Um grupo de professores que atua na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Ingridy Vitória, localizada no bairro Jardim Flórida, em Juazeiro, na região Norte da Bahia, entrou em contato com o Portal Preto no Branco para criticar a decisão da Secretaria Municipal de Educação (SEDUC) de prorrogar o calendário escolar apenas para a unidade. Segundo as profissionais, a medida não leva em consideração a realidade da escola, nem o percurso escolar das crianças ao longo do ano.
“Nós, professoras e equipe pedagógica da EMEI Ingridy Vitória, vimos, por meio desta nota, expressar nossa profunda indignação diante da decisão da Secretaria Municipal de Educação de prolongar os dias letivos para além do calendário escolar oficialmente estabelecido. Tal medida nos causa estranhamento e preocupação, pois não encontra fundamento pedagógico, legal ou humano que a justifique. Em primeiro lugar, ressaltamos que a grande maioria das crianças já frequentava outras unidades municipais desde o início do ano, tendo, portanto, cumprido integralmente sua carga horária letiva. A inauguração da nossa escola entre o final de maio e o início de junho não interrompeu nem prejudicou o processo educativo dessas crianças, que já estavam sendo atendidas pela rede normalmente”, afirma o grupo.
Os profissionais destacam ainda que, enquanto outras escolas tiveram recesso, a EMEI Ingridy Vitória seguiu em funcionamento.
“Além disso, salientamos que não houve recesso para esta unidade no período em que as demais escolas tiveram, justamente porque nossa escola estava em transição e organização. Portanto, estender o calendário escolar apenas para esta EMEI significa impor uma sobrecarga desnecessária às crianças e aos profissionais, que já cumprem sua jornada completa desde o início do ano letivo”, acrescentam.
O grupo ressalta também o desgaste físico e emocional dos profissionais neste período do ano.
“Enquanto educadoras e pedagogas, temos a responsabilidade ética de zelar pelo bem-estar integral das crianças. A creche em tempo integral exige rotina intensa, exigindo energia, estabilidade emocional e segurança. Neste momento do ano, tanto os alunos quanto a equipe encontram-se visivelmente exaustos, e prolongar o calendário, sem nenhuma justificativa pedagógica real, não traz qualquer benefício à criança, ao contrário: amplia o cansaço, aumenta o risco de adoecimento e compromete a qualidade do trabalho pedagógico”, reforçam.
Para os profissionais esta decisão “desrespeita todo o planejamento prévio da equipe escolar, elaborado com seriedade, antecedência e compromisso. Trata-se de uma mudança brusca que afeta diretamente as famílias, a rotina das crianças e a organização do trabalho docente”.
O grupo crítica ainda a falta de diálogo com a SEDUC.
“Registra-se, também, que tentamos diálogo com a Secretaria de Educação de forma respeitosa e pacífica, na busca de esclarecimentos e de uma solução sensata. Infelizmente, não obtivemos retorno, o que agrava ainda mais nossa preocupação e nos deixa sem respostas diante de uma determinação que não dialoga com a realidade da educação infantil, nem com as necessidades das crianças”, afirmam.
Os educadores finalizam solicitando que os argumentos sejam levados em consideração e que o calendário não seja alterado.
“Diante disso, reafirmamos nossa indignação e solicitamos que a SEDUC reconsidere urgentemente a decisão de prorrogar o calendário, garantindo o respeito ao bem-estar das crianças, à legislação vigente da educação infantil e às condições de trabalho da equipe escolar. A educação infantil exige cuidado, sensibilidade e responsabilidade.
E decisões tomadas sem diálogo e sem fundamento pedagógico produzem impactos sérios e injustos”.
O Portal Preto no Branco entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação em busca de esclarecimentos. Em nota, SEDUC informou que “a unidade escolar citada na nota iniciou as suas atividades em maio de 2025. Na ocasião, apenas 18 das 52 crianças matriculadas já estavam estudando em outras unidades. Neste sentido, faz-se necessária a prorrogação das atividades letivas, a fim de garantir aos estudantes o cumprimento dos 200 dias letivos previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. A Seduc reforça, ainda, que todos os direitos das crianças, professores e demais servidores serão garantidos. Qualquer cidadão pode encaminhar suas reclamações, críticas ou sugestões pelos canais oficiais da Ouvidoria da Prefeitura de Juazeiro. Fale com quem resolve: 74 98846 0016 ou pelo e-mail ouvidoria@juazeiro.ba.gov.br”.
Redação PNB