“Sobre pandemia, endemia, muriçocas e Aedes”, por Sibelle Fonseca

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“Fique em casa para evitar a propagação do novo coronavírus”, “limpe sua casa para evitar o Aedes aegypti”, são os apelos das autoridades sanitárias, neste momento de pandemia de um inimigo potente, e de endemia do outro, que provoca dengue, zika, chikungunya, e em Juazeiro vem crescendo vertiginosamente. Em apenas cinco meses, foram realizadas mais de 700 notificações, com a comprovação de 40 casos de dengue. Neste mesmo período de 2019, o município tinha um caso confirmado, o que representa um aumento de 4000%.

A comunidade vem atendendo aos apelos, mesmo que muitos ainda teimem em ir as ruas e descuidar de seus quintais, fazendo com que todos paguem pela falta de senso coletivo, ou de responsabilidade social.

No entanto, está difícil “ficar em casa”, em Juazeiro, com alguma comodidade, pela infestação das muriçocas, que não têm mais hora pra incomodar. Como se estivessem fora de controle, a qualquer turno do dia elas estão presentes e infernizando. O “home-office”, trabalho em casa, está um suplício; O trabalho de combate a elas, ou inexiste ou está sendo inócuo.

A sensação que temos é a de que, com as atenções voltadas para o coronavírus, esqueceram de outros serviços essenciais, como a limpeza de canais, a programação contínua do carro fumacê, e outras medidas de controle a muriçoca, um problema antigo em Juazeiro, mas que, no momento, chega ao limite do insuportável.

” O que está acontecendo? cedo da manhã, a tarde e a noite, quando piora, elas estão por toda parte. Eu e minha filha estamos com as pernas feridas, porque temos alergia a picada. Está um inferno ficar em casa se debatendo com as muriçocas. Dorme-se mal, não se pode fazer algo no computador, ver TV, nada. É irritante!”, desabafou uma leitora do PNB.

Se é fato a infestação das muriçocas na cidade, o que denuncia o abandono das ações de combate ou sua ineficácia, o que podemos pensar sobre a situação do Aedes aegypti? Ambos são insetos e bem parecidos. Quem nos garante se a picada no morador foi de muriçoca ou do Aedes? Se um tá fora de controle, o outro, também está? Campanhas com recomendações para a comunidade são suficientes, para o controle de ambos? E o poder público, como vem enfrentando o problema? ou “jogou a toalha” para o “problema antigo de Juazeiro e que já vem de administrações anteriores”? (a justificativa de sempre).

Uma leitora do PNB, que preferiu não ser identificada, e mora no Jardim Flórida, nos revelou que o bairro está infestado de muriçocas e também que, em menos de duas semanas, quatro pessoas da sua família, sendo uma criança e três idosos, foram diagnosticadas com dengue.

Muriçoca ou Aedes aegypti, que mosquito será este que nos incomoda, nos adoece, nos mata, e está entrando em nossas casas sem controle? Façamos a nossa parte sim. Fiquemos em casa, com muriçoca ou não, porque o vírus gosta de movimento. Vamos limpar nossos quintais, afugentando muriçocas e aedes. Vamos dando o nosso jeito, porque, seja diante da pandemia, dos surtos e endemias, a resposta dos poderes públicos é de puro descaso. Isso se aplica ao discurso de ser “apenas uma gripezinha” ou de “ser um problema antigo da cidade”. E daí?

Da Redação por Sibelle Fonseca

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