
(foto: arquivo)
Além do descumprimento da legislação trabalhista, como atraso salarial, falta de Equipamentos de Proteção Individual e precariedade nas condições de trabalho, o Hospital Regional de Juazeiro, no norte da Bahia, também vem sendo alvo de denúncias em relação a qualidade do atendimento prestado aos pacientes internados com a covid-19, infecção causada pelo novo coronavírus.
As denúncias se referem ao número insuficiente de leitos, falta de medicamentos para os pacientes, e de insumos para os profissionais trabalharem, além da ausência de treinamento para o uso correto dos EPIs. O Hospital Regional, que é referência para o atendimento de pacientes com a doença, de acordo com denúncias que chegaram ao PNB, teria recebido verba para ampliar e estruturar a assistência aos pacientes com complicações da infecção, mas não fez os investimentos necessários.
“Faltam medicamentos para os pacientes, a UTI ganhou o nome de UTI Covid, mas nenhum leito a mais foi implantado, de igual forma na enfermaria, faltam equipamentos para os funcionários trabalharem com segurança e a situação é muito preocupante”, revelou um funcionário que pediu para não ser identificado.
Ainda de acordo com as denúncias, faltam antibióticos, sedativos como Cloridrato de Midazolam, uma droga indutora de sono indicada para pacientes intubados, Fentanil, medicação para a dor, Sabutamol, que trata a falta de ar, e até glicose e espaçadores, dispositivo usado para facilitar a administração de medicamentos, em pacientes com dificuldade respiratória.
“Os sedativos, que faltam constantemente, são imprescindíveis para os pacientes intubados. Muitos ficam acordados pela falta da sedação, vivendo todo aquele sofrimento”, informou o denunciante.

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Comissão de Saúde da Câmara
Na última quarta-feira (3), após a sequência de denúncias dos funcionários do hospital, a Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores, e o presidente Alex Tanuri visitaram a unidade hospitalar. O vereador e médico Allan Jones (PTC) também participou da visita. Procurado pelo PNB, ele contou o que viu na instituição hospitalar.
“A gente se deparou com atraso salarial de todas as categorias, com a falta de medicamentos, a exemplo de antibióticos e de outros usados, inclusive, no tratamento da covid-19, tanto medicações protocolares, como as que previnem sequelas. Nos deparamos também com uma insuficiência de soro fisiológico e glicosado, sendo que a administração está esperando receber uma quantidade que deve durar somente até os quatro ou cinco próximos dias”, revelou o vereador.
De acordo com Allan Jones, a “gestora do hospital argumentou que os fornecedores estão com dificuldade de mandar os insumos”, o que ele classifica como “situação bastante preocupante”.
“É algo inadmissível. A gente não pode arriscar neste momento e permitir que vidas sejam perdidas, que sequelas sejam atenuadas, tão somente porque não está existindo esforço maior, seja por parte do Governo do Estado, ou seja, por parte da APMI, empresa que administra o hospital. Não é fazer demais, disponibilizar ou fretar carros e caminhões para trazer esses insumos e abastecer um hospital de referência”, afirmou Allan.
O vereador também lamentou a situação dos profissionais de saúde do hospital. “Os colegas também reclamaram muito da insuficiência de EPI’s. Vários deles estavam comprando máscaras mais específicas, principalmente a N-95. Da mesma forma que reclamaram da insuficiência de treinamentos e alegam que não foram bem treinados e não estão entendendo perfeitamente o fluxo do hospital”, disse.
Ainda de acordo com o vereador, não há evidências de que a verba destinada para estruturar o hospital para atendimento aos pacientes com a covid-19 tenha sido devidamente aplicada, o que torna a denúncia ainda mais grave.
“A gente também teve acesso ao documento do Portal da Transparência que indica que para o enfrentamento e combate ao novo coronavírus. O Hospital Regional de Juazeiro recebeu nos meses de março e abril cerca de 2 milhões. Infelizmente, a gente não viu sequer a administração do HRJ criar um leito real de UTI, ou seja, aumentar a quantidade. O que houve foi uma mudança na destinação. Existia uma ala de leitos de UTI’s que eram usados de forma geral, e agora esses leitos passaram a ser utilizados tão somente para pacientes suspeitos ou confirmados da Covid-19. Em um total de 10 leitos, apenas 7 estão funcionando, pois os outros três estavam sem respiradores. Isso é um absurdo. Três respiradores chegaram, e pasmem, dois quebrados e outro está sem um cabo, que precisava ser conectado para que se ganhasse o oitavo leito de UTI, o que ainda é insuficiente para atender a um total de 53 municípios. Houve ainda, tão somente, uma destinação de 27 leitos de enfermaria que funcionarão para pequena e média complexidade, e mais uma vez, a gente não viu se quer a criação de novos leitos”, denunciou Allan Jones.
O vereador também questionou a regulação de pacientes para outros municípios. “É inadmissível que os pacientes sejam regulados para o HRJ, e lá recebam uma nova regulação para cidades vizinhas, ou até mesmo para a capital baiana, Salvador. É algo desumano, vai de encontro a uma boa gestão, uma administração planejada, organizada. Neste momento de pandemia, a nossa sensibilidade tem que está mais do que aguçada, o nosso senso de humanismo tem que está muito mais desenvolvido”, acrescentou.
Allan Jones também falou sobre a demissão de profissionais de saúde, seja direta ou indiretamente, em plena pandemia. “A gente não pode permitir que essa estrutura simplesmente se definhe, com a saída em massa de profissionais altamente responsáveis e especializados, por falta de boa vontade principalmente dos gestores estaduais. A gente observa um hospital que já prestou excelentes serviços a Juazeiro e sua macro região, e hoje por falta de uma destinação prévia, passe por um momento tão difícil”, lamentou.
O vereador concluiu afirmando que o Legislativo Municipal acionará o Ministério Público da Bahia (MPBA) para formalizar as denúncias. “Nós vereadores estamos esboçando uma representação e ingressaremos junto ao Ministério Público do estado da Bahia, pois nós não vimos por parte da administração do HRJ quase nada ser feito, em relação aos novos investimentos”, finalizou Allan Jones.
Da Redação

