Sempre Aos Domingos: “Tempos de isolamento nos deixam mais moles para pensar na vida”, por Sibelle Fonseca

Não se trata de conselho. Que, ao pé da letra, significa “parecer sobre o que convém fazer, uma advertência”. Quem sou eu para dizer o que convém, se nunca fui conveniente às normas e regras impostas por quem quer que seja? Quem sou eu para acautelar alguém, se não atendo nem as advertências do Ministério da Saúde, que me diz para não fumar, e nem segui os conselhos do meu pai?

Trata-se de observações que fiz e faço sobre essa coisa desafiadora que é o viver. Tempos de isolamento nos deixam mais moles para pensar na vida. E ela, a vida, até tem tentado me ensinar algumas coisas. Sou burra pra aprender algumas lições, desatenta, preguiçosa, ou insistente mesmo nas velhas crenças e hábitos.

Como já tomei muita “peia”, passei alguns perrengues, me confundi, peitei, quebrei a cara, me remendei, bebi óleo de rícino, Biotônico Fontoura e uns tantos goles de álcool, fiz algumas coisas demais e outras de menos, e vivi muitas histórias, aos 53, acho que posso, pelo menos, falar que:

O melhor é ser de verdade, nem que isso tenha um custo alto.

Devemos seguir o coração. Mas quando ele sacanear, chamemos pela razão. Funciona! E, tão logo, o coração se reabilitar, aposente a razão. Ela é fria de doer!

Se puder fazer escolhas, faça! É melhor. Mas, como nem sempre dá, se jogue. Mas arque com os efeitos colaterais, sem culpar a mais ninguém. Nem a você.

Culpas? Não alimente-as. Não servem para nada. Só pesam demais e nos impedem de errar mais e viver menos.

Aprenda, urgente, a gostar de viver com você. Essa é a única garantia de um futuro mais ou menos feliz.

Ter filhos é a uma experiência pra lá de fantástica. Vale a pena de verdade. Aconselho que se dê tudo a eles quando pequenos. Entrega, afeto, vivências de amor, realidade e simplicidade, mais que brinquedos caros e julgamentos. E quando crescidos, deixe que eles sejam eles. Estimule o voo, acostume-se com as partidas. Veja a primeira ida a escola , como a primeira partida para o mundo.

Nunca deixe o seu ninho vazio. Encha-o de amigos, música, boas lembranças, livros, amores, animais, flores, sabores e poesia.

Se não der ou não quiser ter filhos, tenha amigos. Amigos leais. Estes vão ser tudo quando tudo partir. Quando o nada quiser alugar algum quarto da sua casa.

Conquiste e reconquiste amigos com a sua alegria, com o conforto de um ombro, de uma palavra, de uma comidinha boa, de uma música certa para o momento certo e, tenha sempre uma cama quente para eles na sua casa. Assim a sua estará garantida. Certeza!

Coma o que gosta e na quantidade que desejar. Ok, com moderação, alimentação saudável, cuide da sua saúde e tal – todas as orientações que a a gente conhece. Mas atente que, quilos podem ser perdidos, prazer não pode ser achado assim tão fácil. É uma opção. Uma busca.

Beba de todas as bebidas. E escolha a sua. Nem que seja água mineral com gás.

Não fume! Não fume Souza Cruz. O lícito é hipocrisia pura e depaupera a pessoa. Tenha bastante cuidado com remédio controlado, eles descontrolam mais que maconha. E nem dão uma onda boa, não inspiram e nem abrem a mente ou o apetite.

Faça o errado, faça o certo. Mas faça alguma coisa. Faça alguma coisa por você primeiro, para depois poder fazer pelo outro. Faça sua vida ter sentido. Não se permita a uma existência medíocre. E para isso tenho uma dica infalível: coloque-se a serviço do outro. “Quem não vive para servir, não serve para viver”(Mahatma Gandhi).

Trabalhe. Não por obrigação. Extraia bem estar da sua profissão. Experimente orgasmos com a finalização de um projeto, um texto, uma venda. O trabalho nos sustenta. E , ninguém merece ser sustentado por um castigo, por um peso.

Ame e zele por sua família. Quando isso ficar difícil , se afaste. Deixe o tempo operar. Mas o gostoso mesmo é ficar junto, apesar de todas as diferenças e dificuldades. Nunca esqueça de onde veio, até mesmo para ter uma direção e saber para onde vai.

Case-se quantas vezes quiser. Até a lei já permite isso. Mas saiba que quem tem medo de separar, não casa. E separar é ruim demais.

Não confie em todo mundo. Mas confie no mundo. Ele está melhor. Pessoas erram, inclusive você. Pessoas acertam, inclusive, os outros.

Nunca se feche a novas pessoas, mas nunca faça expectativas também. Quanto maior elas são, maior poderá ser a decepção também.

Proteja-se e proteja o outro! Dos vírus, das DSTs, das pessoas nocivas, da desesperança, do tédio, do preconceito, dos santos, dos canalhas, dos dogmas, e da falsidade.

Aceite as diferenças. De cores, corpos, raças, rezas, sabores, olhares, tempos e opiniões.

Aceite as opções. De amores, pensamentos, pagamentos, jeitos, comportamentos …

Faça a sua opção. Permaneça na sua opção. Mude de opção, porque uma opção certa pode não prestar.

Brigue para que os outros sejam o que quiserem ser e seja o que você quiser ser.

Não brigue sempre. Não brigue nunca. Mas não deixe de brigar por aquilo que acredita, sente, pensa e faz.

Surpreenda! Não seja tão previsível. As pessoas acabam brincando com nossas fragilidades. É até humano isso.

Tome alguma posição. A sua posição. Mas não passe por cima da posição de ninguém. Estamos todos na fila.
Também não fique em cima do muro. Essa é a posição dos covardes. Caia do muro. Mantenha-se de um lado ou de outro. Mude de lado, quando for convencido e com lucidez. Mas movimente-se.

Seja do bem. Faça todo bem que puder. Ainda que te façam mal, seja do bem. Ser do mal é muito pior.

Entregue a DEUS só o que prestar. O que não prestar, perdoe, dissolva, deixe para trás, esqueça.

Não se ressinta, nem guarde rancor. Não deseje o mal. A vida se encarrega de dar destino a tudo e a todos … Aqui e alhures. Cada qual segundo a suas obras. Não precisa que você mova um dedo, sequer. Quem se movimenta é o tempo … Esse sim , um velho sábio, um menino astuto …

Que opera, opera, opera …

Sibelle Fonseca é radialista, militante do jornalismo, pedagoga, feminista, conselheira da mulher, mãe de quatro filhos, cantora nas horas mais prazerosas, defensora dos direitos humanos e uma amante da vida e de gente

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