PNB

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Jovem de 20 anos é morto a tiros no Residencial Vivendas I, em Petrolina

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Um homicídio foi registrado na madrugada do domingo (8) no Residencial Vivendas I, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco. A vítima é um jovem de 20 anos, que foi atingido por diversos disparos de arma de fogo.

De acordo com informações da Polícia Civil de Pernambuco, o jovem não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local do crime.

A ocorrência foi registrada na 214ª Delegacia de Polícia de Petrolina, que ficará responsável pela investigação do caso. As diligências estão sendo realizadas para esclarecer as circunstâncias, bem como identificar a autoria e a motivação do crime.

Redação PNB

Lei reforça vulnerabilidade da vítima em caso de estupro de menor

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou neste domingo, 8, uma lei que reforçar a reforça a vulnerabilidade da vítima no crime de estupro de vulnerável, e que essa não pode ser relativizada, reduzida ou questionada.

A Lei nº 15.353, que altera o Código Penal,foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).

Pela legislação brasileira, são considerados vulneráveis, para fins de tipificação do crime de estupro de vulnerável, os menores de 14 anos e as pessoas que, por enfermidade, deficiência mental ou qualquer outra causa, não possuem discernimento ou não podem oferecer resistência.

“A sanção desta lei reafirma o compromisso do Estado brasileiro com a proteção das meninas e mulheres. A violência sexual é uma das mais graves violações de direitos humanos e não pode ser relativizada. Ao estabelecer de forma expressa que a vulnerabilidade da vítima é absoluta, a norma fortalece a segurança jurídica e contribui para que o sistema de Justiça atue com mais firmeza no enfrentamento a esse tipo de crime”, destacou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

O texto também estabelece que as penas previstas no dispositivo se aplicam independentemente de consentimento da vítima, de sua experiência sexual, do fato de ter mantido relações sexuais anteriormente ao crime ou da ocorrência de gravidez resultante da prática do crime.

Polêmicas judiciais

A proposta surgiu após decisões judiciais que teriam mitigado a vulnerabilidade com base em circunstâncias como relacionamento prévio ou gravidez.

O objetivo da lei é evitar interpretações que relativizem a condição da vítima com base nesses fatores, que não têm impacto na responsabilização penal.

 

A Tarde

PRF cumpre 302 mandados de prisão por violência contra a mulher em operação nacional

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A Polícia Rodoviária Federal (PRF) cumpriu 302 mandados de prisão em aberto relacionados a crimes de violência contra mulheres entre 9 de fevereiro e 5 de março, durante a segunda fase da Operação Alerta Lilás. A ação foi realizada em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8).

Segundo a corporação, a maior parte das prisões ocorreu por não pagamento de pensão alimentícia, com 215 mandados cumpridos. Também houve detenções por estupro (37 casos, sendo 27 contra pessoas vulneráveis) e por descumprimento de medida protetiva (16).

Os estados com maior número de mandados executados foram Rio Grande do Sul (26), Goiás (22) e Minas Gerais (18). Ao longo dos 24 dias da operação, iniciada durante o Carnaval, a média foi de 12 prisões por dia. Na edição de 2025 da ação, 83 mandados haviam sido cumpridos.

Criado pela PRF em 2025, o Alerta Lilás foi instituído em referência ao Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, celebrado em 10 de outubro. A iniciativa consiste na ativação de avisos no sistema de consulta criminal da corporação, integrado ao Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Com o alerta ativado, policiais rodoviários federais de todo o país podem direcionar fiscalizações para localizar pessoas com mandados de prisão em aberto. As abordagens podem ocorrer em unidades da PRF, durante operações de rotina em rodovias, ou em pontos estratégicos, como áreas de descanso, postos de combustível e praças de pedágio.

Apesar do endurecimento da legislação e da ampliação das redes de proteção, o Brasil ainda registra índices elevados de violência contra mulheres. De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), em 2025 foram registrados 1.559 feminicídios no país, além de mais de 83 mil casos de estupro, dos quais 59 mil contra pessoas vulneráveis,  em sua maioria crianças e adolescentes.

Em fevereiro, representantes dos três Poderes assinaram o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, que prevê ações para fortalecer as redes de proteção, acelerar o cumprimento de medidas protetivas, ampliar campanhas educativas e responsabilizar agressores.

“O Brasil aparece globalmente como o quinto país mais arriscado para as mulheres, onde o sentimento, que compartilho, é de terror. A gente se preocupa com a roupa que veste, com o horário da rua onde anda, se está iluminada, se a gente está sozinha”, afirma a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres do Ministério das Mulheres, Estela Bezerra. “O Brasil não vai admitir esse ranking. Vamos mudar essa trajetória, mudar essa história do Brasil em relação à vida das mulheres. Queremos as mulheres vivas”, defende a secretária.

Segundo ela, o estupro de vulnerável foi o crime que mais cresceu no país no último ano. “Esse aumento, de 42%, está correlacionado ao sentimento de impunidade. Então a operação da PRF é fantástica no sentido em que ela coloca os mecanismos de Segurança Pública alinhados a uma mensagem para a sociedade, de que a violência contra a mulher é crime, e que quem cometê-la, vai ser punido”, afirma.

Estela também destacou o alto número de mandados ligados à pensão alimentícia. “Esse número mostra gravidade não só da violência contra mulher, mas a violência contra crianças e adolescentes. É preciso combater essa cultura, dos homens que se sentem desobrigados de nutrir, de manter a família economicamente”, diz.

Bahia BA

Sete em cada dez mulheres relatam já terem sofrido assédio, diz estudo

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Sete em cada dez mulheres dizem já ter sofrido assédio moral ou sexual, principalmente em ruas e espaços públicos. Os dados fazem parte da pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres, lançada nesta quinta-feira (5).

O levantamento é de autoria do Instituto Cidades Sustentáveis e da Ipsos-Ipec, empresa especializada em pesquisa sociais e de mercado. Foram entrevistadas 3,5 mil pessoas, em dezembro de 2025, nas cidades de Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

“A insegurança é uma regra na nossa vida, não é uma exceção. Há uma proporção alta de mulheres que seguem dizendo que já sofreram assédio”, alertou Patrícia Pavanelli, diretora de Opinião Pública e Política da Ipsos-Ipec, durante o lançamento da pesquisa, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP.

Considerando o total de mulheres da amostra (2.066), 71% delas disseram já ter sofrido algum tipo de assédio em pelo menos um dos seis locais pesquisados: ruas e espaços públicos, transporte público, ambiente de trabalho, ambiente doméstico, bares/casas noturnas ou transporte particular.

“O espaço público e o transporte público se destacam como os lugares mais hostis para as mulheres, sendo esse um problema recorrente e que limita a nossa liberdade, o nosso direito à cidade”, ressaltou Patrícia.

Apesar da queda em relação a 2014, quando o índice ficou em 74%, e das variações de acordo com as capitais, as entidades realizadoras do estudo consideram que a proporção de mulheres que sofreram assédio permanece elevada e persistente nas dez cidades.

Assédio nas ruas

Ruas e espaços públicos – como praças, parques e praias – são os lugares onde mais ocorrem assédios, sendo citados por 54% das mulheres. Em seguida, aparece o transporte público (citado em 50% das respostas) e, em outro patamar, o ambiente de trabalho (citado por 36% mulheres).

Bares e casas noturnas foram citados por 32%; o ambiente familiar aparece em 26% das menções; e transporte particular como táxi e ou por aplicativo, em 19% das respostas.

A parcela de 5% das mulheres relatou que já sofreu assédio em todos os seis espaços mensurados na pesquisa.

“Embora pareça pouco, a gente está falando de mulheres que vivem em 10 capitais que [concentram] 33 milhões de habitantes, e 5% delas dizem que já sofreram algum tipo de assédio em todos os locais [mencionados]”, acrescentou.

Punição e rede de apoio

A pesquisa abordou ainda ações e medidas prioritárias que devem ser adotadas para combater a violência contra as mulheres.

Aumentar as penas contra os agressores aparece em primeiro lugar, com 55% das menções, seguida da ampliação dos serviços de proteção às vítimas, com 48%. Agilizar o andamento da investigação das denúncias foi uma ação citada por 37% das pessoas.

“A pesquisa aponta para gente um caminho que combina esse desejo da punição e da justiça, mas há necessidade de uma rede de apoio mais robusta”, explicou Patrícia Pavanelli, da Ipsos-Ipec.

Para ela, é preciso aproximar a população dos agentes de segurança e promover treinamento dos funcionários para que possam acolher melhor as mulheres.

“Vale a pena destacar que a gente tem quase três em cada 10 homens hoje dizendo que é prioritário criar políticas de segurança comunitária, aproximando a população dos agentes de segurança.”

Debate com especialistas

A promotora Fabíola Sucasas, titular da Promotoria de Enfrentamento à Violência Doméstica do Ministério Público de SP, avalia que o combate à violência contra mulheres não se resolverá pela “via punitivista”.

“Essa ideia de que o direito penal vai dar conta de tudo, de que o homem precisa ser preso, ele precisa ser punido, é uma visão que é patriarcal.”

Ela ressaltou que, embora haja uma demanda por aumento de penas, conforme mostrou a pesquisa, o feminicídio já tem a maior pena prevista no código penal – 40 anos – e isso não tem se refletido na redução desse tipo de crime.

“Isso não tem intimidado [os agressores], muito pelo contrário, o feminicídio tem aumentado e tem aumentado também o descumprimento das medidas protetivas de urgência.”

Para Naiza Bezerra, coordenadora de Políticas para Mulheres da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, é essencial repensar, a partir de dados como os apresentados na pesquisa, intervenções públicas e mecanismos de proteção para mulheres.

“Muitas mulheres não estão seguras no lar e, quando ela vai para o espaço público, para a rua, o transporte público, ela enfrenta uma insegurança ainda maior.”

A coordenadora destacou o quanto as mulheres estão desprotegidas, apesar das ferramentas já existentes para o combate à violência de gênero.

“Sair de casa tendo que observar que horas que eu estou saindo, que horas que eu vou chegar. Eu saio do meu trabalho pensando nisso: não posso chegar muito mais que dez da noite na minha região. É inseguro para mim, é inseguro para muitas mulheres.”

Tarefas domésticas

O levantamento apurou ainda como homens e mulheres percebem a divisão de tarefas domésticas. No total da amostra, quatro em cada dez entrevistados (39%) disseram que os afazeres de casa são responsabilidade de todos, mas as mulheres fazem a maior parte. Para parcela semelhante (37%), as atividades são divididas igualmente entre homens e mulheres.

Os números variam pouco entre as capitais, mas a percepção muda de forma significativa quando se observa o recorte por gênero: 47% dos homens acham que as atividades domésticas são divididas igualmente, percentual que cai para 28% entre as mulheres.

Além disso, 32% dos homens reconhecem que as mulheres fazem a maior parte das tarefas, embora a responsabilidade seja de ambos, enquanto, entre as mulheres, esse percentual sobe para 44%.

Agência Brasil

Anvisa: suplementos com cúrcuma podem causar danos ao fígado

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Fachada do edifício sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta sexta-feira (dia 6) um alerta de farmacovigilância para o uso de medicamentos e suplementos alimentares que contêm cúrcuma, também conhecida como açafrão.

Segundo a Anvisa, investigações internacionais identificaram casos raros, mas graves, de inflamação e de danos ao fígado associados ao uso desses produtos em cápsulas ou em extratos concentrados.

“O problema está associado especialmente a formulações e tecnologias que promovem um aumento na absorção da curcumina em níveis muito acima do consumo normal”, informou a agência em nota.

De acordo com o comunicado, agências reguladoras de países como Itália, Austrália, Canadá e França já fizeram alertas sobre o tema depois que autoridades de saúde registraram casos de intoxicação do fígado ligados ao uso de suplementos de cúrcuma.

Na França, a Agência Nacional de Segurança Sanitária da Alimentação, do Meio Ambiente e do Trabalho identificou dezenas de relatos de efeitos adversos associados ao consumo de suplementos com cúrcuma ou curcumina, incluindo casos de hepatite.

“O alerta apresenta orientações para profissionais de saúde, fabricantes de medicamentos e suplementos alimentares e consumidores”, destacou a Anvisa.

Alimentação

Na nota, a agência reforça que o risco de toxicidade não está relacionado ao uso da cúrcuma para o preparo de alimentos no dia a dia.

“O pó usado na culinária é seguro e não integra o alerta, uma vez que não há evidências de risco associado ao consumo da cúrcuma como alimento e aditivo alimentar”, detalhou a Anvisa.

“A diferença é que, em medicamentos e suplementos, o produto possui concentrações mais altas e uma capacidade de ser mais absorvido pelo organismo”, completou.

Sinais de alerta

Dentre os indícios citados pela Anvisa que podem indicar a necessidade de avaliação médica após o uso de medicamentos e suplementos alimentares que contêm cúrcuma estão:

  • Pele ou olhos amarelados (icterícia)
  • Urina muito escura
  • Cansaço excessivo e sem explicação
  • Náuseas e dores na região do abdômen

Nesses casos, a orientação é interromper o uso imediatamente e procurar um profissional de saúde. Suspeitas de eventos adversos envolvendo medicamentos devem ser notificadas ao sistema VigiMed e, no caso de suplementos, no e-Notivisa.

Atualização de bulas

Como medida preventiva, a Anvisa determinou a atualização, com avisos de segurança, das bulas dos medicamentos Motore e Cumiah, ambos contendo cúrcuma.

No caso dos suplementos com cúrcuma, a agência informou que vai reavaliar o uso da substância e que também vai passar a exigir a inclusão de advertências obrigatórias sobre a possibilidade de efeitos adversos nos rótulos dos produtos.

Extra

Mulheres vítimas de violência terão acesso a reconstrução dental no SUS

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Mulheres vítimas de violência terão acesso a reconstrução dentária no SUS (Sistema Único de Saúde), incluindo tratamento odontológico integral e gratuito. Serão oferecidos próteses, implantes, restaurações e outros procedimentos.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira (5) pelo Ministério da Saúde. A ação faz parte do plano de trabalho anunciado na quarta-feira (4) para o enfrentamento ao feminicídio no país.

Segundo a pasta, o programa contará com o reforço de 500 impressoras 3D e scanners, que funcionarão em unidades odontológicas móveis distribuídas em todo o país. Em 2025, foram distribuídos 400 novos veículos e a previsão é que, até o fim deste ano, outras 800 unidades entrem em circulação.

“Se os homens não se engajarem no enfrentamento à violência contra as mulheres, a gente não vai ganhar essa batalha. As mulheres já lutam por isso há muitos anos, há décadas. Está na hora dos homens entrarem com mais força nessa luta. E a gente, que é da área da saúde, mais ainda”, destacou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Mais cedo, a pasta informou que solicitou à OMS (Organização Mundial da Saúde) a inclusão da categoria feminicídio na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). O objetivo é dar maior visibilidade aos óbitos de mulheres motivados por desigualdade de gênero – atualmente registrados de forma genérica como agressão.

 

CNN Brasil

Senado aprova Dia Nacional do Orgulho Autista; projeto vai à sanção

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O Senado confirmou a criação de duas datas, no calendário brasileiro, voltadas para a conscientização sobre o autismo. Durante votação em plenário, os parlamentares confirmaram o dia 2 de abril como o Dia Nacional de Conscientização sobre o Autismo e o dia 18 de junho para o Dia Nacional do Orgulho Autista.

As datas constam do substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei 3.391/2020, do senador Romário (PL-RJ), que agora segue para sanção presidencial.

Alteração

A proposta original de Romário, aprovada pelos senadores em junho de 2020, criava o Dia Nacional do Orgulho Autista. Os deputados aprovaram substitutivo — texto alternativo — alterando a Lei 13.652, de 2018 — que já previa o Dia Nacional de Conscientização sobre o Autismo, em 2 de abril — para acrescentar a outra comemoração em 18 de junho.

O projeto recebeu parecer favorável da senadora Mara Gabrilli (PSD–SP). Segundo a relatora, a criação de uma nova efeméride voltada ao orgulho autista complementa a data já existente, e busca combater o estigma histórico associado ao transtorno do espectro autista e valorizar as pautas das pessoas autistas e suas famílias.

Alinhamento

A pessedista salientou que a opção pelo Dia Nacional do Orgulho Autista em 18 de junho alinha a legislação brasileira à data reconhecida internacionalmente.

“A instituição dessa data reconhece a neurodiversidade e contribui diretamente para o fortalecimento da autoestima das pessoas autistas e de suas famílias”, defendeu Gabrilli.

Vacina brasileira contra a dengue mantém eficácia por até 5 anos

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Um novo estudo publicado pelo Instituto Butantan mostrou que a vacina brasileira contra a dengue permanece eficaz por pelo menos cinco anos após a aplicação.

O imunizante Butantan-DV foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)em novembro do ano passado e já começou a ser aplicado em profissionais de saúde de diversas partes do país.

Durante esse período nenhuma pessoa vacinada apresentou dengue severa, nem precisou de hospitalização por causa da doença. Com isso, a eficácia da vacina contra as formas graves da doença ou a infecção acompanhada de sinais de alerta ficou em 80,5%.

A diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, explica que esse resultado é positivo não somente por confirmar a eficácia da vacina, mas por demonstrar a eficiência do esquema de dose única.A vacina produzida pelo Instituto é a primeira do mundo contra a dengue aplicada em apenas uma dose.

“Vacinas que precisam de duas ou mais doses, a gente tem vários dados que mostram que muitas pessoas não voltam pra completar o esquema. Então, essa demonstração de que uma única dose mantém a proteção alta é muito importante. Mas é claro que nós vamos continuar acompanhando, para saber se realmente não vai ser necessário um reforço depois de 10 ou 20 anos”, afirmou.

Crianças e idosos

A eficácia do imunizante contra a dengue, de forma geral, foi um pouco menor, de 65%. Mas o índice sobe para 77,1% entre as pessoas que já contraíram a doença antes de receber o imunizante.

Os resultados também apresentaram algumas variações de acordo com a faixa etária, com maior eficácia entre adultos e adolescentes do que entre as crianças.

Por essa razão, a Anvisa registrou a Butantan-DV apenas para pessoas de 12 aos 59 anos, apesar da vacina ter sido testada também em crianças, a partir dos 2 anos.

“Eles reconhecem que os dados de segurança pra crianças estão corretos, mas como depois de cinco anos, a eficácia entre as crianças cai mais do que entre os adultos, nós precisamos saber se elas vão precisar de reforço”, explicou a diretora médica do Butantan.

Fernanda Boulos acrescentou, no entanto, que o Butantan já está planejando, junto com a Anvisa, a realização de um estudo adicional em crianças para embasar a inclusão desse público no esquema de vacinação no futuro. Além disso, o Instituto já está fazendo testes em idosos, em um estudo que deve ter resultados no ano que vem.

“O sistema imunológico também passa por um processo de envelhecimento, então é importante entender se os idosos tem a mesma capacidade de gerar resposta imune com a vacina”, explicou.

O acompanhamento dos pacientes vai ser feito por um ano, depois os dados serão comparados com os dos adultos, e enviados para a Anvisa para uma possível ampliação do público-alvo.

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), Juarez Cunha, afirma que essa inclusão seria muito importante, considerando que a maior taxa de mortalidade por dengue é verificada entre idosos. Ele ressalta, ainda, os resultados importantes sobre a segurança da vacina apresentados no estudo.

“Ele nos mostra que a vacina se mantém protetora por um prazo bastante longo, e é extremamente segura. E esse também é um aspecto fundamental. Qualquer medicação, incluindo vacina, a gente precisa ver como eles vão se comportar com a sua utilização”, complementa.

Segurança

O estudo de longo prazo da Butantan-DV foram publicados na quarta-feira (4), na revista Nature Medicine e explica que a vacina foi, de modo geral, bem tolerada e não foram observadas preocupações de segurança a longo prazo.”

Eles foram obtidos após o acompanhamento de mais de 16 mil pacientes, sendo que cerca de 10 mil receberam a vacina, e quase 6 mil receberam placebo, para compor um grupo de comparação.

“Em termos estratégicos é fundamental que a gente tenha uma pesquisa nacional conseguindo chegar a esses produtos de ponta, eficazes e seguros. Possibilita que a gente consiga abastecer mais fácil o nosso Programa Nacional de Imunizações e também é um ativo de negociação com outros países”, destaca o diretor da SBIM.

A diretora médica do Instituto Butantan, Fernanda Boulos, confirma que a prioridade absoluta é abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Mas, assim que a demanda nacional for suprida, a instituição pública, vinculada ao estado de São Paulo, deve negociar a venda de doses para outros países, especialmente da América Latina, que também tem sofrido com epidemias da doença.

 

Agência Brasil

Maioria das vítimas de violência sexual na Bahia é criança e adolescente, diz relatório

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Brasília (DF) 19/06/2024 - Membros do movimento "Criança não é Mãe" realizam protesto contra o projeto de lei (PL 1.904/2024), que equipara aborto de gestação acima de 22 semanas a homicídio. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Segundo o relatório “Elas Vivem”, da Rede de Observatórios da Segurança, divulgados nesta sexta-feira (6), a Bahia registrou 273 casos de violência contra a mulher ao longo de 2025. O documento aponta que entre os dados mais alarmantes do estado está o perfil das vítimas de crimes sexuais. Das 75 ocorrências de violência sexual ou estupro, 57,3% vitimaram crianças e adolescentes com idade entre 0 e 17 anos.

No recorte da letalidade, o estado contabilizou 47 feminicídios e 47 homicídios de mulheres no período. Além disso, foram registradas 47 tentativas de feminicídio ou agressões físicas.

O estudo mostra que a violência de gênero no estado é frequentemente marcada por motivações como ciúmes ou a não aceitação do término de relacionamentos.

Os pesquisadores monitoraram dados de nove estados e revelaram que a violência sexual cresceu 59,6% em um ano, saltando de 602 para 961 casos no total das áreas pesquisadas. O Amazonas lidera em números absolutos de violência sexual, enquanto São Paulo concentra o maior volume total de eventos de violência contra a mulher.

O volume total de registros de violência sexual e estupro nos nove estados monitorados foi:

– Amazonas: 353 casos
– São Paulo: 191 casos
– Pará: 123 casos
– Rio de Janeiro: 95 casos
– Bahia: 75 casos
– Piauí: 53 casos
– Pernambuco: 53 casos
– Ceará: 26 casos
– Maranhão: 23 casos

Percentual de vítimas entre 0 e 17 anos dentro do total de casos de violência sexual:

– Amazonas: 78,4%
– Pará: 62,8%
– Bahia: 57,3%
– Ceará: 53,8%
– Pernambuco: 45,5%
– Piauí: 43,4%
– Maranhão: 39,1%
– São Paulo: 35,6%
– Rio de Janeiro: 30,5%

Perfil do agressor  

Os dados revelam que o perigo para as mulheres e meninas está, majoritariamente, dentro de casa. Em 78,5% dos casos monitorados, a violência foi cometida por companheiros ou ex-companheiros. O ambiente doméstico e as relações íntimas de afeto respondem pela maior parte das agressões. De acordo com o relatório, isso desmistifica a ideia de que a principal ameaça vem de desconhecidos na rua.

Invisibilidade racial

Outro ponto crítico é a ausência de informações raciais nos registros. Em 86,7% das ocorrências, não houve identificação de raça ou cor das vítimas, o que dificulta a criação de políticas públicas direcionadas para mulheres negras e indígenas, que são as mais vulnerabilizadas.

Onde buscar ajuda na Bahia

Para mulheres em situação de violência em Salvador e região, os seguintes centros oferecem suporte especializado:

– Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar

Atendimento: Segunda a sexta, das 8h às 18h
Endereço: 5ª Avenida do CAB, nº 560, 3º andar, sala 305E, Salvador
Telefone: (71) 3372-1867

– Centro de Atendimento à Mulher Soteropolitana Irmã Dulce
Serviços: Atendimento psicológico, jurídico e assistência social
Atendimento: Segunda a sexta, das 8h às 17h
Endereço: Rua Léllis Piedade, nº 63, Ribeira, Salvador
Telefone: (71) 3202-7399

Denúncias gerais podem ser feitas pelo Ligue 180 (nacional) ou, em casos de emergência policial, pelo 190.

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