“Não tenho como persistir”: Moro pede demissão do governo Bolsonaro após exoneração de diretor da Polícia Federal

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(foto: arquivo)

Sergio Moro anunciou nesta sexta-feira (24) sua saída do Ministério da Justiça e Segurança Pública, cargo que chefiava desde o início do mandato do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), em janeiro de 2019. O pronunciamento aconteceu durante uma entrevista coletiva na sede do ministério.

A saída de Moro, um dos principais nomes do ministério montado pelo presidente da República, foi dada como certa ainda ontem, após especulações da exoneração do delegado Maurício Valeixo. A saída do agora ex-diretor-geral da Polícia Federal foi publicada no Diário Oficial de hoje (24), contrariando Moro, que na quinta-feira disse ao presidente que pediria demissão se isso ocorresse. Valeixo havia sido escolhido por Moro para o posto e era considerado o braço direito do ministro.

A exoneração de Valeixo, no diário, aparece assinada por Moro e Bolsonaro. A Polícia Federal é subordinada ao ministro da Justiça, e é praxe, em casos como o esse, o chefe da pasta assinar a exoneração. A assinatura aparecer sem o consentimento de Moro foi mais um movimento inusual que confirma que a saída de Valeixo não estava combinada com o ministro, muito menos para esta sexta.

O governo publicou que que a exoneração foi “a pedido”, ou seja, quando o próprio servidor público pede para sair do cargo. Entretanto, Moro negou a informação e disse que foi surpreendido com a publicação no Diário Oficial nas primeiras horas da manhã de hoje. Ele chegou a dizer que falou, diretamente, que se trataria de uma “interferência política”.

“Eu fiquei sabendo pelo Diário Oficial (DOU). Eu não assinei esse decreto. Esse último ato é uma sinalização de que o presidente me quer fora do cargo. Essa precipitação na exoneração. Não vejo justificativa”, reclamou.

Moro disse não concordar com a demissão de Valerio e que precisa “preservar a sua biografia”. O ex-ministro afirmou que não tem mais “como persistir” e que estava encaminhando a carta, com o pedido de demissão, ao presidente Jair Bolsonaro.

Pronunciamento 

No início do discurso, o ex-ministro lamentou o evento e citou a questão da pandemia. “Infelizmente tive que realizar esse evento, busquei o máximo evitar que acontecesse, mas foi inevitável”. O agora ex-ministro fez uma breve prestação de contas sobre suas ações nesse período. Moro citou algumas ações feitas pela PF e PRF, como ampliação de concursos e combate ao tráfico de drogas. Ele citou a Lava Jato, por exemplo, mudou o patamar de combate à corrupção no país.

“Foi um trabalho do Judicário, do MP, de outros órgãos e na parte da investigação, principalmente da Polícia Federal” e falou sobre a preocupação em interferências do Executivo no comando da PF. “Foi fundamental a autonomia da PF para realizar o trabalho. Isso é um ilustrativo da importância de garantir o Estado de Direito”, disse.

Substituto

De acordo com a Andréa Sadi, do G1, o presidente Jair Bolsonaro quer o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Ramagem foi o chefe da equipe de segurança do presidente na campanha de 2018.

Para a vaga de Moro estão cotados ainda André Mendonça, da Advocacia-Geral da União, e Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral da Presidência da República.

*com informações do G1 e da Folhapress

Da Redação

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