Profissionais de saúde podem aplicar vacina sem usar luvas e com as unhas compridas? O PNB responde

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Pela sua página no Instagram, o cantor Ney Matogrosso, 79 anos, publicou um vídeo registrando o momento em que recebeu a primeira dose da imunização contra a covid 19, ontem (1), no Rio de Janeiro.

“Hoje recebi a primeira dose da vacina Oxford Astrazênica. Muito bem atendido como todos que estavam lá”, comemorou Ney.

Entre os milhares de comentários elogiosos ao artista e desejando saúde a Ney, alguns seguidores questionaram o fato da profissional de saúde, que aplicou a vacina, não usar luvas, touca e ter as unhas alongadas.

“Enfermeira não usa luvas? Falta de higiene total. Quem garante que ela usou álcool antes de tocar na seringa? Pior, olha o tamanho da unha desta mulher, isto é porque é da saúde”, comentou uma internauta sendo apoiada por diversos outros internautas.

Afinal, o que diz o protocolo que deve ser seguido pelos profissionais de saúde no ato da vacinação?

Uso de unhas alongadas é adequado? As luvas são obrigatórias?

O PNB foi buscar as respostas.

De acordo com Sebastiana Brito Lima, coordenadora da Vigilância Sanitária de Sobradinho (BA), o Ministério da Saúde determina que os profissionais estejam paramentados, usando avental, touca e máscara, obrigatórios no ato da vacina. As luvas, no entanto, não são obrigatórias

Em entrevista a CNN Brasil, o neurocirurgião Fernando Gomes explicou o motivo.

“Existem técnicas de assepsia e antissepsia que, se não forem quebradas, garantem proteção apesar da não utilização de luva. Também existe uma preocupação logística. Para 100 milhões de doses, por exemplo, se for preciso uma luva nova para cada indivíduo e, se não tiver, o processo de imunização não pode acontecer, ficaria inviável”, completou o médico.

Gomes ainda detalhou o método usado pelos profissionais de saúde na hora da aplicação de vacinas. “Um algodão com álcool é passado na pele para remover o que chamamos de flora transitória, bactérias que vivem na superfície da pele e isso é normal; depois, se faz a aplicação com agulha estéril, limpa; e assim que a agulha é retirada outro algodão é colocado para estancar eventual sangramento. Do ponto de vista prático, não houve quebra de barreira, não houve introdução de algum elemento que estivesse possivelmente contaminado para dentro pele. Nada que se a pessoa tivesse com luva ou não faria diferença”, explicou o neurocirurgião.

Quanto as unhas compridas, não há recomendação do Ministério da Saúde, segundo Sebastiana Brito, mas o Conselho Federal de Enfermagem “não permite unha grande e cabelo solto”, informou a coordenadora.

É uma questão de bom senso também. As recomendações sanitárias dizem que “as unhas devem ser mantidas limpas e curtas. Unhas compridas podem servir de depósitos para microrganismos e o esmalte não incolor mascara a sujidade. As cutículas não devem ser removidas, pois podem deixar lesões que funcionam como porta de entrada para microrganismos.

O especialista Tom Sandford, membro do Royal College of Nursing, também alerta.

“As unhas devem ser curtas e livres de esmalte. Unhas falsas não devem ser utilizadas. Esmalte e unhas postiças acumulam bactéria e não permitem uma boa higiene das mãos”, ressalta Sandford.

Da Redação com informações CNN Brasil

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