“A família é homem e mulher”, diz Bolsonaro: ignorância ou perversidade?

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Em coletiva de imprensa na noite de sexta-feira (22), Jair Bolsonaro (sem partido), em seu tom de ironia, disse que só irá respeitar uma relação homoafetiva, como configuração de família, quando existir a possibilidade de fazer “emenda à Bíblia”.

“Passou a ser crime agora ser cristão no Brasil. Tá na Constituição. Querem deturpar o que é família; família é homem e mulher. Até apresentarem uma emenda e mudar a formação de família, aí sou obrigado a respeitar…enquanto cidadão brasileiro, mas como cristão só depois se fizer emenda à Bíblia”, afirmou.

Mais uma vez, o presidente do Brasil ataca milhares de brasileiros e brasileiras. De famílias brasileiras. Principalmente as que vivem relações homo-afetivas e aqueles que as apoiam e respeitam.

Mais uma vez, o presidente do Brasil vai na contramão dos direitos humanos e da dinâmica da sociedade. Além de chulo, vulgar e ignóbil, Bolsonaro é descontextualizado, por ignorância ou perversidade.

Sobretudo no final do século XX, a configuração do conceito família passou por diversas transformações. Graças aos movimentos culturais que lutam pelos direitos das mulheres ou pela liberdade, por exemplo, foram fundamentais para apresentar a necessidade de mudanças na sociedade brasileira.

E assim, nascem novas relações familiares reconhecidas por lei. Lá em 1916, o Código Civil dizia que  família se configurava naquela constituída através do matrimônio, em uma estrutura patriarcal.

Mas, com a promulgação da Constituição de 1988, e as novas leis brasileiras, que reconheceram a união estável, o casamento homo-afetivo, a família monoparental, as casas comandadas por mulheres, sem a figura do homem, tudo mudou e Bolsonaro não tomou conhecimento disso. Ele fez uma constituição própria. Ele já disse que “é a constituição”.

Como se sentem as mulheres lésbicas, as trans, e os seus filhos, diante da declaração do presidente de que, na  opinião dele lá, suas famílias não se enquadram como configuração de família, mesmo sabendo eles que são uma família? E os homens gays, os trans, os bis, como se veem diante disso? E as mulheres que comandam suas casas, suas mesas e suas camas? As eleitoras de Bolsonaro ou não, aquelas que defendem seus filhos com garra e dentes,  como se sentem? Não formam uma família?

Em 2010, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), formulou cinco tipos de famílias. A Família Nuclear, a tradicional, compõem 66% da população. Além disso, o Supremo Tribunal Federal, reconheceu em 2011, o casamento de casais homossexuais.

Todavia, uma parte da população, guiada pelo conservadorismo histórico no Brasil, não reconhece as novas configurações, ajudando a propagar o preconceito.

Mais da metade dos brasileiros é contra a adoção de crianças por homossexuais e pais ou mães que escolhem ter filhos sozinhos, sem um parceiro ou parceira, também sofrem julgamentos equivocados guiados por questões ligadas à intolerância.

Dado o exposto, a configuração contemporânea da família sofreu modificações. É de suma importância reproduzir a tolerância em meio às diferenças , levando-se em consideração o convívio de respeito na sociedade.

Precisa-se que as mídias mostrem as transformações e a necessidade da conscientização dos cidadãos.

Instituições, como a escola e a própria família são indispensáveis na formação do indivíduo, por isso sua necessidade ao pregar tolerância e expor as mudanças que viabilizam o direito de todos.

Da Redação com informações, Folhapress, Projeto Redação

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