Família denuncia dificuldades para conseguir assistência adequada para paciente psiquiátrica em Juazeiro; Sesau se manifesta

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Familiares de uma paciente entraram em contato com o Portal Preto no Branco para relatar dificuldades para conseguir assistência médica durante episódios de crises psiquiátricas em Juazeiro, na região Norte da Bahia. Segundo a irmã da mulher, Josely Cintra, há mais de um ano a família enfrenta dificuldades para obter atendimento adequado, em meio a encaminhamentos entre o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

“Quando a gente procura o CAPS, eles dizem que paciente em crise tem que ser atendido pela UPA. A gente vai para a UPA, mas, quando chega lá, os médicos aplicam Haldol e mandam de volta para casa, dizendo que não têm recursos necessários para atendimento psiquiátrico. Depois mandam procurar novamente o CAPS. É sempre assim”, relatou.

Segundo Josely, a situação se agravou nos últimos 25 dias, quando a irmã entrou em uma nova crise.

“Fui mais uma vez ao CAPS e recebi a mesma resposta: levar para a UPA. Acionei o SAMU, mas houve resistência para atender ao chamado. Com muita insistência, conseguimos levar minha irmã no dia 26 de outubro. Lá na UPA aplicaram Haldol e outro sedativo. Passamos a noite lá e, no dia seguinte, mandaram minha irmã para casa em um estado em que ela nem conseguia ficar em pé. Como pode uma paciente sair nessas condições?”, questionou.

Josely afirma que, no último dia 31 de outubro, precisou retornar à UPA com a paciente, que, segundo ela, apresentava um quadro ainda mais grave.

“Minha irmã segue internada. Ela está com atrofia muscular, sem reação. A cada dia que passa, a situação piora. A gente chega à unidade e fica esperando a boa vontade da equipe para conseguir assistência. Ela já foi classificada como paciente psiquiátrica, mas dizem que não têm recursos e que não há regulação. Não podemos fazer uma pergunta ou chamar alguém para avaliar minha irmã quando ela está precisando. A família fica sem saber a quem recorrer, enquanto ela continua nesse estado”, desabafou.

Ainda conforme o relato, a paciente está enfrentando constrangimento na unidade.

“Ela está em um local onde ficam homem e mulheres. Como ela está sem reação devido aos medicamentos, precisamos dar banho nela lá mesmo no leito, na frente de todos. É um constrangimento muito grande para ela e para nós da família”, acrescentou.

Diante da situação, Josely questiona a falta de uma estrutura especializada para atender pacientes em crises psiquiátricas no município.

“Uma cidade como Juazeiro não tem uma clínica psiquiátrica? Até quando vamos passar por essa situação? É um verdadeiro descaso com uma paciente que precisa de cuidados”, declarou.

Em nota enviada ao Portal Preto no Branco, a Secretaria Municipal de Saúde de Juazeiro (Sesau) informou que “a usuária recebeu atendimento médico no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II) em 18 de agosto de 2026. Posteriormente, apresentou um quadro de crise que impossibilitou seu comparecimento ao serviço. Em situações de crise que necessitam de assistência imediata, o cuidado inclui o atendimento pelos serviços de urgência e emergência, como o SAMU e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Na última terça-feira (3), a irmã da usuária procurou o CAPS II, onde foi acolhida e orientada pelo médico do serviço. A recomendação foi manter a usuária na UPA para dar continuidade à assistência e ao processo de regulação para o Hospital Regional de Juazeiro (HRJ), visando ao cuidado adequado às necessidades do quadro apresentado. A Sesau reforça seu compromisso com o acolhimento e a assistência à usuária, respeitando suas necessidades e os encaminhamentos indicados pela equipe médica”.

Redação PNB

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