
Após a decisão das empresas de comunicação Folha de S.Paulo e do grupo Globo, que tem entre seus meios de comunicação a TV, os jornais O Globo, Valor Econômico e o portal G1, decidirem suspender a cobertura jornalística na porta do Alvorada, o Gabinete de Segurança Institucional informou que irá aperfeiçoar as medidas de segurança no local.
A decisão foi tomada, temporariamente, até que o governo federal ofereça segurança aos profissionais de imprensa.
“Continuaremos aperfeiçoando esse dispositivo, para que o local permaneça em condições de atender às expectativas de trabalho e de livre manifestação dos públicos distintos que, diariamente, comparecem ao Palácio da Alvorada”, afirma em nota o gabinete, chefiado pelo ministro Augusto Heleno.
No entanto, o presidente Bolsonaro utilizando seu costumeiro tom de chacota e desrespeito à imprensa ironizou a decisão e voltou a criticar o trabalho dos profissionais de imprensa.
“Foi embora a Folha? O Globo também não tá? Estadão também saiu?”, perguntou Bolsonaro durante sua passagem pelo local na noite desta terça-feira (26).
Ele avaliou a decisão como uma forma de vitimização e voltou a falar na facada que tomou durante a campanha eleitoral.
“Estão se vitimizando, quando levei a facada não falaram nada. Eu não vi conteúdo da Folha falando quem matou Bolsonaro, muito pelo contrário, eu levo facada o tempo todo. Também vi a Globo falando disso aí. Se você olhar o número de horas que a Globo fez com a Marielle e do meu caso, eu acho que dá 100 por um”.
Irônico, chegou a convidar os jornalistas que estiveram na frente do Alvorada para darem uma caminhada pela área externa da residência oficial e, mais uma vez, fez referência aos tempos do PT na presidência.
“Mas, tudo bem a imprensa é livre. Vocês nunca viram uma palavra minha sobre regular a mídia, sobre democratização da mídia, que o PT dizia […] Nunca persegui ninguém. O ditador sou eu”, disse o presidente tão afeito a polêmicas e acusações.
Nesta segunda-feira (25), apoiadores de Bolsonaro hostilizaram jornalistas, numa prática que tem sido recorrente diariamente na porta da residência oficial.
Pouco antes dessas agressões verbais, o presidente, ao passar perto dos repórteres, criticou a imprensa. “No dia que vocês tiverem compromisso com a verdade, eu falo com vocês de novo”, disse. Alguns simpatizantes dele apoiaram respondendo “Isso aí”.
Os xingamentos aos jornalistas que esperam a saída de Bolsonaro na porta do Alvorada diariamente se tornaram comuns e, nesta segunda-feira, a agressividade foi maior.
Na nota publicada nesta terça-feira (26), o GSI afirmou avaliar “ininterruptamente as condições de segurança dos locais onde o presidente esteja ou possa vir a estar”. “Em decorrência desta avaliação, implementa as medidas necessárias e suficientes para garantir a segurança adequada”.
O GSI também lista algumas medidas que foram adotadas na área em frente à residência oficial, onde tanto apoiadores quanto repórteres comparecem diariamente para acompanhar a saída e a entrada de Bolsonaro. Entre as ações, há a separação física, por meio de grades, dos locais destinados para os visitantes e repórteres; registro e inspeção dos presentes, inclusive com detector de metal; orientação quanto ao uso de equipamentos de proteção individual contra a disseminação do novo coronavírus; e presença de agentes de segurança.
Com a escalada de hostilidades, o GSI havia instalado duas grades, com espaço de uma pessoa em pé entre elas, para separar os dois grupos. O reforço da proteção, no entanto, foi removido e, nos últimos dias, há apenas uma grade e uma fita de contenção, ignorada pela claque.
O gabinete responsável pela segurança do presidente da República também alegou nesta terça que algumas medidas mais restritivas deixaram de ser tomadas em atendimento de solicitação de integrantes da imprensa.
O GSI não diz a qual medida se refere. Em meados de maio, o GSI informou repórteres que cobrem o Palácio da Alvorada que a circulação de carros na área em frente à residência seria interrompida 15 minutos antes da saída e da entrada de Bolsonaro no edifício.
Após esse comunicado, jornalistas questionaram o Palácio do Planalto que essas regras dificultavam o acesso de profissionais ao local, uma vez que os horários de deslocamento do presidente não são informados com antecedência.
“O GSI entende e respeita os princípios de liberdade de expressão garantidos pela legislação vigente. Assim sendo, criou as melhores condições possíveis para o trabalho dos profissionais de imprensa e, também, um espaço reservado aos apoiadores do Presidente”, diz o gabinete, na nota desta terça.
Da Redação








