Irecê-BA: entrevistadores do Ibope testam positivo para a Covid-19 e pesquisa nacional sobre o novo coronavírus é suspensa na cidade

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(Foto: Divulgação/Pref. de Irecê)

Três entrevistadores do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), que realizavam em Irecê, na Bahia, uma pesquisa populacional sobre o novo coronavírus no Brasil, testaram positivo para a Covid-19. A informação foi confirmada pela prefeitura da cidade.

A equipe foi testada após exigência da gestão municipal, para que a pesquisa tivesse continuidade na cidade. A prefeitura alegou que não foi informada previamente sobre a realização do estudo, que tem apoio e financiamento do Ministério da Saúde, e está sendo realizado em 133 cidades do país.

Ainda de acordo com a gestão, os entrevistadores chegaram a Irecê na madrugada da última quinta-feira (14), e começaram a realizar os testes na população no mesmo dia, sem comunicado oficial e sem cumpriram quarentena exigida de 14 dias.

“Em decorrência do deslocamento rodoviário de toda a equipe desde a cidade de São Paulo até a cidade de Irecê, ficou estabelecido o critério de testagem em todos os membros da equipe”, declarou a gestão municipal.

A pesquisa foi interrompida e a equipe foi levada para a delegacia, onde todo o material foi apreendido pela Vigilância Sanitária. Os exames na equipe foram feitos na sexta-feira (15).

Após os três pesquisadores testarem positivo, a prefeitura exigiu a relação das pessoas que participaram da pesquisa EPICOVID19-BR em Irecê, com nome e endereço, para monitoramento.

“Imediatamente após o recebimento da relação de pessoas testadas, a Vigilância Epidemiológica do município iniciou o trabalho para investigação das que tiveram contato com os entrevistadores que tiveram positividade para a covid-19. Foi confirmado que os entrevistadores usaram devidamente os equipamentos de proteção individual, o que se apresenta uma barreira para transmissão do vírus. No entanto, como medida cautelar, todas essas pessoas que participaram da pesquisa estão sendo monitoradas e serão testadas novamente para a covid-19 após passados 10 dias do contato com os entrevistadores”, afirmou a prefeitura de Irecê.

O material apreendido foi devolvido aos pesquisadores, que retornaram para São Paulo no sábado (17).

A Secretaria de Saúde da cidade, informou que só recebeu o comunicado oficial sobre a pesquisa no domingo (18), após todo o ocorrido.

“O Governo do Estado foi imediatamente acionado por meio da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVs) e do Núcleo Regional de Saúde (Dires), para averiguação e tomada de conhecimento da situação, considerando que a supervisora da pesquisa sinalizou que as autoridades foram comunicadas. Porém, todas as respostas obtidas sinalizaram que estes órgãos não tinham conhecimento sobre o estudo, não emitindo assim autorização prévia aos municípios. A Secretaria de Saúde de Irecê só recebeu uma comunicação sobre o início da pesquisa no domingo, dia 17/05”, afirmou a Prefeitura de Irecê.

Em nota, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que coordena o projeto, declarou que o Ministério da Saúde enviou um ofício, semana passada, comunicando as 133 cidades participantes do estudo. A instituição ainda apontou que o estudo foi divulgado pelo governo em seu site.

“Nas situações mais graves, os entrevistadores do IBOPE foram detidos, com uso de força policial, tendo sido tratados como criminosos. (…) Por mais que a comunicação formal do Ministério da Saúde aos municípios possa ter chegado muito perto do início da coleta de dados, nada justifica o comportamento de “xerifes” assumido por alguns gestores municipais, que impedem ou atrapalham a realização de uma pesquisa que, com o perdão da repetição, pode ajudar a salvar a vida de milhares de brasileiros”, pontuou a UFPel.

O Ibope Inteligência divulgou a mesma nota da universidade. Em um outro comunicado, a empresa garantia que todos os profissionais convocados para trabalhar nesta pesquisa foram  treinados para aplicar os testes.

“Tivemos o cuidado de selecionar apenas pessoas que não fazem parte dos grupos de risco e todas assinaram um termo declarado de não pertencimento ao grupo de risco. A equipe fez o teste rápido de covid-19, garantindo que todos que estão indo a campo não estão infectados”.

Da Redação

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