Do PT ao Carlismo: E agora, Isaac? De que lado você estará?

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A política, como se sabe, é a arte de mudar de lado sem necessariamente admitir que mudou. Mas há mudanças tão grandes que, cedo ou tarde, exigem uma explicação.

O anúncio de ACM Neto, nesta quarta-feira (7), de apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República coloca uma pergunta inevitável no cenário político de Juazeiro: e agora, Isaac Carvalho?

O ex-prefeito de Juazeiro foi uma das lideranças que, em 2026, decidiu caminhar com ACM Neto na disputa pelo Governo da Bahia. Isaac, nome que já se valeu do campo progressista, construiu sua trajetória política ligado ao PCdoB, depois ao PT, e durante anos esteve politicamente alinhado aos governos de Lula e Dilma.

O apoio a ACM Neto mudou “da água para o vinho” a trajetória de quem construiu sua imagem política dentro do campo da esquerda.

Agora, porém, o cenário ganhou outro ingrediente.

ACM Neto, derrotado, também em Juazeiro, no primeiro turno por Jerônimo Rodrigues na disputa pelo Governo da Bahia, decidiu não apenas apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial, mas afirmou que pretende mobilizar seu grupo político no estado em favor do candidato do PL.

E é justamente aí que surge a pergunta que não quer calar: Isaac vai acompanhar ACM Neto também nessa caminhada?

A questão não é pequena. E muito menos apenas eleitoral.

Isaac Carvalho foi prefeito de Juazeiro por dois mandatos consecutivos, de 2009 a 2016. Foi eleito pelo PCdoB e posteriormente se aproximou ainda mais do PT. Durante sua trajetória como gestor, construiu boa parte de sua narrativa política justamente em torno da parceria com os governos Lula e Dilma.

Isaac sempre fez questão de usar as obras do Governo Federal, realizadas em Juazeiro, para se auto afirmar como o “melhor prefeito”, trazendo o Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, como marca de sua gestão. Em 2011, Dilma Rousseff esteve em Juazeiro para entregar unidades habitacionais do programa e destacou publicamente a parceria entre os governos federal, estadual e municipal.

Naquele período, Isaac não escondia de onde vinha boa parte das conquistas que apresentava à população.

Pelo contrário.

Defendia Lula. Defendia Dilma. Defendia os governos progressistas. E, quando Dilma sofreu o impeachment, em 2016, Isaac foi enfático ao afirmar que a presidente e o povo brasileiro haviam sido vítimas de um “crime”. Na mesma declaração, destacou justamente as conquistas dos governos Lula e Dilma e citou obras como Minha Casa Minha Vida, creches, quadras e pavimentação de ruas como resultados da parceria com aqueles governos.

É por isso que a pergunta de agora não pode ser tratada apenas como uma questão de conveniência eleitoral.

O que mudou, Isaac?

Mudou a política? Mudaram os personagens? Mudaram as convicções e interesses? Ou mudou apenas o lado da mesa em que se senta?

É legítimo que um político mude de opinião, mas quem construiu uma trajetória política bancado por um projeto que defende o oposto do que Isaac abraça hoje, também precisa estar preparado para explicar quando muda de direção.

Camuflado ou não, durante anos, ele se apresentou como um dos líderes do campo progressista em Juazeiro. Foi prefeito duas vezes, elegeu sucessor e segundo seus próprios discursos, teria transformado o município justamente através de uma forte parceria com os governos Lula e Dilma.

Hoje, entretanto, o Isaac petista, lulista, “camaleou-se” e virou um carlista.

Com o apoio de ACM Neto a Flávio Bolsonaro, cabe uma pergunta simples, direta e inevitável: Isaac seguirá ACM Neto até onde for essa nova estrada? Nesse mimetismo político vai se abraçar com o bolsonarismo?

Há a opção de estabelecer um limite e dizer: “até aqui, sim. Daqui para frente, não”?

Porque existe uma diferença entre apoiar ACM Neto para governador e aderir ao projeto nacional de Flávio Bolsonaro.

E essa diferença, para alguém com a trajetória política de Isaac Carvalho, é enorme.

Não se trata de cobrar fidelidade eterna ao PT. Tampouco de dizer que quem um dia esteve na esquerda não possa mudar.

Trata-se de coerência.

Se Isaac acredita que Flávio Bolsonaro representa hoje o melhor projeto para o Brasil e para Juazeiro, que diga isso com todas as letras.

Bem sabemos que o ex-progressista já afirmou que não tem “ideologia política”, o que ficou evidente quando deu as mãos ao Neto de ACM.

Mas ele deve explicações à população. Em política, o silêncio também comunica e provoca ruídos.

Então, já podemos classificar Isaac Carvalho com um bolsonarista?

E agora, Isaac? De que lado você estará?

E só mais um lembrete: Em Juazeiro, Lula obteve 63,30% dos votos. Já Flavio Bolsonaro, chegou aos 31,96%.

Redação PNB, por Sibelle Fonseca

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