Apami em crise: diretoria diz que recursos de emendas parlamentares não foram repassados à instituição, que sofre com falta de medicamentos

(foto: reprodução/internet)

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) de Pernambuco e a direção do Centro de Oncologia da Associação Petrolinense de Amparo à Maternidade e à Infância (Apami) se manifestaram sobre a atual situação da unidade de saúde, que foi alvo de um protesto nesta quinta-feira (28). Mães de pacientes oncológicos atendidos pela APAMI reclamam da falta de medicamentos para tratamentos importantes, como quimioterapia, conforme mostrado em reportagem publicada pelo PNB na última terça-feira (26), trazendo o depoimento de Simone Tavares, mãe de Gabriel, de 11 anos, que há nove meses luta contra uma Leucemia Linfóide Aguda.

De acordo com Simone, em conversa com o portal Preto no Branco, há cerca de dois meses a instituição apresentou os primeiros sinais de que o estoque da medicação para os tratamentos de Quimioterapia estava comprometido. Alguns pacientes adultos deixaram de receber os medicamentos, e o tratamento das crianças foi priorizado. Entretanto, recentemente, os pacientes infantis da Apami também começaram a ser afetados, tendo em vista a escassez da medicação.

Gabriel, filho de Simone, recebeu o diagnóstico da doença em maio de 2018. Ele necessita tomar uma medicação quimioterápica, “Asparaginase”, imprescindível para o alcance da cura, como aponta o laudo médico. Deveriam ser aplicadas 9 ampolas ao longo desses 9 meses de tratamento. Entretanto, na penúltima sessão de internamento de Gabriel em 7 de janeiro, a medicação não foi aplicada pois estava em falta. Na última, realizada no último dia 8 de fevereiro, a criança também não foi medicada. Ou seja, parte do tratamento foi interrompido por falta de reposição do estoque – leia a matéria na íntegra.

A manifestação desta quinta se concentrou na APAMI e seguiu em direção à Ponte Presidente Dutra. As mães cobram da Secretaria de Saúde e do Governo Federal, o repasse de verbas para reposição do estoque de medicamentos.

A Diretoria da Apami afirmou que recursos de emendas parlamentares, que somam mais de R$5 milhões, não foram repassados para a instituição, e que a aprovação da habilitação do Hospital Dom Tomás como UNACON não foi concretizado, o que prejudica os repasses. Veja na íntegra:

Nota da APAMI

Os recursos das emendas parlamentares do Senador Fernando Bezerra Coelho e do Deputado Adalberto Cavalcanti, totalizando R$ 5.500.000,00, depositados na conta do Estado de Pernambuco em abril de 2016, destinados ao Hospital Dom Tomás, até hoje não foram repassados à instituição. Referidos recursos poderiam ter sido absorvidos pelo Estado, desde que o valor correspondente tivesse sido destinado à Apami, o que não ocorreu.

A aprovação da habilitação do Hospital Dom Tomás como UNACON, assinada pelo Ministro Gilberto Occhi em novembro de 2018, e que teria contratualização prometida pelo estado até dezembro de 2018, não foi concretizado. Esse atraso prejudica o recebimento dos recursos anunciados e de outras dotações orçamentárias necessárias para o bom funcionamento do serviço.

Através de nota. publicada pelo G1, a Secretaria de Saúde se manifestou afirmando que os medicamentos em falta não fazem parte da lista fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Veja na íntegra:

Nota da Secretaria de Saúde:

Em relação aos medicamentos citados, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informa que os fármacos não fazem parte do rol dos medicamentos fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A SES esclarece ainda que vem mantendo a regularidade nos repasses feitos para Centro de Oncologia de Petrolina. É importante destacar que o Hospital Dom Tomás foi habilitado, no fim do ano passado, pelo Ministério da Saúde como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon). Dessa forma, a unidade passará a prestar serviços aos SUS e receberá, anualmente, recursos federais destinados à assistência de pacientes oncológicos residentes no sertão pernambucano e cidades da Bahia. O credenciamento junto à SES já está em andamento. Após a finalização do processo, a SES poderá realizar esse novo tipo de repasse de forma direta.

Apesar disso, nenhum dos órgãos informou quando a situação da instituição, que atende pacientes de cerca de 70 municípios de Pernambuco, Bahia e Piauí, deve se regularizar.

Da Redação

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