
O Brasil tem hoje cerca de 18 milhões de fumantes e o tabagismo está entre as principais causas de morte evitáveis no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
O histórico dos fumantes é quase sempre o mesmo. Ainda na juventude, por curiosidade ou estimulados pelas propagandas glamorosas da indústria tabagista, comuns no passado, se deu o primeiro contato com o cigarro.
Daí, a dependência, a dificuldade para se libertar do vício.
Mais de dois terços das pessoas que experimentam um cigarro tornam-se, pelo menos temporariamente, fumantes cotidianos. É o que aponta a pesquisa “What Proportion of People Who Try One Cigarette Become Daily Smokers?” (Qual a proporção de pessoas que experimentam um cigarro e se tornam fumantes cotidianos?), pulicada em 2017 na revista Nicotine & Tobacco Research. Evitar o primeiro contato é, portanto, uma estratégia importante para reduzir o número de novos fumantes, principalmente, quando pensamos nos adolescentes.
“A exposição à nicotina, por exemplo, na adolescência, quando o cérebro está em formação, muda o funcionamento e a plasticidade cerebral. A saúde mental é prejudicada. Quando você usa precocemente qualquer substância psicoativa, seja nicotina, maconha ou álcool, quando o cérebro não está formado, ele é exposto a uma série de desequilíbrios e, se torna vulnerável, a doenças psiquiátricas no futuro”, explica a cardiologista e coordenadora da Área de Cardiologia do Programa de Tratamento do Tabagismo do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP), Jaqueline Scholz.
Os motivos para se tornar um ex-fumante vão desde a melhora na qualidade de vida e na saúde em geral até a economia de gastos.
Com a pandemia do Coronavírus, os fumantes aparecem como grupo de risco. O INCA, Instituto Nacional de Câncer, em uma nota técnica, alerta sobre os riscos do tabagismo e do uso e compartilhamento do narguilé para a infecção pelo coronavírus. De acordo com o documento, fumar aumenta o risco de contrair infecções bacterianas e virais, como a covid-19, causada pelo novo coronavírus.
Entre os pacientes chineses diagnosticados com pneumonia associada ao coronavírus, as chances de agravamento da doença foram 14 vezes maiores entre as pessoas com histórico de tabagismo em comparação com as que não fumavam. Esse foi o fator de risco mais forte entre os examinados.
Em relação ao narguilé, o risco de transmissão do vírus cresce substancialmente, já que a mangueira é passada de pessoa a pessoa e todas compartilham a mesma piteira (que é a parte colocada na boca).
Alguns países da região do Mediterrâneo oriental, como Irã, Kuwait, Paquistão, Catar e Arábia Saudita, proibiram o uso do narguilé em locais públicos, como cafés, bares ou restaurantes, para prevenir a transmissão do coronavírus.
Ter o interesse em parar de fumar é o primeiro passo de uma longa caminhada para superar o vício. O trajeto a ser percorrido não é fácil e podem ocorrer recaídas, mas parar não é impossível e devolve ao indivíduo a liberdade perdida. “O fumante tem uma série de limitações e todo mundo quer ser livre. Então, parar de fumar é reconquistar a liberdade. Claro que temos nossas responsabilidades, mas não depender de algo para começar ou finalizar seu dia é fundamental. A melhor coisa que um fumante pode fazer pela saúde é parar de fumar e procurar ajuda, se não conseguir sozinho. Não ser dependente é uma grande conquista”, finaliza a cardiologista do InCor, Jaqueline Scholz.
Da Redação (com informações INCA e Instituto Lado a lado com a Vida)

