“Flertei, fiquei, gostei…Comecei a viver, então!”: confira a história comovente de uma sobrevivente da violência doméstica, entrevistada da série “Sobre mulheres, príncipes, vampiros e ressignificaçao” do PNB

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O Portal Preto No Branco promoverá de 8 a 12 de março, às 20 horas, a série “Sobre mulheres, príncipes, vampiros e ressignificaçao”, com 5 conversas sobre os diversos abusos que as mulheres sofrem nos relacionamentos, muitas vezes, sem se dar conta. (veja as entrevistadas abaixo).

Uma das entrevistadas, será Adriana Guedes, 50 anos, pedagoga, uma sobrevivente da violência doméstica. Adriana é mãe de dois filhos.

Na quarta-feira (10) ela vai contar sua história de vida e superação na série, transmitida por uma live, no Instagram, conduzida pela jornalista Sibelle Fonseca.

Toda a série será publicada nas redes sociais no Preto No Branco e também neste site.

Adriana Guedes nos enviou um texto que resume a sua história de vítima de um relacionamento abusivo e de como rompeu com o ciclo de violência doméstica.

Supreendentemente, para nós que fazemos o Portal Preto No Branco, ela finalizou o seu relato colocando, entre seus estímulos de superação, o programa Palavra de Mulher, apresentado pela jornalista há 23 anos em diversos veículos de comunicação da região.

” A inspiração para toda essa reviravolta pessoal encontrou muitas inspirações, razões, força autoestima e coragem nas audições do “Palavra de Mulher”! Gratidão!”

Confira:

Adriana Guedes, mulher descendente de mãe negra, que teve na sua trajetória uma reprodução daquilo que vivenciou sua matriarca. Assim como ela, não escolhi ter a vida afetada por todas as variantes da Violência Doméstica. Mas tais experiências não se furtaram dos nossos contextos.

Por muitos anos sofremos, e sofri, todas as manifestações dessa realidade traumática em todos os dias desse longo período. Até então, não existiam nenhuma instância através da qual se enxergasse esse problema social desumano e de grandes impactos na conjuntura familiar.

Nesse tempo, predominava uma cultura sistemática de familiares do agressor de recorrer às autoridades afins com propósitos de reduzir esses fatos desumanos ” a desentendimentos banais do casal”, ou ainda, conceitos do tipo:” ela apanha porque gosta… Superar essas realidades perversas exigiu todas as forças, dentro, e fora de mim.

Me municiei de toda coragem, que jamais imaginei ter, e fui voz uníssona na Promotoria Pública, na Delegacia de Polícia e no judiciário, por ocasião de mais uma violenta surra, porque haviam minúsculos grânulos de areia no chão de uma casa antiquíssima, cujas paredes afetadas por salinidade descamavam dia a dia.

Essa agressão tão violenta lesionou meu corpo por inteiro, sangrava até a alma. Tomei coragem, e num vacilo daquele algoz, fugi em direção do fórum. Vestes rasgadas e ensanguentadas. Esse foi o traje! Chegando lá, juíza e o promotor em audiência. Clamei por ajuda ao policial na entrada da Sala de Audiência. Este ignorou aquela situação.

Num ímpeto, gritei por socorro, de novo, gritei!

O policial tentou me retirar dali, alegando que não seria atendida, pois o short rasgado e sujo de sangue não seriam roupas apropriadas no meio dos magistrados. Recuei um pouco, e mais uma vez apelei por ajuda… A juíza e o promotor suspenderam a audiência em andamento.

Dra. Rosa e Dr. Adilson, como fizeram a diferença! Daquele dia em diante, extraí toda a resistência que adormecia em mim. Superei, superei e superarei enquanto existir!

Dos quinze anos de cárcere privado potencializado por todas, e contínuas violências contra a mulher, os aprendizados que me reinventaram foram a confiança de que eu seria capaz de assumir a mim e aos filhos.

Alcancei uma vida infinitamente melhor quando me conscientizei de existia um potencial de capacidades valorosas dentro de mim.

De cara, abdiquei do abandono pessoal, dei um upgrade no visual, voltei a estudar, ingressei no mercado de trabalho, flertei, fiquei, gostei…Comecei a viver, então!

A inspiração para toda essa reviravolta pessoal encontrou muitas inspirações, razões, força autoestima e coragem nas audições do “Palavra de Mulher”! Gratidão!

Adriana Guedes

Da Redação

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