Livro que Bolsonaro não pode mostrar no JN é mesmo assombroso?

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Durante entrevista ao Jornal Nacional. Globo, na semana passada, o candidato à presidência Jair Bolsonaro tentou mostrar um livro, no que foi impedido pelos apresentadores, considerando as regras que proibiam a apresentação de qualquer tipo de material ou documento.

Bolsonaro, valeu-se de uma “fake news” que dizia se tratar de uma obra que seria distribuída pelo MEC junto com o “kit gay” em escolas de todo o Brasil e que descobriu isso por conta do “9º Seminário LGBT Infantil” que teria acontecido no Congresso.

O site Pragmatismo Político publicou matéria de Rodrigo Casarin, Blog Página Cinco, esclarecendo sobre o livro que o candidato não pode mostrar no noticiário.

Diz a matéria:

A Agência Lupa apontou nunca existiu um encontro do tipo. Além disso, a polêmica ao redor do livro é antiga, tanto que o próprio MEC divulgou uma nota em 2016 afirmando que nunca produziu, adquiriu ou distribuiu o título em questão, que jamais constou em seus programas de materiais didáticos. Posição semelhante já havia sido tomada pela pasta em 2013, o que comprova como essa ladainha vem se arrastando por bastante tempo.

Pela inovação que trouxe ao tema, o livro virou até exposição em Paris. Bolsonaro, no entanto, deixa claro nas redes quais são os trechos que mais lhe incomodaram. São aqueles que falam especificamente sobre o ato sexual– quanto tempo dura? Qual posição ficar? O que sentimos? – e uma página lúdica na qual o leitor é incentivado a inserir o dedo no buraco para simular um pênis ereto. Me parece de fato uma maneira válida de se falar sobre sexo para quem não entende do tema – um assunto que muitos pais têm dificuldade em abordar com os filhos -, mas entendo se alguém achar uma solução de mau gosto.

Em todo caso, há uma distância imensa entre achar de mau gosto e constituir uma cruzada contra a obra, ainda mais sustentada pelo falso argumento de que ela estaria sendo adotada pelo governo. Se o título se mantém na esfera privada, que cada pai compre-o ou não para seus rebentos – o que, evidentemente, não invalida a necessidade de discutirmos de maneira séria como o poder público deveria atuar na educação sexual das crianças. Sobre o assunto, o candidato à presidência também falou que gostariam de desconstruir a heteronormatividade. Ora, isso significa ensinar a todos, desde cedo, que qualquer forma de amor é válida e deve ser respeitada, não apenas entre homens e mulheres – que problema há nisso?

Após a entrevista na Globo a Companhia das Letras se posicionou sobre a menção ao título no seu Twitter: “O livro citado na entrevista do JN foi publicado pelo nosso selo jovem. Infelizmente está fora de catálogo, mas nos orgulhamos da publicação”. E a obra não está apenas esgotada, mas supervalorizada em sebos, onde é encontrada por preços que variam de R$ 109 a R$ 230. Pelo visto, Bolsonaro se tornou um grande divulgador e valorizador do trabalho de Zep.

Pragmatismo Político

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