“O preconceito é pior do que o vírus”, diz enfermeira curada da Covid 19, em Juazeiro

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Suziane Michele, 32 anos, mãe, enfermeira. Ela é uma das profissionais de saúde, que atua em Juazeiro, e foi curada da Covid 19. Suziane passou pela angústia do diagnóstico, pelo medo das complicações, pelo isolamento, enfrentou o preconceito e agora, curada da infecção, tenta retomar a rotina de vida.

Em entrevista ao PNB, a enfermeira contou como foram seus dias e seus sentimentos durante o processo de enfrentamento e cura da doença que atualmente mais assusta pessoas no mundo inteiro.

PNB: Como contraiu? Acredita ter sido durante o exercício profissional ?

Suziane: Não tem como saber, não tive contato com paciente confirmado, não tive histórico de viagem para exterior ou para cidade considerada epicentro da doença. O vírus fica em todo lugar, então não posso afirmar o local onde fui infectada. A forma de transmissão foi comunitária, isso acontece quando não se consegue estabelecer um vínculo epidemiológico

PNB: Houve alguma dificuldade no acesso aos equipamentos de proteção?

Suziane: Em relação aos equipamentos de proteção individual não tive dificuldade. As duas instituições em que trabalho disponibilizam equipamentos de proteção aos colaboradores.

PNB: Qual o sentimento quando recebeu o resultado do exame?

Suziane: No momento fiquei nervosa, assustada, com medo, é uma mistura de sentimentos que é difícil de expressar. Mas tive confiei em Deus e deu tudo certo.

PNB: Teve sintomas? Quais?

Suziane: No início foi dor de cabeça e calafrios por dois dias, apresentei diarreia no terceiro dia e sudorese. Só fiz uso de dipirona. Passei em torno de cinco dias com dor de cabeça persistente, após isso fiquei assintomática.

PNB: Como foram os dias de isolamento ?

Suziane: Foi difícil, nesse momento precisamos nos apegar muito a Deus, ser forte. Fiquei abalada, tentei ocupar minha mente o máximo possível.

PNB: Muitas pessoas temem a solidão do isolamento ? Como foi essa experiência?

Suziane: Foram 14 dias de isolamento, fiquei em casa sozinha, todo contato que tive foi por vídeo chamada ou ligação. No início foi difícil, fiquei distante de minha filha e de meus familiares, porém sabia da importância do distanciamento e fiz tudo conforme solicitado pela vigilância epidemiológica do município, e por sinal fui muito bem assistida por eles. Aproveitei esse dias para organizar minhas coisas, coloquei umas atividades da especialização em dias, evitei, ao máximo, absorver a enxurrada de informações sobre a pandemia, e aproveitei esse tempo para mim. Fiz atividade física acompanhada de um profissional qualificado. Gostaria muito de agradecer ao professor Alex Ribeiro, pois foi um grande diferencial na minha recuperação. Ele fazia em média 25 a 30 minutos de treino, 3 vezes na semana, on line, e isso fez uma grande diferencial.

PNB: Você sentiu algum preconceito por parte das pessoas? amigos? vizinhos?

Suziane: Ainda sigo sofrendo o preconceito, o que é pior que o vírus. Se o paciente não tiver um apoio psicológico e muita fé em Deus, corre o risco de evoluir para uma depressão. Logo que tive alta por cura clínica tive medo de sair de casa, receio, e vergonha das pessoas. O preconceito é muito grande, e isso é muito doloroso. Até os próprios profissionais ficam com preconceito, e isso é triste. Fiquei psicologicamente abalada, mas tive apoio psicológico da excelente profissional Lorena Pesqueira é agradeço muito toda atenção e dedicação. Além de me apegar muito a Deus e acreditar que tudo daria certo.

PNB: Sobre o distanciamento social, qual sua opinião?

Suziane: O isolamento social é de grande importância e tem feito um diferencial nos dados epidemiológicos.Com o isolamento conseguimos diminuir o número de pessoas infectadas ao mesmo tempo e assim evitaremos um colapso na saúde do nosso município.

PNB: Você já voltou a rotina normal?

Suziane: Já voltei minha rotina sim, com responsabilidade, seguindo as orientações das autoridades.

PNB: Como se sente hoje?

Ainda sigo psicologicamente abalada, mas estou bem, seguindo minha vida normalmente e tentando deixar a população ciente da gravidade e da importância do distanciamento social nesse momento. A população não está levando o caso a sério, dizem que é só uma “gripezinha”, o que não é verdade. Graças a Deus eu sou jovem, sem comorbidades, tenho uma história de atividade física desde de 15 anos, sou atleta e meia maratonista. Mas se a população continuar não cumprindo as regras destinadas pelas autoridades, corremos um grande risco de um colapso na saúde, e consequentemente de mortes pela doença.

PNB: Que mensagem deixa para as pessoas que temem contrair o coronavírus?

Suziane: Fiquem em casa, evitem aglomerações, protejam seus familiares, estamos na luta contra um
vírus invisível com grande potencial de disseminação. A rápida evolução da doença e por tentar lutar contra o invisível, não sabemos ao certo por quanto tempo dura esse vírus, onde ele fica e a melhor forma de tentar impedir a disseminação, é o isolamento social. Não adianta ficar apavorado, mas precisamos ser responsáveis e seguir as orientações. Sei que é um momento difícil, mas a prioridade é a vida, são as vidas das pessoas que estão em jogo, a economia aos poucos vai ser recuperada, vidas não.

Da Redação

 

4 COMENTÁRIOS

  1. Alegro-me e comemoro o seu restabelecimento, e digo graças lhes sejam não ter havido complicações, e ter o apoio de alguns baluartes da nossa saúde, que juntos, apoiando, nadaram em longas braçadas, na travessia desta intercorrência da vida.
    Deus salva os devotados de fé.

  2. Gratidão a Deus sempre pela sua cura
    Parabéns! pela paciência e por ta ciente de que é preciso afasta-se para abraçar lá na frente
    Parabéns aos profissionais de saúde

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