“Centenas de famílias estão na rua após despejos violentos em acampamentos do MST”, diz CPT de Juazeiro

4

[new_royalslider id=”178″]

(Fotos CPT)

Em nota enviado ao PNB, a Comissão Pastoral da Terra de Juazeiro-BA  repudiou à decisão judicial que determinou a reintegração de posse dos acampamentos Abril Vermelho, Irmã Dorothy e Iranir de Souza. A CPT também criticou a ação da Polícia Federal, que segundo ela, agiu de forma violenta e repressora.

No texto a comissão também manifestou solidariedade aos trabalhadores atingidos pelos despejos. A ação ocorreu na madrugada desta segunda-feira (25), e o Mandado de Reintegração de Posse foi impetrado pela Codevasf – Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba, detentora das terras do perímetro irrigado.

Veja a nota da CPT na íntegra:

 

Bombas de gás, spray de pimenta, casas destruídas, trabalhadores feridos e cerca de 700 famílias sem ter para onde ir. Essa é a situação dos acampamentos Abril Vermelho, no Projeto Salitre, em Juazeiro, Irmã Dorothy e Iranir de Souza, no Projeto Nilo Coelho, em Casa Nova (BA). Os despejos violentos realizados pela Polícia Federal, que tiveram início na madrugada de hoje (25), cumprem mandados de reintegração de posse em favor da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

Em Juazeiro, os/as integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupavam a área desde 2012. No local, há uma produção diversificada da agricultura familiar. “Aqui sustentava pra mais de duas mil pessoas, o projeto é grande, tem banana, coco, tem todo tipo de fruta. A gente alimentava o Ceasa, e o que a gente faz aqui dentro alimentava também a mesa de quem tá fazendo isso aí [destruindo o acampamento]”, desabafa o acampado Francisco Nascimento.

De acordo com os acampados/as, o despejo começou por volta das 5h. “Começaram a soltar a bomba de gás, muita criança desmaiou, velhos também desmaiaram, um companheiro foi atingido na cabeça e foi para o hospital”, relata Francisco. No local, há grande presença das polícias Federal e Militar, inclusive sobrevoando a área. Durante a manhã, a via que dá acesso ao acampamento Abril Vermelho estava bloqueada pela Polícia Militar, que impedia qualquer veículo de passar, até mesmo a imprensa.

“Isso é muita crueldade, os alunos, os sem terrinhas, as crianças aqui do acampamento [Abril Vermelho], algumas ainda dormindo, acordaram sem ar por conta da fumaça que foi muito grande”, comenta a professora e liderança do MST Socorro Varela. O clima nos acampamentos é de muita tristeza, horror e destruição. “A gente está triste, com o coração abatido, com o coração triste mesmo, vontade de chorar. Não temos lugar pra ir, estamos na mão de Deus”, diz um dos despejados.

Diante de toda essa violência e repressão do Estado, que está aliado aos interesses dos projetos do capital, os/as acampados afirmam que vão resistir. “O povo lutador não vai se calar, nós vamos ter nossa terra porque nós vamos continuar buscando e precisamos da nossa terra. A gente sabe que aqui o agronegócio fortalece os órgãos públicos e assim existe uma parceria entre eles”, destaca Socorro. A professora acrescenta ainda que “o povo do acampamento Abril Vermelho pede justiça, terra, água, energia, escola e vida digna para os trabalhadores/as”.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) reitera o repúdio à decisão judicial que determinou a reintegração de posse dos acampamentos Abril Vermelho, Irmã Dorothy e Iranir de Souza, e manifesta solidariedade aos trabalhadores/as atingidos pelos despejos.


“Bem aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, que deles é o reino dos céus” Mateus (5, 10).
CPT Juazeiro

4 COMENTÁRIOS

  1. A terra é de quem dela precisa. É um direito sagrado. Lamento profundamente uma ação covarde desta junto aos trabalhadores. Infelizmente os representantes dos órgãos de defesa sempre estão ao lado do favorecimemto do opressor.

  2. As policias, as milicias e o poder público sempre estiveram ao lado dos poderosos. O que mais dói é saber que uma parcela grande de pobres votaram nestes fascistas, pendando que seriam beneficiados e deram com os burros n’agua, ,

Deixe um comentário para Valter venancio Cancelar resposta

Comentar
Seu nome