O filho mais novo do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), vereador Carlos Bolsonaro, provocou revolta nas redes sociais ao republicar ‘brincadeira’ com uma imagem que ridiculariza protesto contra seu pai. Após enxurrada de críticas por suposta apologia à tortura, o filho de Bolsonaro deu explicações e negou apoiar “maldade” contra opositores.
Na noite dessa terça-feira (25), o filho de Bolsonaro postou em sua conta pessoal no Instagram foto de um homem com o corpo amarrado por cordas simulando asfixia com um saco plástico – conhecido método de tortura – e com os dizeres #EleNão inscritos em seu peito. A hashtag remete a campanha lançada por internautas que repudiam a candidatura de Jair Bolsonaro.

(foto: reprodução/internet)
A legenda da foto postada por Carlos Bolsonaro reproduz publicação idêntica feita pela página Direita Porto Velho (@direitapvh): “Sobre pais que choram no chuveiro!”. A expressão , comumente utilizada em contexto de ofensas homofóbicas, é direcionada a filhos que supostamente envergonham seus pais.
A postagem foi interpretada por muitos como um gesto de apologia à prática de tortura, atraindo a atenção de opositores como o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e o deputado federal e advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Wadih Damous (PT-RJ).
“O filhote do fascista fez apologia à tortura nas redes sociais. Mais uma atitude criminosa da corja de discípulos de Pinochet [ex-ditador chileno]”, reclamou Damous. “Pra piorar, enquanto um dos filhos do #EleNão dá piti no Twitter, o seu irmão vereador faz apologia à tortura no Instagram. São fascistas, espalham o ódio, votam contra os trabalhadores e serão derrotados pelo povo!”, bradou Lindbergh, em resposta.
Filho de Bolsonaro nega apologia e ganha apoio do MBL
Diante das reações, o próprio Carlos Bolsonaro recorreu mais uma vez às suas redes sociais para se defender. “Novamente inventam como se eu tivesse divulgado uma foto dizendo que quem escreve a hashtag #EleNão mereceria alguma maldade. Não, canalhas! Foi apenas a replicação da foto de alguém que considera isso uma arte. Me agradeçam por divulgar e não mintam como sempre!”, escreveu Carlos, divulgando o perfil do artista que produziu a foto em protesto ao presidenciável do PSL.
A relação da família Bolsonaro com acusações de apoio à tortura é antiga – e ganha novos capítulos com certa regularidade. Ao votar pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o próprio Jair Bolsonaro homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) como responsável por torturas praticadas durante a ditadura militar.
O filho de Bolsonaro recebeu apoio do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que até hoje é reconhecido pela sua atuação em atos pelo impeachment de Dilma. “Carlos Bolsonaro tirou sarro de um militante do #EleNão que fez essa foto horripilante acusando Jair de ser torturador. A imprensa e políticos esquerdistas estão disparando Fake News acusando Carlos de apologia a tortura. É muito escrotidão [ sic ] dessa gente”, escreveram os administradores da página do MBL.
Denúncia de apologia à tortura
O vereador do Rio de Janeiro, David Miranda (PSOL), anunciou que vai apresentar uma denúncia contra o vereador por quebra de decoro em razão da reprodução da imagem que simula a tortura. Para Miranda, que é ativista LGBTi+, a postagem representa apologia à tortura e à homofobia. O candidato à Presidência do PDT Ciro Gomes também criticou o vereador e cobrou providências das autoridades. Carlos Bolsonaro é vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos no Rio de Janeiro. A bancada do PSOL na casa legislativa também assinará a denúncia por quebra de decoro. “Essa postagem não vai intimidar as mulheres e nem os LGBTi+ que se organizam contra essa família. Resistência é a única palavra de ordem”, afirma o vereador David Miranda. O deputado federal Jean Wyllys (PSOL) também acionou o Ministério Público do Rio de Janeiro contra Carlos Bolsonaro. Segundo o deputado, a publicação lesa aos direitos humanos.
Fontes: IG e El País



