
Tatiana Lozano Pereira , uma mãe de 32 anos, gerente de supermercado em Cravinhos, no interior de São Paulo, matou o próprio filho, Itaberli Lozano Rosa, de 17 anos a facadas. Ela confessou o crime.
Para assassinar o filho Tatiana contou com a ajuda do companheiro, o padrasto de Itaberli, que levou o corpo até um canavial e depois colocou fogo no local. À Polícia Civil, Tatiana Lozano Pereira afirmou que o filho tinha envolvimento com drogas e teria ameaçado a ela e ao padrasto, Alex Pereira, bem como ao filho de quatro anos do casal.
Mas esta versão é negada por familiares que sustentam que o crime bárbaro foi motivado pela homofobia. Eles afirmam que a mãe não aceitava a orientação sexual do filho. “A família desconfiava, alguns sabiam mesmo, mas ela nunca aceitou. Ele tinha emprego, era muito educado, nunca brigou com ninguém. Só tinha problemas com a mãe, que não aceitava que ele era homossexual”, disse à polícia um tio do garoto.
Tatiana e o companheiro estão presos e foram indiciados por homicídio doloso, quando há intenção de matar, duplamente qualificado, por motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima, além de ocultação de cadáver. Se condenados, estão sujeitos a uma pena que pode chegar a 33 anos de prisão.
Itaberli, morava com a avó paterna e foi morto em 29 de dezembro durante uma visita que fez à mãe. O corpo dele foi encontrado pela polícia no último sábado (7), dois dias antes da avô do adolescente registrar um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento. Segundo a Polícia Civil, ela confessou o crime na quarta-feira (11). Esta história trágica chocou o país e foi assunto na imprensa e redes sociais.

O Portal Preto No Branco ouviu uma mãe que diz “ter o privilégio de ter um filho gay”. Ela mora em Petrolina (PE) e luta contra a homofobia “Sou Magnólia Marins e tenho muito orgulho de ter um filho gay. Para mim é uma benção, um privilégio de Deus ter me escolhido para ser essa mãe. E é isso que tento passar para todas as mães com as quais converso. Não é um defeito nosso. Nossos filhos não são aberrações. Eles são frutos de muito amor, carinho e respeito. Este fato que ganhou repercussão internacional é incabível e deve servir para acordarmos e enfrentarmos a crueldade que a sociedade e as famílias praticam, todos os dias, com os homossexuais” , declarou Magnólia.
Magnólia Marins é Presidenta da primeira associação legalizada de Petrolina: ADPE – Associação da Diversidade de Petrolina ” Sou mãe de um deles e sou militante na causa LGBT. No dia do fato, eu fiquei muito chocada com a notícia. Porque uma mãe que gera um filho durante nove meses, o alimenta com o seu sangue e, por algum motivo, seja por preconceito, seja por falta de amor, seja porque ela está em outro relacionamento, coloca ele a cima do amor pelo seu filho e comete um ato tão cruel quanto esse? De torturar seu filho, matá-lo de forma tão cruel ? Isso é triste, mas é a nossa realidade”, indagou Magnólia.
Magnólia Marins é uma mãe que abraçou a luta contra a homofobia e a transfobia. ” Venho nessa militância desde 2008 e já temos colocando na cidade de Petrolina algumas ações. Desfilamos no 21 de setembro com a associação sertão, onde a sociedade foi despertada a perceber que a comunidade LGBT merece respeito e visibilidade. Trazer os pais e as mães para nossa luta é complicado. Nós vemos aqui em Petrolina e Juazeiro vários casos como esse. Recebo relato todos os dias de homossexuais que falam de suas relações com a família. Muitos que querem se suicidar, sair de casa e pedem um apoio. O nosso trabalho é conscientiza-los sobre a necessidade de se integrarem a sociedade, de se auto-identificarem como homossexuais e conversarem com suas famílias”, relata a mãe.
Magnólia é quase sozinha nesta luta e, ainda assim tenta também sensibilizar as famílias que não aceitam a orientação sexual dos filhos “Eu vou conversar com as famílias quando nos dão essa abertura, mas a intolerância e o preconceito são muito grandes. Eu digo sempre que o preconceito parte da necessidade que muitos têm de dar satisfação ao vizinho, a sociedade. Até nos culpamos por ter um filho gay, lésbica, trans, travesti. O mais importante é o amor e a gente tem que lutar contra o preconceito. Nós é que temos que “sair do armário” realmente e mostrar que temos orgulho dos nossos filhos, que estamos aqui para defendê-los. E esta luta deve ser constante, 24 horas para apoiá-los, para que eles sejam felizes”, conclamou Magnólia.

Nesta reportagem especial, nós ouvimos também a psicóloga Marina Fonseca, mestranda na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que a pedido da nossa produção, fez uma leitura do caso em questão e nos disse que é impossível apontar uma causa que justifique o crime cometido por uma mãe que assassina o filho, alegando não suportar sua homossexualidade.


