O arcebispo da Arquidiocese de Aparecida (SP), dom Mário Antônio da Silva, disse nesta segunda-feira (12), dia da padroeira do Brasil, que “o evangelho não nos autoriza a odiar quem pensa diferente nem a matar os inimigos”.
Após figurar no centro de uma disputa eleitoral alimentada por notícias falsas, Nossa Senhora Aparecida é homenageada com missas e procissão no Santuário Nacional, no interior de São Paulo.
A fala do arcebispo ocorreu durante a homilia. Ele não realizou comentários com teor político explícito, mas ressaltou que o evangelho “nos autoriza a construir pontes onde se abrem precipícios, e túneis onde se erguem muros”.
Citando o papa Leão 14, defendeu “uma paz desarmada e desarmante” e criticou as divisões alimentadas por armamentos, guerras e confrontos. Também afirmou que a Igreja se fortalece quando seus integrantes caminham juntos.
Dom Mário associou a escuta da palavra de Deus ao cuidado com os outros e condenou a indiferença diante da fome, da pobreza, da violência, das guerras e da destruição da natureza.
A missa solene começou pontualmente às 9h, com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), acompanhado da mulher, Lu Alckmin, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT). Centenas de fiéis participaram da celebração e acenaram com lenços azuis e brancos.
Também foram saudados a deputada federal Tabata Amaral (PSB), João Campos (PSB), derrotado na disputa pelo governo de Pernambuco, Gilberto Kassab (PSD) e o prefeito de Aparecida, José Luiz Rodrigues.
Na homilia de 17 minutos, dom Mário cobrou coerência entre os ensinamentos de Jesus e as atitudes dos fiéis.
A crítica à distância entre conhecer a palavra e colocá-la em prática também incluiu o perdão, o serviço aos outros e o acolhimento dos pobres. “Às vezes conhecemos muito a palavra, mas praticamos pouco.”
“Sabemos que Jesus manda servir, mas queremos ser servidos”, acrescentou.
Dom Mário afirmou que o ensinamento de amar os pobres nem sempre se traduz em disposição para se aproximar deles. Criticou o desprezo, os preconceitos e as frases feitas usados para julgá-los. “Sabemos que Jesus manda amar os pobres, mas nem sempre queremos nos aproximar deles.”
O religioso disse que ouvir a palavra de Deus exige se deixar tocar pela vida dos outros. Mencionou famílias e crianças feridas, jovens sem esperança e idosos abandonados.
A homilia foi organizada em torno de três personagens das leituras bíblicas: Ester, a mulher do Apocalipse e a mãe de Jesus nas bodas de Caná. A reflexão retomou o tema da novena e da festa deste ano: “Com Maria, em comunidade, conhecer e praticar a Palavra”.
Ao falar de Ester, dom Mário associou o amor à disposição de agir diante das necessidades dos outros. A mulher do Apocalipse foi apresentada como uma figura que permanece de pé diante das ameaças, protegida por Deus.
O arcebispo relacionou essa figura a Maria e à Igreja, que atravessa dificuldades sem perder a esperança. Pediu aos fiéis que olhassem para a imagem de Nossa Senhora Aparecida e destacou sua dimensão na vida dos devotos.
“Justamente esta pequena imagem se tornou um grande sinal de esperança e ternura para milhões de brasileiros e brasileiras.”
No encerramento da homilia, dom Mário defendeu o compromisso de cuidar do Brasil e destacou que Nossa Senhora Aparecida é mãe de todos. “Dos que têm muito, dos que têm pouco, dos que vivem no centro, dos que vivem nas periferias, dos que sofrem, dos que têm esperança.”
FESTA E ROMARIA
A festa da padroeira do Brasil atraiu romeiros de diferentes estados a Aparecida, no Vale do Paraíba, a 180 km da capital paulista. Pedidos de cura, cumprimento de promessas e agradecimentos motivaram viagens até o santuário.
Parte dos peregrinos faz o percurso a pé pelo acostamento da rodovia Presidente Dutra. Neste ano, a concessionária RioSP projetava superar os 40 mil romeiros registrados em 2025.
A dimensão da caminhada levou a concessionária a preparar um estudo para construir uma via exclusiva para pedestres até Aparecida. O projeto depende de aprovação da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e não tem data para o início das obras.
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