Preto no Branco

26679 POSTS 18 COMENTÁRIOS

Pesquisa constata desinformação de médicos sobre homossexualidade

0

Um estudo recente de três pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) evidenciou o desconhecimento de médicos heterossexuais quanto à homossexualidade. Visando identificar percepções equivocadas que podem prejudicar o atendimento de pacientes, Renata Corrêa-Ribeiro, Fabio Iglesias e Einstein Francisco Camargos questionaram 224 profissionais atuantes no Distrito Federal, a partir de um roteiro de perguntas formuladas por estudiosos norte-americanos.

Ao final do experimento, constatou-se que os participantes acertaram, em média, apenas 11,8 dos itens (65,5% das 18 respostas dadas). Alguns deles atingiram somente dois acertos.

O número de erros foi maior entre católicos e evangélicos, que indicaram 11,43 alternativas corretas, em média. A pontuação dos médicos que informaram ter outras religiões ou nenhuma foi de 12,42 acertos.

Os participantes tinham, em média, 42 anos de idade, e eram majoritariamente mulheres (149 profissionais – 66,5%). À época da aplicação do questionário, a maioria (208 pessoas – 92,9%) exercia a atividade após concluir a residência médica.

Os autores do artigo, intitulado O que médicos sabem sobre a homossexualidade? e publicado no início do ano, destacam que a sociedade médica tem alertado, há algum tempo, para comportamentos de profissionais da categoria que podem prejudicar o atendimento do segmento LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexuais). Com medo de serem hostilizadas, as pessoas pertencentes a esses grupos podem acabar deixando, por exemplo, de fazer consultas periódicas, tão importantes na detecção de doenças em estágio inicial.

Riscos
O estudo constatou problemas como falta de treinamento de profissionais de saúde, que têm dificuldade de abordar questões relacionadas à sexualidade, presença de barreiras e práticas institucionalizadas consideradas preconceituosas. Segundo os autores, a desinformação dos profissionais de saúde aumenta o risco de adoecimento mental, suicídio, câncer e de contração de doenças sexualmente transmissíveis.

Em alguns casos, apontou a pesquisa, a rejeição dos profissionais de saúde leva à evitação ou ao atraso no atendimento, ao ocultamento da orientação sexual, ao aumento da automedicação ou à busca de informações fora da rede médica, por meio de farmácias, de revistas, de amigos e da internet. Alguns pacientes só procuram o médico em situações de emergência ou em casos extremos, por receio de enfrentarem discursos homofóbicos, humilhações, ridicularizações e quebra de confidencialidade.

Erros
A questão que apresentou o maior percentual de erro, ressaltaram os pesquisadores, foi a 14, que pedia para classificar a informação de que quase todas as culturas têm mostrado ampla intolerância contra os homossexuais, considerando como “doentes” ou “pecadores”. Nesse caso, 154 médicos (68,8%) erraram a pergunta e julgaram o item verdadeiro, 37 médicos (16,5%) indicaram-no como falso, acertando a questão, e 33 (14,7%) não souberam responder.

Um total de 34,4% dos entrevistados não soube responder se a homossexualidade era doença (item 6), 4,9% responderam que sim. O item 10, que afirmava que uma pessoa se torna homossexual por conta própria, foi considerado verdadeiro por 32,1% dos médicos, e 13,8% não souberam responder. “Essa resposta revelou que quase metade dos médicos desconhecia os vários aspectos biopsicossociais relacionados à homossexualidade e a atribuía simplesmente a uma escolha feita pelo indivíduo”, escreveu o grupo de cientistas.

Violência contra LGBTI no Brasil
Em 2017, 445 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBTs) foram mortos em crimes motivados por LGBTIfobia. O número, apurado pelo Grupo Gay da Bahia, é o maior desde o início da série do monitoramento, que começou a ser elaborado pela entidade há 38 anos. O índice representa um aumento de 30% em relação a 2016.

Pelo mundo, a comunidade LGBTI tem conseguido galgar avanços na proteção a seus membros contra perseguições e ataques. Em setembro, a Índia descriminalizou a homossexualidade. A despenalização, que tinha como fundamento uma lei britânica de 150 anos, foi garantida por decisão da Suprema Corte do país.

Agência Brasil

Moro vai levar integrantes da Lava Jato para o Ministério da Justiça

0

 

O juiz Sérgio Moro vai levar para o Ministério da Justiça integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato. O magistrado já avalia nomes ligados à Polícia Federal, que voltará a ficar sob o comando da pasta, e à Receita Federal.

Para colocar em prática a promessa de uma “agenda anticorrupção e anticrime”, Moro terá o maior orçamento da pasta nesta década. Serão R$ 4,798 bilhões em 2019, 47% a mais do que a dotação autorizada para este ano. Ao mesmo tempo, herdará um déficit de pessoal em órgãos como a Polícia Rodoviária Federal.

Na quinta-feira passada, o magistrado aceitou o convite do presidente eleito, Jair Bolsonaro, para integrar o futuro governo. Antes da oficialização do seu nome, Moro e Bolsonaro conversaram na sala da casa do deputado na Barra da Tijuca, no Rio.

Por meia hora, a discussão teve a participação do economista Paulo Guedes, que vai comandar o novo Ministério da Economia. Depois, por 40 minutos, Bolsonaro e Moro ficaram sozinhos discutindo pontos prioritários do governo. Após o encontro, em coletiva, Bolsonaro disse que eles estavam alinhados: “Chegamos a um acordo de 100% em tudo”.

Além de nomes da Polícia Federal e da Receita, o juiz tem afirmado a interlocutores que gostaria de contar com “um ou dois nomes” ligados ao Ministério Público Federal, mas admite que a participação de representantes desse braço da Lava Jato é “mais complicada” porque dependeria de exoneração de cargos.

Moro deve começar a analisar a estrutura do ministério assim que a equipe de transição começar a repassar os dados. Na terça-feira, ele concede a primeira entrevista coletiva para falar dos seus planos à frente da pasta.

Orçamento. Moro vai assumir uma pasta ampliada e com órgãos de combate à corrupção que estão atualmente em outros ministérios, como a PF e parte do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Por conta disso, ganhou também um orçamento mais robusto. Os R$ 4,7 bilhões que terá à disposição dizem respeito apenas a gastos discricionários, ou seja, despesas de custeio e investimento que poderão ser livremente administradas pelo chefe da pasta. Os valores não são comprometidos, por exemplo, com salários de servidores, inscritos na categoria de gasto obrigatório.

BN

“Pauta Bolsonaro” pode ir a votação antes de posse

0

 

A exemplo da reforma da Previdência, ao menos outras dez propostas de interesse do futuro governo de Jair Bolsonaro já estão em discussão no Congresso e podem ser levadas à votação antes mesmo da posse. Na lista estão desde temas que serviram de bandeira de campanha do presidente eleito a medidas econômicas que podem servir como ponto de partida para tentar aliviar as contas no início do seu mandato. As informações são do O Globo.

Pelas contas de parlamentares, há ainda quatro semanas “livres” para votações de alguns destes temas antes que o Congresso comece a se debruçar sobre o Orçamento de 2019, o que deve dominar a maior parte das sessões no fim do ano.

Nesta semana, duas destas propostas até chegaram a ser pautadas, na esteira da euforia causada pela eleição de Bolsonaro, mas não foram votadas. No Senado, manobra de partidos da oposição impediu que o senador Magno Malta (PR-ES) colocasse em votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) texto que altera a lei antiterrorismo para criminalizar atos de movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Malta, que não foi reeleito, é o relator da proposta.

Em outra frente, parlamentares do PT, PCdoB e PSOL na Câmara se organizaram para evitar a análise do projeto Escola sem Partido, que prevê uma série de medidas a serem adotadas em sala de aula contra o que defensores da ideia chamam de “doutrinação”. Uma nova sessão da comissão foi marcada para a semana que vem.

Também há a expectativa de que o Congresso se debruce ainda neste ano sobre outra bandeira do presidente eleito, a proposta que revoga o Estatuto do Desarmamento, flexibilizando regras como a compra e o porte de armas de fogo. Ainda na campanha, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), encampou a ideia de votá-la o quanto antes. A decisão é vista como um gesto do deputado aos aliados de Bolsonaro para ganhar apoio tendo em vista sua reeleição à Presidência da Casa, no ano que vem.

Previdência. Maia também está sendo pressionado a retomar a análise da reforma da Previdência que foi enviada pelo presidente Michel Temer ao Congresso. Aliados de Bolsonaro querem que a proposta seja votada ainda neste ano para que o próximo presidente não tenha que se desgastar politicamente com uma questão polêmica logo no início do seu mandato.

Eles avaliam também que, se a reforma fosse aprovada ainda em 2018, Bolsonaro enviaria uma mensagem de força sobre sua futura gestão. O impasse, no entanto, se dá pela falta de clareza sobre o sucesso da empreitada. A avaliação é de que, se a chance de derrota for considerável, é melhor deixar a questão para o ano que vem.

Para o presidente do PSL, o deputado eleito Luciano Bivar (PE), a flexibilização do Estatuto do Desarmamento é o que mais teria chances de ir adiante. “Esta discussão já está bastante avançada, principalmente com Maia”, disse. Ele afirmou, porém, que as reformas deveriam ser prioridade. “Temos outras pautas mais urgentes.”

A deputada eleita Bia Kicis (PRB-DF), que está de mudança para o PSL, avalia que seria importante para o próximo governo que estes projetos, mesmo que não completem a tramitação neste ano, já estejam engatilhados para serem votados logo no início do próximo governo. “E quero que esperem eu chegar lá para votar”, disse.

Economia. Na economia, além de encampar a votação de uma reforma da Previdência, o presidente eleito conta com propostas enviadas ao Congresso pelo Executivo e consideradas como imprescindíveis para tentar alcançar um ajuste de contas a partir do ano que vem.

Entre elas, estão o adiamento do reajuste dos servidores públicos de 2019 para 2020, a revisão do contrato da cessão onerosa da Petrobrás, que está para ser votada no Senado, e o projeto que estabelece novas regras para a devolução de imóveis comprados na planta, o chamado distrato. Só a MP do reajuste dos funcionários públicos poderia trazer uma economia de R$ 4,7 bilhões.

Agência Brasil

Ministro Sérgio Moro deve fortalecer os policiais, espera a categoria

0

 

A confirmação do juiz Sérgio Moro como novo ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro (PSL) agradou delegados da Polícia Federal. Na avaliação dos profissionais, o fato de Moro conhecer à fundo o sistema de Justiça Criminal e “as práticas complexas delitivas desvendadas ao longo das fases da Operação Lava Jato”, permitirá que realize uma maior integração entre os órgãos de prevenção e repressão.

Para a Associação de Delegados da Polícia Federal em São Paulo e de dois sindicatos que atuam na área (SINDPF-SP e SINDESP), o novo ministério da Justiça reflete um momento histórico em que mudanças reais podem ser esperadas na Justiça e na Segurança Pública. “Um passo adiante no combate à corrupção, que não pode retroceder em nosso país, já que se trata de mal endêmico que sofreu abalos com a Operação Lava Jato, mas que, mesmo assim, insiste em se manter ativo”, destacaram as entidades.

Na visão delas, o futuro ministro terá maior autonomia para operacionalizar ações que, de fato, imponham barreiras críveis no avanço da corrupção. “Moro terá sobre si a incumbência de exercer tal poder para atacar todas as nuances desse delito, através dos braços de um estado que, em si mesmo, está permeado desse mal e, por isso, poderá precisar cortar na própria carne”, acrescentaram.

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) concordou e disse que Moro é credenciado para a função por sua “carreira brilhante e atuação notável na Operação Lava Jato e em outras ações de combate ao crime organizado e à corrupção sistêmica”. “Esperamos que o novo Ministro da Justiça apoie medidas legislativas de fortalecimento e proteção da Polícia Federal contra influências do poder político e econômico e que sua gestão deixe como legado uma estrutura normativa e executiva pronta para que as instituições funcionem independentemente de quem estiver no comando da ocasião”, disse a nota da ADPF.

Agência Brasil

Prefeito de Sobradinho Luiz Vicente Berti concorre ao prêmio SEBRAE Prefeito Empreendedor

0

 

O Município de Sobradinho é finalista da categoria “Empreendedorismo na Escola” do prêmio SEBRAE Prefeito Empreendedor (PSPE), concorrendo com diversas cidades do Brasil.

O Prêmio SEBRAE empreendedor é um programa de reconhecimento aos prefeitos e administradores regionais que implantaram projetos com resultados comprovados, com foco no desenvolvimento dos pequenos negócios do município.

Serão premiados gestores que tenham implantado projetos com resultados comprovados de estímulo ao surgimento e ao desenvolvimento de pequenos negócios e à modernização da gestão pública.

Em Sobradinho existem histórias de alunos de escolas municipais que se espelharam em seus pais e receberam apoio e incentivo da gestão municipal para montarem seus próprios negócios e se tornarem empreendedores. Esses exemplos de envolvimento e senso ao empreendedorismo, contribuíram para que Sobradinho seja finalista do Prêmio SEBRAE Prefeito Empreendedor.

O Prefeito Luiz Vicente Berti falou do reconhecimento do trabalho que tem realizado e da satisfação de mais uma vez ser finalista do prêmio.

“É muito prazeroso ver que nossas lutas estão se tornando conquistas. Estar mais uma vez como município finalista deste prêmio, é um reconhecimento de que apoiamos e motivamos histórias empreendedoras e que temos uma gestão moderna. Aguardaremos com ansiedade a definição deste prêmio, mas só estar entre os finalistas já representa uma vitória. Continuaremos a trabalhar por nosso povo incansavelmente, construindo uma cidade cada vez mais bonita e com mais qualidade pra ser viver”, finalizou Luiz Vicente.

Ascom PMS

Justiça manda Haddad apagar vídeo em que chama Edir Macedo de fundamentalista charlatão

0

 

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou nesta semana que o ex-presidenciável petista Fernando Haddad deverá apagar de suas redes sociais um vídeo em que associa o bispo Edir Macedo a “fundamentalismo charlatão” e “fome de dinheiro”.

Pelas declarações, o líder da Igreja Universal do Reino de Deus entrou com dois processos contra o petista, um criminal e outro civil.

Caso descumpra a ordem judicial, Haddad deverá pagar multa diária de R$ 5.000. A assessoria do ex-candidato já disse que ele irá acatar a decisão —só não deletou o post por ainda não ter sido notificado.

No processo,  os advogados de Macedo destacam que Haddad compartilhou a entrevista na íntegra em suas redes sociais, maximizando seu alcance e gerando “comentários ofensivos disponíveis na publicação”.

O líder religioso e dono da Record acusa Haddad de difamá-lo ao descrever o adversário na corrida presidencial, Jair Bolsonaro (PSL), como “o casamento do neoliberalismo desalmado representado por Paulo Guedes” e o “fundamentalismo charlatão do Edir Macedo”.

“Sabe o que está por trás dessa aliança?”, questionou o petista em entrevista a jornalistas. “Chama em latim ‘auri sacra fames’. Fome de dinheiro Só pensam em dinheiro”.

No mesmo dia, a Universal divulgou em seu site uma nota de repúdio questionando por que, quando Macedo ficou ao lado do PT, “o apoio era muito bem-vindo”. Agora que seu candidato é outro, “o bispo deve ser ofendido de forma leviana?”. Edir Macedo apoiou Bolsonaro neste pleito.

O texto também questionou o contexto escolhido para “incitar uma guerra religiosa” ao fustigar “uma das maiores lideranças evangélicas do país”, tudo num “local sagrado a católicos, em pleno feriado católico”.

A fala de Haddad aconteceu após uma missa católica, no feriado de Nossa Senhora Aparecida. Evangélicos não creem em santos e refutam sua veneração.

Assim que o bispo recorreu à Justiça, a equipe do petista afirmou que ele está “convicto de que suas afirmações são verdadeiras e que os fatos e a história dos personagens envolvidos assim comprovam”.

 

Agência Brasil

“Sempre Aos Domingos”, por Sibelle Fonseca: O choro será livre

5

 

 

Foram difíceis e odiosos esses dias de eleições no Brasil. Chegou a ser exaustivo, adoecedor. Nas redes sociais, uma enxurrada de provocações, mentiras, xingamentos, troca de farpas e artilharia pesada. Quem não se indispôs, com pelo menos uma pessoa, ou passou a olhar mal para a outra, que atire a primeira pedra. Amigos se intrigaram, se agrediram, passaram a se conhecer melhor e deram de cara com diferenças gritantes. Velhos conhecidos cruzarão a calçada para não mais se baterem, adversários ficaram ainda mais raivosos e é certo que tem muita gente torcendo o nariz para alguém, olhando com desdém ou com ira mesmo. As mensagens de “Bom Dia” dos grupos de família do WhatsApp deram lugar a discussões ferrenhas e ofensas. Muitos membros saíram, outros foram expulsos e uma leva de grupos foram até desfeitos por excesso de raiva. Deixou um rastro devastador esse processo eleitoral. Fez um estrago grande. Uma semana após a vitória do candidato da extrema direita, cujo símbolo era uma arma em punho e a máxima que “violência se combate com violência”, defensor da tortura, o ódio ainda está instalado nas redes e nas rodas.

Eu me encaixo nos que andam torcendo o nariz pra muita gente, mas não tive grandes problemas com amigos não. Quase cem por cento deles eram do meu lado mesmo. De certo, que algumas pessoas pelas quais eu nutria uma consideração enorme, se revelaram tão feias que não as quero mais por perto. Mas até que não tive grandes surpresas, a despeito de uma meia dúzia de gays, lésbicas e outras mulheres, afetos meus, que pegaram o lado oposto ao da sua própria existência, e àqueles que eu já desconfiava do caráter mesmo.

Entre os meus amigos houve sintonia e isso me deixa muito orgulhosa do lado que escolhi. Havia amor, desejo de liberdade e justiça social, respeito às diferenças e nós fomos votar com um livro, com uma flor. Mais certa da minha posição fiquei, quando vi que estavam na mesma fila que a minha, Chico Buarque, Leonardo Boff, Caetano Veloso e Fernanda Montenegro, só para citar alguns. Mais orgulhosa ainda me senti, quando vi meus quatro filhos enfileirados também. Não tive dúvidas de que Jesus Cristo estaria ali também perfilado. As escrituras são testemunhas de que ele pregou o amor ao próximo, o perdão, a igualdade, a fraternidade, o livre arbítrio e a paz.

Não escondo que fiquei indignada quando vi uns pastores que eu até respeitava usando o nome de Deus para lastrear uma proposta tão sanguinária.

O ódio a um partido, pelo qual eu tenho mil e uma ressalvas e críticas, fez desabrochar muitos outros ódios contidos e algumas perversidades guardadas. Os homofóbicos pularam do armário, os racistas se assumiram, os machistas abriram as comportas, os que “preferem cheiro de cavalo, ao de gente” e que estavam putos porque pobre estava ascendendo, se manifestaram. Preferiram um governo com viés fascista, fazer o que? Destilaram muita ira e, inescrupulosos, partiram para o ataque pessoal. Eu mesma fui alvo de julgamentos odiosos. Para não me abalar, recorri a Leonardo Boff, que disse: “Chamaram-me com qualificativos que não os honram” (…) Se não entender o que alguém diz a seu respeito, tenha pelo menos misericórdia.”

Ter misericórdia é uma das minhas marcas. Eu tenho misericórdia de quem votou contra si mesmo. Mesmo sabendo que será uma raça de gente que nem eu, que vai pagar mais duramente essa conta. Somos nós, as mulheres, os negros, os indígenas, os LGBTS, os artistas, os pensadores, combatentes e indignados que vamos sofrer mais. Mas nós saberemos ser luta. Somos resilientes e sonhadores.

Volto a parafrasear Boff, quando lucidamente declarou: “Creio que agora a situação e tão dramática que precisamos de uma Arca de Noé onde todos possam nos abrigar abstraindo das diferentes extrações ideológicas para não sermos tragados pelo dilúvio da irracionalidade e das violências que poderão irromper a partir de uma liderança que tem como ídolo um torturador como Brilhante Ustra e admira Hitler, o criador dos campos de extermínio em massa de milhões de pessoas.”

Não é questão de torcer contra. O prognóstico é que é assustador. O mito, confesso despreparado para o posto, sequer disse o que pretende fazer, mas considerando o que escapuliu das suas declarações, sua índole é perigosa e mais ainda suas intenções. Suas medidas anunciadas já assustam.

Mas vamos lá pra 2019, ver no que se apostou. Quem sabe o tempo agora não seja o de aprender pela dor.

Eu estarei firme e forte na Arca de Noé, fortalecendo aqueles para os quais o choro do remorso será livre e ainda mais sentido que o meu.

Sibelle Fonseca é radialista, militante do jornalismo, pedagoga, feminista, conselheira da mulher, mãe de quatro filhos, cantora nas horas mais prazerosas, defensora dos direitos humanos e uma amante da vida e de gente.

 

 

 

Acidente na estrada que liga Pilão Arcado a Remanso mata duas pessoas

0

Na tarde deste sábado (3), dois homens morreram em um acidente entre os municípios de Pilão Arcado e Remanso. Segundo informações, o motorista tentou desviar de uma placa caída na estrada e perdeu o controle do veículo, o que provocou o capotamento.

O motorista e o carona morreram no local.

Da Redação

Técnicos de projetos apoiados pelo FIDA no Brasil participam de curso sobre Cooperativismo

0

 

Um grupo de 25 técnicos/as de projetos apoiados pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) no Brasil participaram entre os dia 23 a 26 desse mês, em Salvador-BA, de um Curso de Capacitação em Cooperativismo.

Com uma metodologia desenvolvida pelo Centro de Cooperativismo Uruguaio (CCU), o curso formou assessores especializados nesta temática que agora irão replicar os conhecimentos adquiridos em seus projetos de origem. Em diversos momentos do curso, os participantes se dividiram em grupos para análise de casos reais apresentados pelos próprios técnicos. As aulas foram ministradas por técnicos do CCU e consultores contratados pelo Semear Internacional,uma das organizadoras do evento.

Como parte desta metodologia, foram oferecidas oficinas ministradas pela técnica de Área do CCU, Andréa Politi, que abordou temas como: a cooperativa agrícola, caracterização e tipos cooperativos; a estrutura de uma cooperativa; componentes econômicos e sociais. O técnico de Área Rural do CCU, Hugo Licandro, conversou com os participantes sobre planejamento em cooperativas. Ainda foi ministrada dentro da programação uma oficina sobre planos de negócios cooperativos.

O desenvolvimento de cooperativas integra o conjunto de temáticas trabalhadas no Pró-Semiárido, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), órgão da Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR) cujos recursos são frutos de Acordo de Empréstimo entre o Governo da Bahia e o FIDA.

Para o engenheiro Agrônomo João Paulo Rodrigues, do Serviço Territorial de Apoio a Agricultura Familiar (SETAF), escritório de Jacobina-BA, o curso foi muito produtivo não só pela riqueza de conteúdos ministrados na área de cooperativismo, mas também por ter mostrado diferentes realidades vividas pelas cooperativas no Brasil e em outros países. João Paulo comentou sobre a necessidade das cooperativas brasileiras terem um novo tipo de gestão, voltando-se para a área social e não serem tão dependentes da venda de sua produção para os mercados institucionais. ”Precisamos desenvolver estratégias inovadoras, inclusive marketing, para que nossas cooperativas alcancem também mercados privados com mais competitividade e com produtos sempre de boa qualidade para o consumidor”, disse o  engenheiro.

A capacitação abordou ainda temas como empreendimentos em comum e ações associativas, critérios para a análise e avaliação de empreendimentos associativos, marco legal e tributário do cooperativismo agrícola na região Nordeste e no Brasil, estratégia do cooperativismo agrícola perante os desafios das mudanças de contexto, estratégias de fidelização e governança, entre outros.

O curso foi uma realização conjunta entre o FIDA, FIDA Mercosul, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Centro Cooperativista Uruguaio (CCU) e Semear Internacional. Participaram técnicos dos projetos Procase (Paraíba), Viva o Semiárido (Piauí), Pró-Semiárido (Bahia), Dom Távora (Sergipe), Paulo Freire (Ceará) e Dom Helder Câmara (presente em vários estados).

Agência Chocalho