“Não somos contra a abordagem, desde que ela seja correta”, diz ativista cultural sobre ação de policiais da Rondesp/Juazeiro (BA)

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Na manhã de ontem(4) uma nota do Compir – Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial denunciou o que chamou de “abordagem violenta por parte da Polícia Militar”, contra José Rosa, presidente do bloco Filhos de Zaze, também representante da área de cultura no Conselho, e seu filho. De acordo com a denúncia, o fato aconteceu no bairro Kidé, no último dia 23 de março, quando o filho do ativista cultural foi abordado por policiais da Rondesp a poucos metros de sua casa. Ao ver a abordagem, José Rosa procurou um dos policiais e avisou que se tratava do seu filho e que ele morava ali. José Rosa, que estava em frente ao portão de sua casa, recebeu uma ordem do policial para “calar a boca.” Segundo conta José Rosa, o policial que realizava a revista em seu filho apertou os braços do rapaz para trás, curvando seu corpo e afirmando que ele estava sofrendo aquilo porque “o seu pai havia interferido na revista”, inclusive dizendo que o garoto agradecesse “ao pai por isso”.

Diante da insistência de José Rosa para que soltassem seu filho, os policiais ameaçaram José Rosa de prisão e de invasão ao seu domicílio. Ele afirma também que ficou na mira de uma arma engatilhada várias vezes e foi xingado, além de ter o portão de casa danificado com as batidas de um dos policiais. O caso foi denunciado à Delegacia de Juazeiro e ao Ministério Público.

Nossa reportagem conversou hoje (5) com José Rosa. Ainda indignado com a situação, ele disse que sempre respeitou e confiou na Polícia Militar e jamais esperava que um dia fosse uma vítima da corporação.”Eu não sou contra a abordagem policial, mas desde que ela seja correta, cidadã. Nós somos cidadãos de bem e não fomos tratados assim por aqueles policiais. Meu filho tinha acabado de sair de uma reunião que aconteceu na minha casa com integrantes da quadrilha “Buscapé”, para levar um casal até em casa, exatamente por uma questão de segurança. E na volta ser vítima de uma ação violenta logo da polícia? Eu apenas tentei dialogar com os policiais e em troca, fiquei na mira de uma arma e fui xingado, aos gritos, sendo constrangido perante meus vizinhos e minha família. Espero que o Comandante adote as providências cabíveis”, desabafou João Rosa.

Outras denúncias de abordagem violenta por parte de policias militares do CPRN também foram publicadas pelo Preto No Branco. Durante o carnaval de Juazeiro, em fevereiro passado, a família da Professora Neide Tomaz denunciou uma agressão sofrida no circuito da festa. Ainda durante o carnaval, a comunidade do Salitre também denunciou uma ação abusiva de Pms. Segundo a nota do Compir, a entidade está recebendo várias queixas dessa natureza e as principais vítimas são pessoas negras, o que se configura em uma ação seletiva contra esse segmento majoritário da população juazeirense.

Desde a manhã de ontem(4) encaminhamos um pedido de resposta ao Comando de Policiamento Regional Norte, mas até agora não obtivemos esclarecimentos sobre a nova denúncia de violência policial em Juazeiro(BA)

Da Redação

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