democracia exige liberdade para escolher. Mas liberdade de verdade exige informação.

Discordar faz parte. Ter posições políticas diferentes faz parte. O que não podemos aceitar é terceirizar nossa consciência para algoritmos, páginas de internet ou vídeos de poucos segundos.

Na eleição que se aproxima, antes de perguntar “em quem eu vou votar?”, talvez devêssemos fazer uma pergunta anterior: “Eu realmente conheço o meu candidato ou conheço apenas os cortes que fizeram dele?”

Pesquise. Compare. Questione. Ouça os dois lados.

Depois disso, forme a sua própria opinião.

É assim que acredito que devemos tratar a política: menos paixão cega, menos manipulação e muito mais consciência.

Por Rubnério Araújo Ferreira, advogado

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