Proposta de vereador bolsonarista de Petrolina para adoção de exames toxicológicos em alunos, professores e parlamentares gera críticas: “O lacrador volta a atacar. Quem é o dopado?”

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O vereador bolsonarista Dhiego Serra, de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, se envolveu em mais uma polêmica ao defender a realização de exames toxicológicos em alunos e professores universitários e nos integrantes da Câmara Municipal para verificar possível consumo de maconha e cocaína. A declaração foi feita durante a sessão legislativa desta quinta-feira (15).

Durante o pronunciamento, o parlamentar associou professores universitários à chamada doutrinação e afirmou que seria necessário verificar se docentes estariam fazendo uso de substâncias entorpecentes.

O parlamentar afirmou que tem “Inúmeros vídeos de rodinhas de alunos com professores universitários doutrinadores fumando maconha (…) e que deveria se ter exame para saber toxicológico, dentro das universidades, para saber se os professores estão dopados usando cocaína ou usando maconha”, declarou.

Em seguida, Diego Serra estendeu a proposta aos integrantes do Legislativo municipal e questionou se algum vereador também faria uso de maconha.

“E também aqui dentro, viu? Aqui dentro, desse poder legislativo. Para a gente saber se não tem algum vereador também usando, usando maconha. […] Bora fazer os exames? Bora fazer os exames para saber quem usa e quem não usa?”, afirmou.

As declarações do vereador provocaram reações e questionamentos sobre o respeito, a responsabilidade e o decoro parlamentar no exercício do mandato.

“É um absurdo o que esse vereador falou em plena tribuna da câmara. Ele não apresentou nenhuma evidência que comprovasse o uso de drogas nas universidades. Acusações dessa natureza expõem alunos e professores a constrangimentos, além de alimentar preconceitos. Não podemos permitir que as universidades sejam alvos destes ataques”, declarou um estudante universitário de Petrolina.

Também em contato com o PNB, uma leitora destacou que é preciso questionar onde termina a liberdade de expressão de um vereador e começa a responsabilidade exigida pelo decoro parlamentar.

“Este é tipo de político que a população de Petrolina está elegendo. Ao insinuar que integrantes da Câmara fazem uso de maconha, o parlamentar também coloca sob suspeita pessoas que compartilham com ele a responsabilidade de representar os petrolinenses. Nenhuma orientação ideológica, porém, dispensa um parlamentar do compromisso com a civilidade, a responsabilidade pública e a apresentação de fundamentos para acusações graves”, declarou.

“O lacrador voltou a atacar a universidades. Me parece frustração de quem não conseguiu passar em uma universidade pública. Com tantos problemas em Petrolina e o vereador que ganha mais de 20 mil reais se prestar ao papel de atacar estudantes e professores que promovem o conhecimento. Quem é o dopado?”, questionou um estudante.

O PNB entrou em contato com Diego Serra solicitando provas de suas acusações, ou seja, os vídeos que ele citou ter, mas o parlamentar não respondeu a nossa mensagem. O espaço segue aberto.

Relembre

No último dia 08, o vereador provocou um tumulto na Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), onde ocorreu um ato de apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições.

Segundo relatos de estudantes que procuraram o Portal Preto no Branco, o parlamentar foi até o local para questionar a instalação de cartazes relacionados ao ato e com a intenção de retirar o material. Ainda de acordo com os alunos, Dhiego Serra alegava que a universidade não seria um espaço adequado para a manifestação política e colocação de material de propaganda eleitoral.

Na ocasião, houve uma discussão acalorada entre Serra e os estudantes que integram a organização do movimento. Os estudantes contestaram a retirada dos materiais e defenderam o direito de manifestação política dentro da universidade pública.

Redação PNB

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