
A ivermectina é um vermífugo responsável por uma das maiores intervenções de saúde em países africanos e da América Latina dos últimos 40 anos, o que rendeu aos seus descobridores William C. Campbell e Satoshi Omura, em 2015, o prêmio Nobel de Medicina.
O medicamento faz parte do grupo dos antiparasitários com ação em vários vermes e parasitas, além de combater ácaros, infestação por piolhos, sarna, entre outros, e só pode ser vendido sob prescrição médica.
Com a pandemia do novo coronavírus, a ivermectina é a droga da vez nas indicações de tratamentos “milagrosos” e algumas prefeituras já incluíram o medicamento nos seus protocolos. Além disso, muitas pessoas adotaram o seu uso como prevenção e em algumas cidades, o medicamento já está em falta nas farmácias. Em Juazeiro, por exemplo, cinco farmácias, de rede e de bairros, contactadas pelo PNB não têm mais o medicamento.
Em um estudo realizado por Caly e colaboradores (2020) em células in vitro a ivermectina demonstrou atividade antiviral contra o SARS-CoV-2, com grande repercussão nos meios de comunicação. Porém, estudos in vitro não são suficientes para que um medicamento seja considerado eficaz e seguro, por isso estudos bem conduzidos em humanos são necessários para determinar se a ivermectina poderá ser útil na prevenção ou no tratamento da COVID-19 e em quais doses.
Sem testes em humanos diagnosticados com a Covid-19 até hoje, o medicamento é também alvo de uma série de manifestações de especialistas contrários ao uso sem indicação médica.
Alguns falam que o medicamento atende a “medicina fantasiosa”, mas há também profissionais que estão prescrevendo a droga para pacientes assintomáticos e ansiosos com a possibilidade de contágio.
“Se bem não fizer, mal não vai fazer. Na dúvida, pedi a meu médico e ele me passou como prevenção. Já tomei e não tive efeito colateral nenhum. Serve para os vermes, que todo mundo tem”, disse uma fonte do PNB, que pediu para não ser identificado.
Para o Presidente da Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar) e ex-presidente do Conselho Nacional de Saúde, o catarinense Ronald Ferreira dos Santos, a entidade é “absolutamente contrária” ao que chamou de “espetacularização” da ivermectina.

Sobre o assunto o PNB conversou com a farmacêutica Mabiane Cruz, que também é contrária ao uso do remédio como prevenção ao novo coronavírus.
PNB: A Ivermectina pode ser usada como prevenção ao Covid-19?
Mabiaene: Não é recomendado uso profilático (por prevenção) já que o medicamento necessita de estudos aprofundados em humanos. A ivermectina é um medicamento excretado muito rápido pelo organismo. Desta forma pergunto como é que um medicamento de excreção rápida vai agir como prevenção? Deve-se fazer uso racional de qualquer medicamento para não ser acometido com efeitos colaterais indesejados.
PNB: Qual a real indicação do medicamento?
Mabiane: A Ivermectina é um medicamento que colabora no tratamento de diversas infecções causadas por vermes e parasitas que se instalam no organismo, além de problemas relacionados a ácaros, como sarna e piolho. Deve ser indicado por um médico após diagnóstico.
Como todo medicamento tem suas contraindicações como, por exemplo, pessoas com meningite, pessoas que usam medicamentos que deprimem o sistema nervoso central não têm indicação de uso. Além disso, tem os efeitos adversos, como náuseas, diarréia, dor abdominal, vômitos e constipação.
PNB: O que pode ser feito para auxiliar na prevenção da Covid-19?
Mabiane: A melhor prevenção é ficar em casa se possível, tomar todas as medidas cabíveis de recomendação, que são higienização das mãos, uso de máscaras, álcool gel ao sair e higienizar todos os produtos que entram em casa. Também é importante fortalecer o sistema imunológico, com vitaminas e minerais, tomar muita água, dormir bem, fazer atividade física mesmo em casa, se movimentar, ler bons livros, curtir a família, alimentar seus pensamentos com informações positivas e ter fé que tudo isso vai passar.
Ivermectina no protocolo da Secretaria de saúde de Juazeiro
A Secretária de Saúde de Juazeiro, Fabíola Ribeiro, durante coletiva realizada ontem (6), adiantou que o município deverá adotar um protocolo para uso da ivermectina, associada a azitromicina, vitamina C, D e zinco.
Ao PNB a secretária disse que nas farmácias do município já há um grande número de prescrição médica da Ivermectina. No entanto, a gestora da saúde afirmou que a indicação não é para profilaxia da infecção, mas para pacientes que já apresentem sintomas.
Fabiola Ribeiro disse ainda que, o medicamento será “iniciado de forma precoce no tratamento dos pacientes, que não incluirá a hidroxicloroquina” e revelou que o objetivo é prevenir o agravamento dos sintomas da Covid-19. “A gente vai buscar fazer o uso da ivermectina, azitromicina, conforme avaliação médica, vitaminas C, D e zinco. Já estamos com o protocolo praticamente pronto. A parte burocrática interna, que é compra de medicação, licitação, já está em andamento e em breve a gente vai fazer isso de forma oficial”, reforçou.
Mas, de acordo com a secretária, os profissionais médicos terão autonomia para indicar ou não o medicamento. Ela também ressaltou que o uso da ivermectina será feito “off label”, ou seja, fora do que prescreve a bula do medicamento.
“Independente da Secretaria de Saúde se posicionar, os profissionais tem autonomia para prescrever o que eles querem. Por conta dos estudos que estão acontecendo no Brasil e no mundo com o medicamento, não vamos deixar de proporcionar isso à população de Juazeiro. Não será um tratamento impositivo nem para os nossos profissionais, nem para a própria população que, caso não queira fazer o uso, não será obrigada ”, concluiu a gestora.
Da Redação

