Diagnosticada com a covid-19, jornalista do Preto no Branco fala sobre o momento desafiador que está vivendo e diz: “precisamos mais do outro do que imaginamos”

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(foto: arquivo pessoal)

Na última terça-feira (9), ao participar do mapeamento do status imunológico que está sendo realizado pela Prefeitura de Juazeiro também com os profissionais da imprensa, a jornalista do Preto no Branco, Yonara Santos, 29 anos, foi diagnosticada com a covid-19 após realização do teste rápido. A profissional, que atua neste veículo de comunicação desde a sua fundação, há 4 anos, trabalhava desde o início do mês de março, assim que foi decretada a pandemia pela OMS, em home office.

Yonara Santos, mãe da pequena Luna, de dois anos, está em isolamento domiciliar e conta com toda assistência e amor de seus familiares, amigos, e da família Preto no Branco, que tem na jornalista um dos seus maiores patrimônios. Yonara está bem, com sintomas leves da infecção, e relatou, nesta entrevista, sobre o momento em que recebeu o diagnóstico, os dias de isolamento e, otimista e amorosa, virtudes nobres que carrega, declarou: “à todos e todas, digo que, de alguma forma, tentemos tirar alguma lição positiva destes tempos tão dolorosos para a humanidade, talvez a lição de que precisamos mais do outro do que imaginamos e por isso, devemos amar mais, compreender mais, tolerar mais, nos unir mais”.

Leia a entrevista na íntebra

Preto no Branco: Qual a sensação ao receber o diagnóstico?

Yonara Santos: É uma mistura de sensações. Lembro de ter ficado muito nervosa e assustada. A gente vê os números crescendo todos os dias, acompanha como essa doença está sendo devastadora e teme que ela chegue até nós e às pessoas que amamos. Desde o início da pandemia eu temi muito pelos meus familiares e amigos que são do grupo de risco, principalmente minha mãe que é hipertensa, diabética e trabalha como técnica de enfermagem em dois hospitais. Por isso, todos os dias eu ligava para ela e perguntava se ela estava sentido algum sintoma e pedia que ela sempre reforçasse as medidas de segurança. E agora, eu que acabei contraindo o vírus.

Além disso, desde que recebi o diagnóstico eu também fui tomada por um sentimento muito forte de medo. Medo de ter infectado alguém, medo do meu quadro se agravar e também medo de ser julgada por ter sido infectada. Infelizmente, a gente já viu isso acontecer. Algumas pessoas acabam nos culpando. E acredito que esse meu medo foi ainda maior por eu ser uma profissional da comunicação, que estou sempre buscando me informar sobre a doença e as medidas de segurança, para passar essas informações para as pessoas. Mas infelizmente, por mais que tomemos todos os cuidados, ninguém está totalmente livre de ser infectado.

PNB: Imagina de que forma possa ter contraído?

YS: Essa é uma das primeiras perguntas que me se fiz ao receber o resultado positivo. E também, uma das primeiras que recebo quando informo aos familiares e amigos sobre o meu diagnóstico. E até hoje não tenho essa resposta. Infelizmente esse vírus já se espalhou em nossa cidade e pode está em qualquer lugar. Desde março, assim que foi decretada a pandemia, estou praticando o distanciamento social, trabalhando inclusive de casa, justamente para evitar o transporte público e diminuir os riscos.

Eu moro com meu companheiro e nossa filha de dois anos. Ele precisou continuar trabalhando, e no local de trabalho dele circulam muitas pessoas diariamente e por isso, sempre buscamos tomar todos os cuidados e seguir todas as recomendações. Além disso, sempre que precisava sair para o mercado aqui mesmo do bairro, eu usava máscara, higienizava as mãos, e também tomava todos os cuidados ao voltar para casa. Mas ainda assim, tudo que vem que de fora, pode trazer os vírus até nós. E de alguma forma, acabei sendo infectada. Por isso, todo cuidado ainda é pouco. Se nós que estamos em casa e só saímos quando é necessário continuamos expostos, imagina quem está nas ruas. Então, se puder fique em casa e reforce cada vez mais os cuidados. É um trabalho exaustivo, mas necessário e vital.

PNB: Apresentou sintomas da doença?

YS: Eu costumo ficar resfriada com bastante facilidade. Seja por conta de poeira, vento no rosto ou mudança no clima. Só entre março e maio eu tive três resfriados. Só que esse último tive alguns sintomas diferentes. Nos primeiros dias fiquei com uma fadiga, com a sensação que teria febre, mas não tive. Além disso, senti leves dores de cabeça, o nariz entupido e tosse. Cerca de três dias depois, comecei a sentir um pouco de falta de ar, nada muito forte. Sempre que fazia algum esforço, me sentia mais cansada do que o normal. Também percebi que não estava conseguindo sentir muito o cheiro e o sabor da comida, mas não perdi totalmente o paladar e o olfato, e logo voltou ao normal. Principalmente por não ter febre, não ter sintomas fortes e pela mudança no clima, acreditei que pudesse ser um resfriado. Também imaginei que a leve falta de ar e a perda parcial do olfato e do paladar poderia ser algo psicológico, por temer o novo coronavírus. Foi então que participei do mapeamento do status imunológico, que está sendo realizado pela prefeitura nos profissionais da imprensa, e tive o resultado positivo através do teste rápido.

PNB: Como está sendo o isolamento domiciliar?

YS: Quando testei positivo, a orientação foi a de que eu me isolasse e me mantivesse distante, inclusive, do meu companheiro e da minha filha, e reforçasse os cuidados. Por isso, assim que cheguei e realizei as medidas de higienização, eu me tranquei em um dos quartos. Meu companheiro e minha filham também precisaram se isolar em casa até realizarem o teste. Esse início foi muito difícil, principalmente porque a minha filha tem apenas dois anos e por mais que a gente tente explicar, ela não entende que precisa ficar distante da mãe. Nós somos muito apegadas e com o distanciamento, estávamos passando o dia todo em casa, juntas. Por isso ela não entendia porque a mãe não podia abrir a porta do quarto para ela entrar. Foram dois dias de muito choro. Logo depois ela e o pai fizeram o teste e os resultados deram negativo. Agora, achamos melhor deixá-la sob os cuidados de outros familiares. Essa distância está sendo muito dolorosa, mas é o melhor neste momento. Apesar do diagnóstico, só tenho a agradecer a Deus por meu quadro não ter se agravado, e pedi para que eu não tenha infectado outras pessoas. Estou me recuperando e seguindo todas as recomendações.

PNB: Qual sua mensagem para pessoas com diagnóstico positivo, e estão em isolamento, e também para aquelas que temem a infecção?

YS: Que não alimentem pensamentos negativos e que até os combata, porque eles acabam nos rondando mesmo. Que enfrentem o período de isolamento com coragem e a esperança de que vai passar, como tudo nesta vida. São dias difíceis sim, mas podemos fazer deles dias leves, de oração, de reflexão e crescimento espiritual. Tenho me alimentado de música, de bons filmes e bons pensamentos. Para os que temem, digo que transformem o temor em cuidados redobrados consigo e com os outros, para evitarmos uma propagação do vírus. E a todos e todas, digo que, de alguma forma, tentemos tirar alguma lição positiva destes tempos tão dolorosos para a humanidade, talvez a lição de que precisamos mais do outro do que imaginamos e por isso, devemos amar mais, compreender mais, tolerar mais, nos unir mais. Que Deus nos proteja e vamos sim superar esta fase. E claro, permaneçam em casa, sigam as orientações das autoridades sanitárias, respeitem a ciência e se auto responsabilizem. Aproveito para agradecer a minha família, que vem me dando todo apoio e aos meus amigos que, mesmo distantes, estão aqui comigo em energia positiva e orações.

Da Redação

2 COMENTÁRIOS

  1. Yonara tudo isso vai passar concerteza vamos ter os cuidados específicos mais ninguém tá imune boa sorte! Deus abençoe ele já está no controle bjs querida

  2. Naroca estarei aqui em vibração positiva pra que tudo passe logo e vc e sua família fiquem bem. Vc mora no meu coração. Vai passar e logo a gente volta a se encontrar.

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