Um dos editais do concurso público lançado pela Prefeitura de Petrolina nesta quarta-feira (21) está gerando uma repercussão negativa entre os interessados em participar do processo seletivo. A diferença salarial entre os médicos e as demais áreas de atuação da saúde é a principal reclamação dos cidadãos, que pedem a revisão do edital.
O edital prevê que um médico que atua nas áreas de Infectologista, Clínico Geral, Urologista, do Trabalho, Ginecologista Obstetra, Neurologista, Psiquiatria, Ortopedista, Otorrinolaringologista ou Cardiologista ganhará em torno de R$ 7.125 trabalhando 40 horas semanais. Um médico do Programa de Saúde da Família (PSF) vai ganhar, conforme o edital, cerca de R$ 9.533 para 40 horas semanais, configurando-se o maior salário do edital.
Nas demais áreas da saúde os salários são mais baixos. Um Médico Veterinário, Psicólogo, Fisioterapeuta, Nutricionista, Fonoaudiólogo e um Terapeuta ocupacional ganhariam R$ 1.075 por 30 horas semanais, mesmo valor e hora estimados para as áreas de Enfermeiro, Farmacêutico, Fiscal de Inspeção Sanitária, assistente social (saúde). O salário previsto para o Enfermeiro do PSF é de R$ 1.784 por 40 horas semanais.
Nas redes sociais do Prefeito Miguel Coelho, os cidadãos criticaram os valores dos salários e a quantidade de vagas ofertadas no edital. Os interessados pedem a revisão do edital.
“Espero que esse edital seja revisto! Ele é uma afronta aos profissionais e à saúde pública… Deixo aqui registrado meu repúdio a esse edital. Indignada com os salários ofertados. Espero profundamente que novas diretrizes sejam tomadas a partir dos desabafos do “povo”, das dezenas de profissionais que estão se manifestando nas redes sociais”, escreveu uma usuária.
“Espero uma revisão do edital, tanto no quadro de vagas, quanto no salário. Vergonhosa a situação!!!”, disse outra.
Outra crítica dos interessados é a não realização da prova de títulos como parte do processo seletivo.
“É impossível não se indignar com o edital de concurso da Prefeitura de Petrolina para os cargos de saúde. Uma cidade deste porte, com inúmeras demandas de saúde precisando da assistência profissional, lançam um edital com pouquíssimas vagas, salários medíocres e um concurso público sem prova de títulos?! Nem mesmo, os pisos salariais das categorias foram respeitados. Uma vergonha! Profissionais de saúde, se valorizem, não se submetam a um absurdo desse! Um concurso como esse deve ser boicotado”, escreveu outra usuária na rede social do prefeito.
“Tremendo absurdo, falta de respeito. Hoje um nível superior é um investimento muito caro, inclusive intelectual! Estou indignada”, disse uma outra leitora, em contato com a redação do Preto no Branco.
Prefeito se prenuncia
Em nota publicada nas redes sociais, Miguel Coelho tentou esclarecer as reclamações em relação aos valores dos salários de algumas áreas. “De antemão, é preciso entender: o salário informado para todos os cargos é o salário base, e quando somado às gratificações, aos adicionais de insalubridade e outros benefícios, alcança o piso da grande maioria senão de todas as categorias. Isso não é novidade pra ninguém. Isso não acontece apenas em Petrolina, nem só na nossa gestão; todos que fazem concursos, que trabalham e que são das áreas sabem disso. Na verdade, o que não acontecia era um concurso público como esse, e há muitos anos. Em uma rápida busca no Portal da Transparência, é possível ver a remuneração bruta de cada profissão e confirmar o que estamos falando”, disse.
O prefeito falou também das queixas sobre a quantidade vagas destinadas. “Somos obrigados por lei a chamar um mínimo para cada categoria, mas isso não implica dizer que serão convocadas apenas estas pessoas. Como tudo na administração pública, tudo depende de duas coisas: dos recursos disponíveis e da demanda necessária”, explicou.
Miguel Coelho escreveu ainda que não há motivo para histeria, “tampouco para mensagens desrespeitosas como algumas que recebi. Na dúvida, perguntem, procurem a mim ou a Secretaria de Gestão Administrativa, não apenas acusem ou ofendam. Trabalhamos para fazer o melhor para Petrolina e isso significa buscar fazer o melhor para cada um de vocês, mas lembrem-se: ninguém está intimado a fazer o concurso; todos aqueles que não acharem suficiente e quiserem trilhar outros caminhos, têm meu desejo de sorte, mas ao nosso lado eu só espero que estejam todos aqueles que queiram trabalhar por Petrolina, pelas pessoas e por uma cidade mais forte”, finalizou.
Concurso
Ao todo estão sendo ofertadas 370 vagas para profissionais em diversos níveis de escolaridade. Os interessados devem se inscrever, exclusivamente, pelo site www.upenet.com.br entre os dias 28 de novembro e 5 de janeiro de 2019.
Um dos editais oferece 334 vagas voltadas à área da Saúde e também para profissionais que deverão atuar no âmbito da Administração Municipal. As vagas são para médicos, auditor fiscal I, enfermeiro, odontólogo, farmacêutico, auxiliar de laboratório, assistente social, bibliotecário, museólogo, técnico agrícola, técnico em laboratório, técnico de enfermagem, entre outras.
Já o segundo edital oferta 36 vagas para o cargo de professor de Libras e professor de Braile para Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação.
Todos os detalhes das seleções estão disponíveis aos candidatos no site www.upenet.com.br.
Da Redação



