Congresso eleito tem perfil conservador e mais partidos

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BIE - Banco de imagens externas - Amanhecer no Congresso Nacional. O Congresso Nacional é o órgão constitucional que exerce, no âmbito federal, as funções do Poder Legislativo, quais sejam, elaborar/aprovar leis e fiscalizar o Estado Brasileiro (suas duas funções típicas), bem como administrar e julgar (funções atípicas). O Congresso Nacional é bicameral, sendo composto por duas Casas: o Senado Federal, integrado por 81 senadores, que representam as 27 unidades federativas (26 estados e o Distrito Federal), e a Câmara dos Deputados, integrada por 513 deputados federais, que representam o povo. Foto: Pedro França/Agência Senado

Com um total de 30 partidos representados, o novo Congresso Nacional é o mais fragmentado em décadas. A renovação reforçou a presença de partidos mais à direita na Câmara e no Senado. Dezenas de candidatos do até então nanico PSL, do presidenciável Jair Bolsonaro, tomaram o lugar de deputados do PSDB e MDB, alguns dos partidos que mais encolheram. Quem vencer a eleição presidencial, Bolsonaro ou Fernando Haddad (PT), terá um desafio maior que o imposto à ex-presidente Dilma Rousseff em 2014, quando, ao ser reeleita, precisou lidar com 25 partidos.

Além das agremiações ligadas a Bolsonaro, outros partidos de perfil de centro-direita, como o DEM e o PRB, também estão entre os que aumentaram de maneira significativa suas bancadas. Apenas o PDT, com perfil de centro-esquerda, aparece como exceção entre os que mais cresceram. Menos da metade dos deputados que tentaram a reeleição obtiveram sucesso. Somente o PRTB desapareceu por completo – em 2014, havia elegido um deputado federal.

(foto: reprodução)

Entre os deputados novatos estão representantes da bancada da bala, ativistas conservadores, membros de forças de segurança e pastores evangélicos. O número de policiais eleitos chegou a 14. Em 2006, eram seis.

Em cinco estados, o PSL apareceu como a sigla do deputado federal mais votado. Em São Paulo, dos dez deputados federais que mais receberam votos, sete têm perfil conservador, entre eles estão um dos filhos de Bolsonaro e o líder do Movimento Brasil Livre (MBL).

A onda a favor de Bolsonaro (PSL) foi o principal fator impulsionador de mudanças na composição do Congresso Nacional. O partido do militar, até então um nanico, tornou-se o segundo maior da Câmara, pulando de apenas um deputado eleito em 2014 para 52.

O PT ainda segue com a maior bancada, apesar de ter perdido cadeiras. Na eleição passada, o partido elegeu 69. Neste ano foram 56.

Dança das cadeiras
Estreante na corrida eleitoral, o Partido Novo, registrado pelo Tribunal Superior Eleitoral em 2015, alcançou oito cadeiras, o que garante participação de seus candidatos majoritários em debates eleitorais nas próximas eleições, caso a legislação permaneça como está.

Tradicionalmente entre as maiores bancadas, MDB e PSDB perderam tamanho e tornaram-se legendas médias na Câmara. O MDB, partido do atual presidente Michel Temer, sofreu o maior revés. A sigla viu sumir quase metade do espaço que obteve em 2014, quando elegeu 65 deputados. Nos próximos quatro anos, contará com 34 parlamentares.

O PSDB, que elegeu apenas 30 deputados, caiu da posição de terceira maior bancada eleita em 2014 para a nona – culpa também da inexpressiva votação de seu presidenciável, Geraldo Alckmin. Na eleição passada, o tucano Aécio Neves disputou o segundo turno com Dilma Rousseff e perdeu por uma diferença
de cerca de 3,5 milhões de votos.

O bloco de partidos que forma o núcleo do Centrão – PP, DEM, PR, PRB e Solidariedade – encolheu 22 parlamentares em relação à sua composição atual, mas alcançou uma ampliação de 13 parlamentares – o equivalente a 10% a mais – em comparação com a eleição de 2014.

Senado
No Senado, os novatos devem dominar a cena. Contrariando as pesquisas de intenção de votos, a eleição para renovação do mandato de 54 senadores, marcada pela Operação Lava-Jato, retirou da Casa medalhões dos partidos tradicionais que tentaram se reeleger, incluindo o próprio presidente do Congresso, Eunício Oliveira (MDB-CE).

O MDB continua com a maior bancada da Casa. Mas o partido, que iniciou a sessão legislativa em fevereiro de 2015 com 19 representantes (23,45% do total), deve começar 2019 com apenas 12 senadores (14,81%). Em seguida aparecem PSDB, com 8 senadores (9,87%); PSD, com 7 senadores (8,64%); DEM, com 6 senadores (7,40%); e PT, com 6 parlamentares (7,40%).

Das cinco maiores bancadas que devem começar a sessão legislativa de 2019, três perderam parlamentares em relação a 2015. O PT sofreu o maior revés: uma queda de 13 para 6 senadores (-53,84%). O DEM cresceu de 5 para 6 senadores (um aumento de 20%), enquanto a representação do PSD saltou de 4 para 7 (+75%).

Assim como aconteceu na Câmara, o resultado das urnas aponta para uma pulverização de partidos. A Casa começa a próxima sessão legislativa com 21 legendas. Em 2015, eram 15.

Com base na cláusula de barreira, que prevê um desempenho mínimo para os partidos, pelo menos 13 devem deixar de receber o fundo partidário a partir do próximo ano.

Correio da Bahia

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