Em tempos de pandemia mundial, as recomendações são claras: só saia quando necessário e lave bem as mãos com água e sabão, várias vezes ao dia, utilize álcool gel paga higienizar superfícies e máscaras caso tenha algum sinal de gripe.
São medidas preventivas e que visam barrar a disseminação da Covid-19, doença que já infectou quase meio milhão de pessoas ao redor do planeta, e que já matou mais de 21 mil. A Organização Mundial da Saúde (OMS), especialistas, secretarias estaduais e municipais de Saúde e o próprio Ministério da Saúde do Brasil recomendam: fique em casa.
Várias campanhas e ações para incentivar o isolamento e o distanciamento social têm sido desenvolvidas em todo o mundo. É uma medida importante, conforme destacam os órgãos, para evitar que mais pessoas sejam contagiadas pelo novo coronavírus. Mas, e quem mora nas ruas? Como fica a situação dessas pessoas que não tem moradia nem acesso à banheiros para tomar banho ou fazer a higienização das mãos como recomenda a OMS?

(foto: divulgação/Se essa rua fosse minha)
Em Petrolina, no Pernambuco, essas pessoas que cotidianamente são invisibilizadas, foram enxergadas pelos voluntários do “Se essa rua fosse minha”. O projeto existe desde 2015 e desenvolve ações solidárias, sempre voltadas para pessoas em situação de rua, como o fornecimento de cafés da manhã e doação de roupas e produtos de higiene.
Acompanhando de perto a realidade dessas pessoas que estão desamparadas de políticas de assistência social, e diante do cenário alarmante de pandemia do novo coronavírus e dos casos de H1N1 na região, os voluntários estão desenvolvendo uma campanha especial para arrecadar itens básicos de higiene.
O “Se essa rua fosse minha” percebeu, ainda mais, a necessidade de redobrar a atenção para as pessoas em situação de rua, que não possuem acesso à informação e aos esses materiais básicos que garantem condições mínimas de sobrevivência.
“Percebemos que, apesar deles saberem que existe um problema, pois eles percebem a movimentação das pessoas, eles não sabem o que fazer, ficam perdidos, pois não têm orientação. Repassamos algumas informações básicas de prevenção e cuidados, e doamos sabonetes, descartáveis, papel higiênico, pastas e escovas de dentes, absorventes, para garantir a higiene deles”, ressaltou Beatriz Braga, uma das voluntárias do projeto.
Além dos itens acima citados, o grupo pede a doação de água filtrada para consumo, e também de garrafas de água para que essas pessoas possam usar em atividades pessoais diárias.

Ação antiga do projeto
(foto: divulgação/Se essa rua fosse minha)
A primeira ação foi realizada no último domingo (20), em dois pontos do Centro da cidade, onde as pessoas em situação de rua costumam se concentrar: a Praça da Catedral e a Orla. Cerca de 40 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, foram assistidas. O grupo é formado por cerca de 100 voluntários, entretanto, a fim de evitar aglomerações, uma equipe reduzida de cerca de três integrantes está fazendo o contato direto.
Os interessados em fazer qualquer tipo de doação podem entrar em contato via telefone ou Whatsapp pelos números (87) 98869-5855 ou (87) 98837-0215. O grupo atende somente a cidade pernambucana e planeja ações semanais ou quinzenais, e contam com o apoio do poder público municipal e de pessoas que se solidarizam com a causa.
O que dizem as prefeituras
Questionada sobre quais ações foram desenvolvidas e que são voltadas, especificamente, para as pessoas em situação de rua, diante da pandemia de coronavírus, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDESDH) da cidade pernambucana disse que já estão realizando ações educativas de orientação às pessoas que vivem nas ruas do município, e que a “Casa de Passagem Bom Samaritano”, situada na Rua São José, no Centro, está sendo o local de apoio para higienização.
Além dos esclarecimentos sobre o que é a Covid-19, como se prevenir, as equipes orientaram também sobre os horários das refeições fornecidas no Restaurante Popular, o qual passa a fornecer o café da manhã e segue com almoço e sopa. Para higienização pessoal. A SEDESDH disse ainda que irá continuar a ação nós próximos dias, para contemplar a maior quantidade de pessoas em vulnerabilidade social.
O PNB também procurou a Secretaria de Desenvolvimento Social, Mulher e Diversidade (SEDES) de Juazeiro, que esclareceu que, em decreto publicado na semana passada, ficou determinado o redimensionamento de atendimento ao Centro Pop, com revezamento de equipes disponibilizando banho, higienização das mãos, café da manhã e a ficha para entrega de quentinha no Restaurante Popular. Reforçou ainda que a equipe da SEDES está fazendo trabalho de abordagem nas ruas, com todas as orientações possíveis.
A SEDES informou ainda as instalações do Colégio Municipal Paulo VI, a partir da noite desta sexta-feira (27), serão utilizadas como abrigo para pessoas em situação de rua durante a pandemia. No abrigo, além do local para dormir, as pessoas terão acesso a alimentação, material de higiene, banheiros e atendimento de profissionais.
Nesta semana, também foi iniciada uma campanha de arrecadação de produtos de higiene para serem distribuídos a pessoas em vulnerabilidade social, a exemplo das em situação de rua, em parceria com o projeto Anjos & Amigos. O grupo está arrecadando materiais como sabonetes, detergente, creme dental, papel higiênico, além de alimentos, roupas, lençóis e colchões. Seguindo as recomendações de isolamento social, os agendamentos para doação podem ser realizados via telefone ou WhatsApp, através do número (87) 98877-9023.
Em tempos de “ficar em casa”, também é fundamental que a informação chegue às ruas, e contemple as pessoas que nelas vivem.
Da Redação por Thiago Santos



