Especial: “Subestimamos o Coronavírus, também fizemos piadas”, relata ao PNB, bonfinense que mora na Itália

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Hoje (17), a redação do PNB conversou com Karina Lopez, bonfinense, que reside há 18 anos em Treviso, na Itália, sobre a gravidade do novo coronavírus e o enfrentamento da doença no país. Lá, até as últimas atualizações da Defesa Civil, já foram registrados 26 mil e 62 casos ativos de infecções e 2. 503 óbitos, sendo 345 vítimas, em apenas 24 horas.

Karina, que mora com o marido, um filho de 9 anos e outro de quase três, contou que por conta da pandemia, está em quarentena com a família desde o último dia 24 de fevereiro.

“As crianças estão fazendo as atividades pelo computador. As professoras enviam todos os dias o dobro de tarefas pelos grupos de aplicativo de mensagem, a fim de que os alunos não esqueçam o que já foi ensinado. Já ouvimos que a situação vai continuar assim até maio, e isso é o que nos preocupa também, pois as pessoas estão querendo voltar a rotina. Mas o que prevalece aqui é o medo de ser infectado. As polícias estão passando diariamente e multando as pessoas que estão saindo sem autorização. As ruas estão desertas. Este vírus mudou toda a rotina dos italianos, que já têm a tradição de se reunir e se encontrar com a família todo domingo, e isto não está mais acontecendo. As pessoas só podem sair se for algo urgente, e com um certificado. Para fazer alguma atividade física ao ar livre ou levar o cachorro para passear, por exemplo, é necessário que a pessoa vá sozinha e também com o certificado autorizando. Hoje resolvi sair um poucos com as crianças e encontrei com algumas poucas pessoas e é estranha a sensação de ter que ficar distante, porque qualquer pessoa pode ter o vírus. Não fiquemos em pânico, mas também não vamos baixar a guarda. Estou vendo a cada dia relatos sobre funerárias que não estão conseguindo atender a grande demanda”, contou.

De acordo com ela, diferente de outros países, na Itália muitos exames são realizados. “Até o momento já foram feitos 137. 952 testes, e por isso estes números crescentes”, avaliou. Karina também falou sobre as medidas de segurança que estão sendo adotadas no país.

“Eu acredito que nenhum país está pronto para uma epidemia. Nenhum país tem milhares de UTI’s. Em Roma construíram, em duas semanas, um hospital só para receber pacientes com coronavírus. Em Milão estão terminando de construir outro hospital de apoio para tratamento da doença, e aqui em minha cidade transformaram outros departamentos de hospitais em UTI’s. A gente está fazendo tudo o que pode. Meus sogros moram embaixo da minha residência, e a gente está evitando o máximo de contato com eles também. Apenas os supermercados e farmácias estão abertos, as outras atividades foram suspensas até o dia 3 de abril, até segunda ordem. Além disto, as pessoas que precisam continuar trabalhando e saindo de casa, estão respeitando as medidas de prevenção”, acrescentou.

A brasileira também chamou a atenção para o sentimento de solidariedade que é cada vez mais crescente entre os italianos.

“Muita gente está se oferecendo como voluntário para ajudar as pessoas que não têm condições para ir ao supermercado, claro que tomando todas as medidas de segurança. Além disto, os donos de pizzarias estão levando pizzas para as equipes médicas que estão trabalhando incansavelmente. As pessoas também estão fazendo doações para os hospitais para compras de medicamentos e equipamentos. Então, é muito difícil não se emocionar com toda esta mobilização”, informou.

Ainda sobre os impactos do novo coronavírus na rotina dos italianos, ela disse que apesar do avanço e dos números de contaminados e mortes, no país não há histeria. “Meu marido trabalha no setor alimentar e está trabalhando dobrado esse período. Mas as pessoas estão tranquilas, não estão comprando grandes quantidades de alimentos e nem preocupadas com a escassez. Não está faltando nada nos supermercados”, afirmou.

Com familiares e amigos em Senhor do Bonfim e Juazeiro, cidades do norte da Bahia, Karina também falou sobre a preocupação com o avanço do novo coronavírus no Brasil.

“Eu estou sendo bombardeada de mensagens. Meus familiares e amigos estão preocupados comigo. Estou o tempo todo nesta tensão, tentando ficar calma e não passar essa angústia para os meus filhos. Eu também estou muito preocupada com os meus amigos e familiares que estão no Brasil, pois nós também fomos pegos de surpresa aqui na Itália. Assim como aí, o coronavírus chegou muito de leve e a gente não acreditou que chegaria a este ponto. Então, subestimamos o vírus, também fizemos piadas. Mas agora não é mais hora de fazer piada, é hora de levar a sério, de tomar medidas preventivas, evitar sair, evitar aglomerações”, orientou.

Ela aproveitou ainda para mandar um aviso para os brasileiros. “Meu recado para vocês é de conscientização. Fiquem em casa para poder sair depois. Estamos preocupados com vocês, porque nós já passamos pelo o que vocês estão passando agora e subestimamos o vírus. Então, mantenham-se responsáveis, pensando em se cuidar e cuidar do outro. Sejamos mais empáticos e solidários, mesmo que mantendo a distância de segurança. Vamos passar por isso sabendo que é só uma fase e que vamos sair desta ainda mais fortes e mais conscientes. Eu acredito que está onda veio para nos fazer parar, e sair do piloto automático. Agora é hora de parar, olhar para dentro e mudar a marcha”, destacou.

Ela finalizou avaliando que apesar de tudo, é possível destacar aspectos positivos da situação.

“O ponto positivo disto tudo é que a gente está desenvolvendo o auto conhecimento, estamos mais com nós mesmos, estamos mais com a nossa família. As pessoas estão convivendo mais, se conhecendo mais, desenvolvendo novas atividades. Claro que depois de muitos dias de isolamento a gente cansa, a gente quer que isso passe logo, quer vê gente, sair, querendo está perto. A gente vê como é importante a companhia do outro, está junto das pessoas que a gente ama, a nossa liberdade de ir e vir. Mas a gente sabe que isso tudo é para o melhor de todos”, concluiu.

No Brasil, o primeiro paciente diagnosticado com o novo coronavírus foi infectado durante uma viagem à Itália. O homem, de 61 anos, foi diagnosticado com o vírus em 26 de fevereiro, nove dias depois de ele ter voltado da Europa.

Nesta terça-feira, o Ministério da Saúde atualizou para 291 o número de pessoas contaminadas pelo vírus Sars-Cov-2, e há outros 2.064 casos suspeitos aguardando resultado de exames. A primeira morte de paciente diagnosticado com coronavírus no país foi registrada hoje. O paciente é um homem de 62 anos, morador de São Paulo, que tinha diabetes e hipertensão. Segundo o Governo de São Paulo, outras quatro mortes são investigadas, de pacientes que estavam no mesmo hospital privado que a vítima.

Em Juazeiro, até hoje 4 casos suspeitos foram registrados, sendo 2 casos descartados e 2 em investigação. Já de H1N1 foram notificados 26 casos, 15 estão em investigação, 5 foram confirmados e houve 1 óbito.

CUIDADOS

Com as mãos
1. Lave as mãos até o pulso com água e sabão antes de sair de casa, por pelo menos 20 segundos – uma dica para controlar esse tempo é cantar ‘Parabéns’ duas vezes. Se não tiver água, use álcool gel 70% – que, aliás, está sumindo das prateleiras.
2. A lavagem das mãos deve contemplar a palma, o dorso, os punhos, entre os dedos, o polegar e as unhas.
3. Repita o processo diversas vezes no decorrer do dia, principalmente antes de pegar em alimentos.
4. Evite tocar nos próprios olhos, nariz e boca sem que as mãos estejam lavadas.
5. Lave as mãos depois de tocar em maçanetas e outras superfícies de uso compartilhado.
Transporte
6. No ônibus, o melhor é manter a janela aberta para evitar a concentração do vírus. Limpe as mãos depois de segurar nas barras e corrimãos.
7. No carro, desligue o ar-condicionado e abra as janelas para evitar a concentração do vírus.
Relações pessoais
8. Na escola e no trabalho, fale sem tocar. Cumprimentos de mãos, abraços ou beijos no rosto devem ser substituídos por acenos.
9. Mantenha distância de 1 metro entre as pessoas, principalmente das que estiverem doentes.
10. Fique sempre atento a quem está ao seu lado, e evite tocar nos mesmos locais de quem está com sintomas de doenças respiratórias.
11. Ao chegar em casa, não cumprimente idosos e pessoas com problemas respiratórios até que você esteja higienizado.
12. Evite shows e eventos com aglomerações de pessoas.
Higiene
13. Quando chegar em casa, tome logo banho e troque de roupa.
14. Em casa, limpe e desinfete objetos e superfícies tocadas com frequência, como celular, móveis etc.
15. Se ficar doente, fique em casa. Se não for possível, lembre-se de usar máscaras. Elas devem ser utilizadas prioritariamente por quem está doente.
16. Sempre que for tossir ou espirrar, cubra a boca e o nariz com lenço descartável ou com o braço.
17. Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão de contato e de gotículas, como máscara cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção.
Suspeita e tratamento
18. Caso tenha viajado para áreas de risco, tido contato com alguém que esteve nesses locais ou com alguém já contaminado, procure um médico e monitore os sintomas.
19. Observe. Os sintomas levam até 14 dias para se manifestar e os mais comuns são febre, tosse, e dificuldade para respirar.
20. Os casos graves são encaminhados a um hospital de referência para isolamento e tratamento.
21. Nos casos menos graves são adotadas medidas de precaução domiciliar, como repouso e consumo de bastante água, além de medicamento para dor e febre, e banho quente.
22. Pessoas em isolamento domiciliar não devem ter contato com outras, não podem sair de casa nem compartilhar objetos pessoais. O tempo de recuperação varia.
23. Fique hidratado e bem alimentado para ajudar a reforçar o sistema imunológico.

Da Redação Por Yonara Santos

2 COMENTÁRIOS

  1. Karina e minha amiga a 25 anos, tudo que ela relata e verdade , acimpanho a vida dela e nos falamos todo dia, só estou saindo de casa para comprar comida .

  2. Olá, Karina! Que bom que estão todos bem em sua casa aí na Itália. Aqui ainda calmo. Confiamos no Senhor e cuidamo-nos. Deus abençoe vc e a família. Abraços. Tilu.

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