Preto no Branco

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Marcha das Margaridas é aberta em Brasília

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Brasília (DF), 15/08/2023 - Ministros participam da Abertura Oficial da 7ª Marcha das Margaridas. Foto:Wilson Dias/Agência Brasil

 

A 7ª Marcha das Margaridas foi aberta oficialmente na noite desta terça-feira (15), evento que reúne mais de 100 mil mulheres do campo, da floresta, das águas e cidades na capital federal. A abertura teve a presença de representantes dos movimentos sindicais e de ministros do governo federal.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve fazer anúncios nesta quarta-feira (16) em resposta às principais demandas das mulheres. Ainda em junho, a organização da marcha levou a pauta de solicitações ao governo federal.

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, esteve na abertura oficial e antecipou que a pasta deve retomar o Grupo Terra, focado em desenvolver políticas para as populações do campo e da floresta; além de ações para acolhimento de mulheres e crianças vítimas de violência nas unidades básicas de saúde e reconstrução do comitê de avaliação de plantas medicinais e fitoterápicas.

Algumas demandas apresentadas pela marcha são a ampliação da participação das mulheres na política; combate à violência, racismo e sexismo; autonomia econômica; acesso à terra e educação; segurança alimentar; produção rural aliada à agroecologia e universalização da internet e inclusão digital.

Para a coordenadora-geral da marcha e secretária de Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Mazé Morais, a marcha “renderá frutos históricos capazes de mudar a vida de mulheres por meio de uma plataforma de resistência”. O lema da edição de 2023 é Pela Reconstrução do Brasil e Pelo Bem Viver.

A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, destacou que as participantes marcham por seus ideais e por um país mais justo e pacífico. “Nós não queremos que seja o país do ódio e da raiva. Queremos que seja o país da paz”, disse.

Já Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, emocionou-se ao ver a homenagem prestada a irmã Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro assassinada em 2018. “Não vão nos intimidar, não vão nos calar”, destacou.

Participaram do evento as ministras Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), Margareth Menezes (Cultura) e Ana Moser (Esporte), além de ministros e representantes da Caixa, Banco do Brasil e delegações de 35 países.

As mulheres realizarão a marcha nesta quarta-feira (16) na Esplanada dos Ministérios.

Margarida Alves

O Senado aprovou nesta terça-feira (15) a inscrição do nome de Margarida Alves no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A matéria segue agora para sanção.

Desde 2000, o nome da marcha é uma homenagem a Margarida Maria Alves, ex-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba. Ela foi assassinada em 12 de agosto de 1983 em resposta a sua luta pelos direitos da categoria. Desde então, a liderança se tornou símbolo da resistência de milhares de homens e mulheres que buscam justiça e dignidade. Latifundiários da região são suspeitos do homicídio. Mas, até hoje, o crime segue sem solução e os mandantes não foram condenados.

O caso de Margarida Maria Alves chegou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Em abril de 2020, a comissão concluiu que o Estado brasileiro é responsável pela violação dos direitos à vida, integridade pessoal, proteção e garantias judiciais de Margarida Alves. O relatório ainda faz recomendações ao Estado brasileiro sobre como reparar integralmente os familiares da vítima; a investigação efetiva para esclarecer os fatos; o fortalecimento do Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos, concentrando-se na prevenção de atos de violência.

Instituto em Lauro de Freitas (BA), retira nome e foto de Daniel Alves da fachada da sede; jogador vai a julgamento acusado de estupro

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Na fachada de uma ONG em Lauro de Freitas, região Metropolitana de Salvador, não constam mais a foto e o nome do jogador juazeirense Daniel Alves. O Instituto Liderança,  levava o nome do atleta desde 2021, quando o jogador assumiu o espaço.

De acordo com o Uol Notícias, depois da prisão de Daniel Alves, o instituto perdeu parcerias, principalmente com o poder público. Atualmente, o espaço de mil metros quadrados está praticamente desocupado, embora mantenha o convênio com a Prefeitura de Salvador.

De acordo com o portal, não se sabe quando ocorreu a mudança. Nas redes sociais, o nome do brasileiro ainda aparecia em coletes e na quadra em fotos ligadas ao instituto no começo deste mês.

A gestão do instituto não se manifestou sobre o caso.

Prisão

Daniel está preso na Espanha desde janeiro sob acusação de ter estuprado uma jovem de 23 anos com quem estava numa boate de Barcelona, em dezembro. A mulher disse que o atleta forçou uma relação sexual no banheiro do estabelecimento.

O lateral nega ter cometido o crime, mas vai a julgamento nos próximos meses.

Redação PNB

TSE mantém decisão que multou Bolsonaro pelo 7 de setembro

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O ministro Benedito Gonçalves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu, nesta terça-feira (15), manter a decisão que multou o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro Walter Braga Netto em R$ 110 mil por descumprimento de decisão e litigância de má-fé.Em julho, o ministro entendeu que a campanha da chapa Bolsonaro-Braga Netto deixou de retirar das redes sociais imagens das comemorações do 7 de setembro que tinham sido consideradas como propaganda eleitoral irregular no pleito do ano passado.

Conforme a decisão, ambos receberam multas individuais de R$ 50 mil pelo descumprimento, além do acréscimo de R$ 5 mil por terem garantido que os conteúdos foram apagados.

A decisão do ministro foi motivada por um recurso apresentado pelas defesas de Bolsonaro e Braga Netto. Os advogados sustentaram que não houve descumprimento da decisão e defenderam a reunião de diversas ações sobre a mesma acusação contra a campanha. “Não há razão legítima para que se acelere o julgamento de uma ou outra ação em detrimento das demais”, argumentou a defesa.

Finalistas do Prêmio Sebrae de Jornalismo serão divulgados em live no dia 24 de agosto

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O resultado dos finalistas da 10ª edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo (PSJ) será divulgado no próximo dia 24 de agosto (quarta-feira), durante uma live que será transmitida pelo canal oficial do Sebrae no YouTube, a partir das 14h. Na ocasião, também serão anunciados os vencedores da etapa estadual.

Ao todo, 1.899 jornalistas de todo o Brasil se inscreveram no concurso nacional, cujo tema central desta edição é “A contribuição dos pequenos negócios para o desenvolvimento econômico e social do país”. As categorias e os números de trabalhos que concorrem são: texto (834), áudio (205), vídeo (682) e fotografia (178).

Na Bahia, 85 profissionais concorrem ao certame. Serão premiadas notícias veiculadas em canais da imprensa brasileira ou novas plataformas digitais sobre empreendedorismo e pequenos negócios.

Os vencedores da Bahia serão homenageados, no dia 29 de agosto, pela diretoria da instituição, durante café da manhã, a partir das 9h, na sede do Sebrae, no Costa Azul, em Salvador. Na ocasião, eles receberão certificado e um iPhone e seguem na competição para participar da etapa regional.

Serviço

O quê: Resultado dos finalistas do Prêmio Sebrae de JornalismoQuando: 24/08, a partir das 14hOnde: Canal oficial do Sebrae no YouTube

Da tradicional família Ribeiro, empresário juazeirense se prepara para mexer no tabuleiro eleitoral de 2024

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O cenário político de Juazeiro vem ganhando novos personagens. Uma geração de juazeirenses que almeja contribuir com o desenvolvimento de sua terra natal.

Entre os eleitores, existe também um anseio por novos nomes, que tragam um jeito mais arrojado, profissional e futurista de cuidar do município.

Da tradicional família Ribeiro, destaque, sobretudo na educação, um jovem empresário, cheio de ideias, e já com uma trajetória profissional e pessoal bem sucedida, está se preparando para mexer no tabuleiro eleitoral para o pleito de 2024.

“Os eleitores podem presenciar um movimento político significativo com a possível volta da tradicional família Ribeiro”, avisa Ribeiro, que também é vice-presidente da Juazeirense.

Através de sua assessoria, o pré-postulante a ingressar na história política de Juazeiro resgata o legado da família Ribeiro, começando pelo ilustre Edson Ribeiro.

“A História da família Ribeiro remonta a 1925, quando Edson Ribeiro assumiu como vereador substituto e logo foi eleito vereador, desempenhando o cargo de 1928 a 1930. Ele também deixou sua marca como Deputado Estadual Constituinte em 1935 e 1937, e posteriormente como Prefeito de Juazeiro, de dezembro de 1945 a novembro de 1946. Sua dedicação à política continuou ao se tornar Suplente de Deputado Estadual Constituinte pela União Democrática Nacional – UDN, período em que assumiu a posição em diversos momentos, consolidando sua atuação em janeiro de 1950. Durante o mandato de 1951 a 1955, Edson Ribeiro foi eleito prefeito de Juazeiro, marcando seu legado ao aumentar o número de escolas municipais para 72. Esse compromisso com a instrução evidenciou o interesse profundo do administrador pelos assuntos educacionais”.

Outro destaque entre os Ribeiros, que marcou a história política e educacional do município foi Ramiro Ribeiro.

“Engajado nas causas sociais e populares, o ilustre personagem, que dá nome a uma rua no centro da cidade, deixou sua contribuição de cidadão ativo e comprometido com a terra ribeirinha”, relembrou a assessoria do empresário, que finalizou profetizando: “A trajetória política ilustre da Família Ribeiro poderá ser revitalizada com a introdução de um novo nome na corrida eleitoral, alguém que carregue consigo a herança política dessa família e o desejo genuíno de construir uma nova Juazeiro, baseada nos princípios de educação, responsabilidade social e progresso. A população aguarda com expectativa o desenrolar dessa possível reviravolta política e os impactos que ela pode trazer para o futuro da cidade”, concluiu a Ascom.

Ascom/Ribeiro

Programa de Parcelamento de débitos do SAAE segue até o dia 30 de setembro em Juazeiro

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O Serviço de Água e Saneamento Ambiental (SAAE), em Juazeiro, segue com o Programa de Parcelamento Incentivado garantindo descontos em juros e multas de até 100%.“A iniciativa oferta a possibilidade de pagamento com redução de 100% nos valores de multa e juros de mora e ainda a opção de parcelamento em até 60 (sessenta) meses. No pagamento à vista o usuário terá um desconto de 30% (trinta por cento), além da retirada de multas e juros. O Programa é voltado para usuários da sede e interior e tem como prazo para adesão o dia 30 de Setembro de 2023”, informou o órgão.Atendimento

Para garantir os benefícios, o usuário precisa comparecer ao balcão do SAAE Comercial, localizado à Rua Barão de Cotegipe, n° 1, em frente à Praça Aprígio Duarte (Praça do Jacaré), no centro da cidade. O atendimento presencial do SAAE acontece de segunda a quinta-feira, das 8h às 17h e na sexta-feira, das 8h às 14h. Em caso de dúvidas, o telefone é o (74) 3614-9800.
Ascom/Sesau

Entenda pagamento a empresas jornalísticas por conteúdo em rede social; proposta passou a incluir a sustentabilidade do jornalismo

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O relatório sobre o Projeto de Lei 2370/2019 que estabelece pagamento de direitos autorais e remuneração a veículos de imprensa e artistas por reprodução de conteúdo em ambientes digitais foi entregue no último sábado (12) pelo deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA). A nova versão do texto do relator passa a incluir a sustentabilidade do jornalismo por meio de regras e diretrizes para remuneração de conteúdos jornalísticos digitais produzidos e reproduzidos pelas big techs, como são conhecidas grandes empresas de tecnologia, como Google e Meta.

O tema estava sendo tratado no Projeto de Lei nº 2630/2020, mas foi remetido ao PL 2370/2019, de autoria da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), o projeto deve ser votado em breve. Se for aprovado, segue para o Senado.

O texto entende como jornalístico “o conteúdo de cunho eminentemente informativo, que trata de fatos, opiniões, eventos e acontecimentos, em geral de interesse público, independentemente do tipo ou formato, observados os princípios e padrões éticos de conduta no exercício da atividade de jornalismo”.

A jornalista e coordenadora de incidência da Repórteres Sem Fronteiras para a América Latina, Bia Barbosa, explica que as plataformas digitais utilizam as notícias dos veículos de comunicação para gerar renda que não se reverte para quem produz a notícia. “Quando você usa serviços como o Google News ou quando você vai dentro do YouTube e tem uma aba de notícias, de conteúdo pré-selecionados ou quando você usa a aba de notícias do Twitter, os serviços são chamados agregadores de notícias. São oferecidos por plataformas para os usuários e, portanto, elas lucram com isso, é um valor agregado do serviço de postagem de feed que as plataformas fazem sem investir nada”.

Quem está investindo para produção desses conteúdos são as empresas jornalísticas, segundo a coordenadora, que não são remuneradas. “A discussão começou muito baseada na mudança que aconteceu de transferência da publicidade – antes o principal modelo de negócios para financiar os meios de comunicação – e essa publicidade também migrou para o ambiente digital.”

Além disso, as bigh techs têm ganhos econômicos diretos ao publicar anúncios em resposta a buscas relacionadas com notícias, já que o conteúdo noticioso atrai e mantém usuários em seus serviços e utilizam a plataforma para outras buscas.

A publicidade digital brasileira movimentou R$ 32,4 bilhões em 2022, alta de 7% em um ano, segundo dados do estudo AdSpend, do IAB Brasil.

Defesa

Mais de 100 organizações e empresas de jornalismo de pequeno porte e independente apoiam o projeto, dentre as quais a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação de Jornalismo Digital (Ajor).

Segundo as entidades, boa parte das críticas que as pequenas empresas de jornalismo, influenciadores digitais de esquerda e sindicatos profissionais tinham com relação ao projeto foram resolvidas ou amenizadas, na última versão. Pessoas físicas que já produzem conteúdo jornalístico terão seis meses para constituir pessoa jurídica e passar a se beneficiar da regulação.

Para evitar que os valores hoje destinados à publicidade e aos contratos com empresas de jornalismo pelas plataformas sejam impactados negativamente, o projeto prevê que esses recursos sejam considerados nas novas negociações entre plataformas digitais e empresas jornalísticas.

Segundo as entidades que assinam a defesa, há definição das prioridades em termos de negociação, “uma vez que o PL agora traz que a remuneração do jornalismo por plataformas digitais visa fortalecimento do jornalismo nacional, regional, local e independente, da inovação e da valorização e contratação de jornalistas e de trabalhadores relacionados à atividade”.

Outro ponto é que a audiência a ser considerada para estabelecer os valores de remuneração é aquela nas próprias plataformas e não em todo o universo digital, o que favorece empresas de jornalismo que têm uma boa presença nessas aplicações.

A mediação de negociação entre plataformas e empresas de jornalismo pode ser feito por arbitragem privada, mas também pelo Poder Público, o que significa possibilidade de baixo custo para o processo de negociação quando tratar-se de empresas pequenas, informa as entidades.

nota emitida pela Fenaj afirma que a “remuneração do jornalismo por plataformas é fundamental, deve promover pluralidade e contemplar profissionais”. Diz ainda que as regras devem fortalecer iniciativas de diversos tipos, regionalidades e tamanhos, não se limitando a institucionalizar acordos comerciais entre grandes plataformas digitais e conglomerados de mídia.

Outro ponto chave da discussão são os parâmetros a serem considerados na remuneração pelas plataformas, alerta a Fenaj.

“Estes devem ir além de critérios meramente ligados ao negócio das empresas jornalísticas, como a audiência, e considerar a atuação dos veículos para mitigar desertos de notícias, informar comunidades específicas e impactar socialmente o fomento a negócios locais. Da mesma maneira, os parâmetros para a remuneração não podem ser construídos como brecha para que modelos de negócio predatórios, caça-cliques, sensacionalistas ou desinformativos sejam ainda mais privilegiados no ambiente digital. É preciso estabelecer salvaguardas para evitar que organizações difusoras de conteúdo sem compromisso com a ética da atividade possam se beneficiar da remuneração por plataformas”.

O secretário de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, João Brant, destaca que, nos últimos anos, não houve investimento por parte das plataformas, e só ganhos. “Nos últimos dez anos, a maior parte da publicidade digital foi absorvida pelas grandes plataformas, sem que tenha havido investimento significativo em produção jornalística.  O que gerou aumento da exploração predatória dos conteúdos pelas plataformas. E este é um cenário que vale para o mundo todo. Por isso, vários países estão buscando soluções para enfrentar esses problemas, como a Austrália e a França, por exemplo”.

Para Brant, o PL contém avanços que podem beneficiar todos os produtores. “O projeto 2370, de iniciativa do Legislativo, contém importantes avanços que podem beneficiar todos os produtores de conteúdo jornalístico, grandes ou pequenos, privados ou públicos. Sobre os critérios para definição de valores, é difícil escapar de fatores relevantes como audiência e volume de produção, mas isso não significa que eles devam ser os únicos. Entendemos que cabe tanto detalhamento dos critérios para definição dos valores para remuneração quanto regulamentação para inclusão de outros critérios”.

Pontos críticos

Enquanto não é aprovado, especialistas da área comentam a necessidade de aprimoramentos no relatório do deputado Elmar Nascimento.

Segundo a coordenadora de incidência do Repórteres sem Fronteiras, no Brasil a proposta que está sendo discutida é baseada em acordos a serem estabelecidos depois da legislação, entre plataformas e empresas de comunicação.

“Vai depender de um acordo que vai precisar ser feito entre as partes depois que a legislação for aprovada, mas que determina que, se as plataformas usam esses conteúdos por iniciativa própria, portanto, deveriam gerar remuneração para quem produziu e investiu para a produção daquele conteúdo”, destacou Bia Barbosa.

Um dos problemas apontados por especialistas é que os critérios da lei podem gerar ainda mais concentração das grandes corporações de comunicação. São três as principais condicionantes para cálculo dos valores destinados à imprensa: o volume de conteúdo jornalístico original produzido; a audiência, nas plataformas, dos conteúdos jornalísticos produzidos pela empresa; o investimento em jornalismo aferido pelo número de profissionais do jornalismo regularmente contratados pela empresa, registrados em folha de pagamento e submetidos à Rais (Relação Anual de Informações Sociais).

“Se isso for feito sem considerar os critérios que estão sendo discutidos na lei, vai gerar ainda mais uma concentração dos meios de comunicação no Brasil, porque, de novo, serão os grandes produtores de conteúdo a receber recursos, enquanto as iniciativas estaduais, regionais, locais ou iniciativas temáticas, com cobertura focada em um tipo de tema, não vão receber porque não farão parte dos acordos. Se não regular de maneira a promover a pluralidade, a tendência é gerar sustentabilidade para o jornalismo, mas só para os grandes meios de comunicação”, ressalta a coordenadora do Repórteres sem Fronteiras.

Ponto delicado também é a promoção da desinformação. “Para evitar que o PL remunere conteúdos desinformativos e tenham sua audiência inflada artificialmente, é importante, por um lado, a definição de jornalismo trazida pelo texto observar, como critérios para remuneração, os princípios e padrões éticos de conduta no exercício da atividade de jornalismo. Por outro, a audiência deve desconsider o alcance obtido por técnicas artificiais de manipulação de engajamento”, aponta Bia Barbosa.

O representante da Coalizão Direitos na Rede, Paulo Rená, também acha importante garantir a diversidade. “Nossa prioridade é garantir a diversidade regional e local no campo específico do jornalismo, que está passando por uma crise generalizada no âmbito do serviço online. A forma de as plataformas digitais remunerarem o jornalismo entra nesse contexto maior, porque precisamos de meios de comunicação de veículos profissionais de diversas dimensões, que possam ser informação confiável”.

Outro ponto a ser debatido, segundo Rená, são os critérios aplicados para a remuneração.

“A lei deve oferecer os instrumentos para serem aplicados neste ecossistema de remuneração do jornalismo. Tem que dar as regras, não permitindo, por exemplo, que as plataformas façam acordos com uma grande empresa de comunicação e excluam as demais. Essa é uma possibilidade absolutamente real e que a gente acha que seria muito prejudicial intensificar a concentração de recursos da remuneração do jornalismo em uma ou duas grandes empresas, isso só prejudicaria as demais.”

Outros países

A Austrália aprovou uma lei de obrigação de negociação entre plataformas e jornalismo, em 2021. Segundo a Poynter Institute, esses acordos, e outros firmados com o Facebook, injetaram bem mais de US$ 140 milhões no jornalismo australiano a cada ano, de acordo com Rod Sims, ex-presidente da Comissão Australiana de Concorrência e Consumidores.

De acordo com dados de estudo do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) detalham que em 2019 o Conselho Europeu e o Parlamento Europeu aprovaram a nova diretiva de direitos autorais (Directive of The European Parliament and of the Council on Copyright and Related Rights in the Digital Single Market and Amending Directives). Na França, o Google fechou acordo com cerca de 120 veículos, em montante total de 150 milhões de euros por três anos.

“Esse é um tema que não é só o Brasil que está discutindo, recentemente vários países como Austrália e o Canadá que aprovaram legislações prevendo o pagamento de algum tipo de remuneração por parte das plataformas digitais para empresas jornalísticas, há diferentes modelos em outros países, que foram adotados desde por exemplo, remuneração por um link utilizado”, explica Paulo Rená, representante da Coalizão Direitos na Rede. Mas, ainda assim, há muito a avançar.

“As mudanças mais recentes no Canadá, por exemplo, geraram uma reação das plataformas, especificamente a Meta (Instagram e Facebook) e o Google, retiraram o funcionamento dos links dos grupos conglomerados de notícias dos resultados de busca, os links não vão aparecer nas plataformas pela exigência de remuneração. A solução que foi tentada em outros países ainda aparentemente não está dando certo, mas é muito recente, não sabemos como vai ficar no médio e longo prazo, é um trabalho complexo porque o mercado brasileiro de jornalismo é muito diferente do mercado de jornalismo de outros países”, opina Paulo Rená.

Plataformas

A Meta informou, por meio de nota enviada à Agência Brasil, que “o texto também cria um ambiente incerto, confuso e insustentável no qual as plataformas digitais podem ser forçadas a pagar aos veículos de notícias pelo conteúdo noticioso que as plataformas supostamente “usam”.

Isso representa um desafio significativo tanto para detentores de direitos (neste caso, os publishers) quanto para plataformas em compreender o escopo e o impacto da lei. Para redes sociais como as nossas, isso é especialmente verdade, já que as notícias aparecem nos nossos aplicativos por decisão voluntária dos publishers de fazer o upload dos conteúdos em nossos serviços gratuitos, para expandir suas redes e engajar uma audiência maior. As pessoas também compartilham notícias com amigos e familiares, mas de modo geral o conteúdo de notícias representa menos de 3% do que as pessoas veem no feed do Facebook”.

A Meta ainda afirmou que acompanha o posicionamento publicado pela Câmara e-net (instituição da qual a Meta é filiada), sobre o PL 2370. “A Câmara-e.net, que representa o ecossistema da economia digital, solicita ser incluída e ouvida nos debates referentes ao PL 2370/2019, que altera a Lei de Direitos Autorais. A exemplo do que tem sido feito com representantes da radiodifusão e artistas, participar deste debate é essencial, pois o projeto pode ter um impacto profundo e sem precedentes às dinâmicas da internet.”

A assessoria de imprensa da Meta destacou estudo da Nera Economic Consulting que detalha as relações econômicas entre a indústria de notícias e o Facebook. “Segundo o estudo, as alegações dos publishers de notícias de que o Facebook se beneficia injustamente às custas deles estão erradas”, concorda a bigh tech.

Agência Brasil

Codevasf apresenta projeto de adutora às comunidades que serão atendidas com água tratada no Norte da Bahia

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Cerca de seis mil pessoas serão beneficiadas com água tratada pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) com a implantação de um Sistema Integrado de Abastecimento de Água (SIAA) entre o distrito do Junco, no interior do município de Juazeiro, e a região de Curral Velho, em Campo Formoso, no Norte da Bahia. O investimento é da ordem de R$ 32 milhões.

O projeto da obra foi apresentado aos representantes das comunidades que serão beneficiadas durante reunião com o superintendente regional da Codevasf em Juazeiro, Miled Cussa Filho, no auditório da Superintendência Regional de Juazeiro.

“Para nós é uma satisfação muito grande recebê-los na Codevasf, colher as informações que nós incorporaremos ao projeto, mas sobretudo ter a satisfação de poder levar água, que é vida, que é necessidade básica de cada ser humano – água tratada para todos vocês”, afirmou o superintendente Miled Cussa durante o encontro.

Cerca de 30 pessoas de 21 comunidades participaram da reunião. Na oportunidade, foram feitos vários questionamentos sobre a obra. Maria Rosimeire de Oliveira Lopes, presidente da Associação Agropecuária de Marruá, na localidade do Salitre, em Juazeiro, na região Norte da Bahia, foi uma das participantes. “Nós sofremos muito tempo com a falta de água, pagando carro-pipa para encher nossas cisternas. Hoje, recebemos a notícia que vai chegar água tratada nas torneiras de nossas casas. É um sonho muito antigo que está começando a virar realidade”, conclui.

Segundo o gerente regional de Revitalização e Sustentabilidade Socioambiental da Companhia em Juazeiro, Luciano Gomes da Rocha, a obra deverá ser licitada ainda este ano.

Sobre a obra

De acordo com o projeto, serão beneficiados os povoados de Alegre (1 e 2), Bebedouro Grande (1 e 2), Gangorra, Campestre, Goiabeira (1 e 2), Manga (1 e 2), Manoel Patrício, Marruá, Passagem do Sargento (1 e 2), Pateiro, Pau Preto, Sobradinho e Curral Velho.

A água bruta captada no Perímetro Irrigado Salitre, em Juazeiro, percorrerá uma rede de aproximadamente dez quilômetros até uma Estação de Tratamento de Água (ETA) na localidade de Bebedouro Grande.

A adutora de água tratada e a rede de distribuição percorrerão uma distância projetada de 139 quilômetros e estão previstas nesse trajeto uma Estação Elevatória de Água Tratada principal (EEAT), quatro estações elevatórias intermediárias (Boosters) e 17 reservatórios.

Ascom/ Codevasf

“Evento extremamente raro”: Ministro das Minas e Energia pedirá investigação da PF e da Abin sobre interrupção de energia

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Brasília (DF) 15/08/2023 - O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, explica os motivos do interrompimento de energia na manhã de hoje em diversos estados Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

 

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse nesta terça-feira (15) que a interrupção no fornecimento de energia elétrica registrada pela manhã em todas as regiões do país foi um evento extremamente raro. Por isso, além das apurações internas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foi solicitado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública que a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também investiguem com detalhes as causas da falta de energia.“Tenho absoluta convicção de que o ONS, até pela sua característica técnica, não vai ter condição de dizer textualmente se esses eventos foram eminentemente técnicos, ou se houve também falha humana ou até dolo”, disse o ministro, lembrando que o setor é altamente estratégico, sensível e fundamental para a sociedade brasileira.

O governo já sabe que houve na manhã de hoje uma sobrecarga em uma linha de transmissão de energia no Ceará, o que fez com o que o sistema entrasse em colapso nas regiões Norte e Nordeste. Quando isso ocorreu, o ONS modulou a carga que estava sendo enviada para o Sul, o Sudeste e o Centro-Oeste, como forma de proteção, o que fez com que a energia fosse reduzida nessas regiões. Houve pelo menos 16 mil megawatts (MW) de interrupção de energia.

Segundo o ministro, o ONS ainda irá avaliar se houve outro evento no mesmo horário, em outro local do país. “O único evento que se pode afirmar é esse no Ceará. Ainda não há outro evento apontado pelo ONS, mas leva-se a presumir que tivemos um segundo evento que causou esse evento dessa magnitude”, disse. Silveira pontuou que o país trabalha com um sistema de energia redundante e, para que tenha havido uma interrupção dessa magnitude, devem ter ocorrido dois eventos ao mesmo tempo. Alexandre Silveira citou os casos de ataques a torres de transmissão de energia registrados em janeiro deste ano.

“Graças à robustez do nosso sistema, para que haja um evento dessa magnitude, há de se haver uma redundância de fatos relevantes”, disse. A previsão é que, em 48 horas, o ONS aponte o que fez com que o sistema tivesse tido essa interrupção.

Segundo o MME, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste a energia voltou cerca de uma hora depois da interrupção e, no Norte e no Nordeste, o fornecimento foi completamente restabelecido às 14h49.

O ministro explicou que o ocorrido hoje não tem nada a ver com o suprimento e a segurança energética do Brasil. “Vivemos um momento de abundância nos reservatórios”, destacou Silveira, lembrando que recentemente o Brasil exportou energia para a Argentina quando os reservatórios de Itaipu e Furnas estavam vertendo água.

A queda de energia atingiu 25 estados e o Distrito Federal. O único estado que não foi afetado foi Roraima, que não é integrado ao Sistema Interligado Nacional. Cerca de 27 milhões de pessoas foram atingidas, o que representa um terço dos consumidores brasileiros.

Durante a entrevista coletiva, o ministro fez críticas à privatização da Eletrobras, que detém a maior parte da geração e transmissão no Brasil. “Eu seria leviano em apontar que há uma causa direta [desse evento] com a privatização da Eletrobras. Mas a minha posição sempre foi a de que um setor como este deve ter uma mão firme do Estado brasileiro, como saúde, segurança e educação”, disse.

Agência Brasil