“No sol quente eu não fico”: Impedidos de ter acesso a sala de recepção da UPA/Juazeiro acompanhantes de pacientes adotam um “jeitinho brasileiro” de driblar a norma

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(Foto: PNB)

Em outubro deste ano, a equipe do PNB flagrou a total falta de estrutura e o desrespeito com os acompanhantes de pacientes que buscam atendimento na Unidade de Pronto Atendimento de Juazeiro-BA. Desde as as mudanças implementadas no redimensionamento e qualificação da rede municipal de urgência e emergência, os acompanhantes estão sendo impedidos de aguardar na sala de recepção da unidade, como acontecia anteriormente.

Nossa equipe de reportagem esteve no local e presenciou pessoas aguardando por horas do lado de fora da unidade, sem nenhuma acomodação, sob o sol quente, sem acesso a banheiro ou a um bebedouro.

“A recepção vazia e a gente aqui nesta humilhação, na porta esperando nossos familiares, como cachorros. Antes os acompanhantes ficavam lá esperando e não havia tumulto não. Mudaram pra pior. Não sei de onde tiraram essa ideia infeliz. A UPA precisa é de mais médicos, não é deste tipo de mudança não. Me sinto humilhada. É revoltante”, desabafou uma mãe que esperava pelo filho doente.

Na ocasião, a SESAU de Juazeiro informou que após as mudanças realizadas em setembro nas portas de entradas de urgência e emergência da UPA, algumas medidas foram tomadas para diminuir o número de pessoas que não necessitavam de atendimento dentro da unidade “e, assim, oferecer mais conforto aos pacientes”.  O órgão informou ainda que no local foi instalada uma proteção de caráter provisório “e um projeto foi feito para construção de um abrigo para os acompanhantes na área externa”.

Veja a matéria:

Falta de humanização: Acompanhantes de pacientes da UPA/Juazeiro esperam do lado de fora, no sol, e reclamam

Dois meses se passaram e a situação continua a mesma e as reclamações só aumentam. Na manhã desta quinta-feira (12), voltamos a unidade e registramos mais queixas dos acompanhantes, que não se conformam com a mudança que classificam como “desumana”.

“Estou aqui desde cedo acompanhando meu pai. Já é quase meio dia, um calor insuportável e eu aqui neste mal trato. Por que não deixaram pra fazer esta mudança, quando o local fosse construído? Jogar a gente assim, é desumano”, reclamou a filha do paciente.

E reclamações como esta se repetiram. De novidade, obtivemos uma informação. Para driblar a situação, e ter acesso a sala de recepção com o paciente, alguns acompanhantes estão fazendo a ficha como se também precisassem de atendimento. Assim que o verdadeiro paciente é liberado, eles deixam a unidade.

“Muita gente está se passando por doente, faz a ficha dizendo que “tá” passando mal, só para ter o direito de acompanhar seu familiar na hora da dor e ficar com ele enquanto espera o médico. É errado, mas é um jeito de ficar perto e dar apoio. Quando o médico libera o doente, o acompanhante vai embora. Errado mesmo é deixar os acompanhantes no sol, sem banco para sentar, e sem poder ficar com a pessoa que “tá” sofrendo. Se fosse um filho, um pai, uma mãe, passando mal, você deixaria? questionou outra entrevistada ao PNB.

Outra acompanhante, que conversou com o PNB, confessou que já usou deste expediente para acompanhar a filha de 20 anos, numa crise renal.

“Eu mesma já fiz ficha só para acompanhar minha filha. Fiz e faço, mas no sol quente eu não fico e nem deixo uma filha, ou qualquer pessoa minha, sofrendo sozinha, sem eu poder tá perto, acompanhando até a hora de entrar pra sala do médico, pelo menos. Eles não querem é que a gente preste atenção no atendimento”, declarou a mãe.

Em contato com o PNB, a Sesau reforçou que, como propõe o Ministério da Saúde, apenas os acompanhantes de crianças e adolescentes menores de 18 anos, pessoas com deficiência e idosos com 60 anos ou mais, podem adentrar a unidade. O órgão declarou ainda que a construção do abrigo para os acompanhantes na área externa está em andamento e que a previsão de término é em janeiro de 2020.

Oxalá!

 

Da Redação

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