Após a família de José da Silva, paciente internado desde o dia 3 de setembro, no Hospital Regional de Juazeiro, no norte da Bahia, denunciar a demora na realização de procedimentos médicos e no início do tratamento de um tumor na laringe, a direção da unidade hospitalar se manifestou.
Em nova enviada ao Portal Preto no Branco, o HRJ informou que “o referido paciente necessita de um procedimento cirúrgico, mas sua realização, neste exato momento, não é indicada pela equipe médica por representar riscos a sua saúde, em virtude de suas condições clínicas. Diante disso, a equipe segue avaliando outras possibilidades de tratamento, buscando a conduta mais adequada e segura para o paciente.
A unidade ressalta que o paciente vem recebendo, desde sua admissão, a assistência necessária por parte da equipe multiprofissional, de acordo com as necessidades identificadas durante o acompanhamento de seu quadro clínico.
O HRJ reitera ainda que todos os esclarecimentos têm sido prestados aos familiares.”
O caso
Segundo a acompanhante, há mais de 30 dias, o estado de saúde do paciente vem se agravando durante o período de internação.
“Ele deu entrada broncoaspirando, com falta de ar e precisou fazer uma traqueostomia de urgência. Depois disso, a traqueostomia foi trocada algumas vezes, porque ainda não era adequada para ele, primeiro colocaram uma de plástico, depois uma de metal, até conseguirem encontrar a certa. Ele tem um tumor na laringe e fizeram uma biópsia, mas esse resultado nunca saiu. Então, ele ainda não faz nenhum tipo de tratamento para o tumor, porque não sabemos qual é o tipo e nem qual tratamento precisa ser realizado”, contou a familiar.
Outro problema apontado pela acompanhante é a dificuldade para viabilizar uma cirurgia.
“Ele tem uma queda de plaquetas constante e quando finalmente conseguiram estabilizar para fazer cirurgia, ou não tem cirurgião disponível, ou não tem leito na UTI para que ele possa realizar o procedimento. A gente fica nessa espera, sem saber quando vai acontecer”, afirmou.
Ela também demonstra preocupação com a mudança no estado de saúde e no comportamento do paciente.
“Quando ele chegou aqui, era um paciente consciente, orientado e hoje está debilitado e desorientado. Quando caminha, às vezes não consegue voltar, não sabe onde está e acaba deitando na cama de outro paciente porque não reconhece a própria. Cada dia que passa, ele fica mais debilitado, emagrecendo muito e a gente percebe que ele não era assim”, desabafou.
A familiar também relata episódios recorrentes em que o paciente retira a sonda utilizada, devido à desorientação.
“Ele está tão desorientado que já deve ser a décima sonda colocada em uma semana. Ele acaba retirando, e agora está sangrando pelo nariz porque não consegue mais passar a sonda com facilidade. É uma situação muito preocupante”, disse.
A familiar pede que a unidade hospitalar dê atenção ao caso e dê os devidos cuidados ao paciente
“Às vezes a equipe diz que vai voltar no leito para conversar comigo, mas nunca volta. Eles passam nas trocas de plantão e só. Eu queria muito que olhassem para ele como um ser humano, que vissem a necessidade de fazer esse procedimento e começar o tratamento. Ele está ficando cada vez debilitado, em um estado crítico. Quando alguém do hospital vai olhar para esse paciente e dizer: “Vamos cuidar dele, porque ele realmente está precisando?”, questionou.
Redação PNB


