
Todo ano a polêmica se repete. De um lado, espadeiros e amantes da tradição de mais de 70 anos em Senhor do Bonfim, resistem e defendem a manutenção da Guerra de Espadas; De outro, o Ministério Público criminaliza a tradição e proíbe a manifestação cultural.
Entra São João e sai São João e não se chega a um consenso razoável. De longe, e sem o menor envolvimento com a tradição bonfinense, as autoridades assinam pela proibição e ponto. Isso até enfraquece a Guerra de Espadas, mas ela não deixa de acontecer. Nos anos anteriores, mesmo sendo proibida, a Guerra aconteceu sob aplausos dos defensores da manifestação cultural, que iluminam a cidade com fogos de artifício, semelhantes a pequenos foguetes, utilizados como espadas.
Uma decisão do ministro Luiz Fux, presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), repetiu uma medida da ministra Carmen Lúcia, tomada em maio de 2018, que fala sobre o risco de morte dos praticantes da Guerra de Espadas, em Senhor do Bonfim, norte da Bahia.
Alegando que a proibição prejudica a economia do município, porque implica diretamente na redução das receitas e na diminuição do turismo no período dos festejos juninos na cidade, a Prefeitura de Senhor do Bonfim entrou com um pedido de suspensão da liminar, mas o ministro Fux entendeu que há ausência de plausibilidade na alegação. A mesma avaliação já havia sido feita pela ministra Carmen Lúcia no ano passado.
No começo deste mês, a decisão de proibir a guerra de espadas já havia sido recomendada pelo Ministério Público Estadual da Bahia (MP-BA). A competição com fogos de artifício foi suspensa pelo terceiro ano seguido. Em 2003 foi instituído o Estatuto do Desarmamento e a proibição da guerra de espadas se baseou no Artigo 16, que trata da posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Desde então, o Ministério Público acompanha a situação da guerra de espadas.
A partir de 2015, o órgão estadual expediu recomendações com restrições sobre as espadas. A proibição da tradicional “Guerra de Espadas” já havia sido determinada pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) em 2017, após ser considerado um pedido feito pelo MP-BA.
Já em 2018, o Ministério Público Estadual recomendou ao município de Senhor do Bonfim, que não promova ou coopere com a soltura da Guerra de Espadas.



