“Teve um problema no ar condicionado”, diz Secretaria de Saúde de Juazeiro, após denúncia de possível perda de vacinas contra a covid 19, na UBS do Mussambê

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“Caso as vacinas lamentavelmente tenham se tornado imprestáveis pela má conservação, penso em quantos idosos deixaram de ser imunizados, num tempo em que receber a tão sonhada dose pode ser o diferencial entre viver ou morrer. Espero que a Secretaria de Saúde explique o que de fato ocorreu, pois é temerário e lamentável que vacinas sejam desperdiçadas dessa forma,” esse foi o protesto de Patrícia Correia, que foi ao Posto de Saúde do Mussambê. na manhã de hoje (9), para vacinar os pais idosos.

De acordo com ela, a vacinação foi suspensa na UBS, pois as doses estavam “sob suspeita”.

E a Secretaria de Saúde de Juazeiro explicou ao PNB sobre o ocorrido.

Assessoria de Comunicação do órgão confirmou a informação de que “teve um problema no ar condicionado” da unidade.

Ainda de acordo com a Ascom, “a partir de amanhã a vacina acontecerá na UBS da Maringá até providenciar o conserto do equipamento”.

Sobre as providências que serão adotadas, o órgão disse que “inicialmente a Coordenadoria do Núcleo Regional de Saúde-Norte, antiga Dires, é informada sobre a situação e segue o protocolo de aguardar por 24h. Depois disso, 0 Núcleo avalia as doses e emite um laudo para o Governo do Estado”.

O PNB também procurou o Governo do Estado da Bahia. De acordo com a assessoria “a partir da entrega do imunizante, a responsabilidade fica com o município”.

Estamos aguardando ainda notas da Secretaria Estadual de Saúde e do Núcleo Regional de Saúde-Norte.

Entenda o caso

O PNB foi procurado nesta terça-feira (09) por dois moradores de Juazeiro, no Norte da Bahia, que fizeram uma grave denúncia sobre uma suposta perda de doses de vacinas contra a Covid-19. A situação teria ocorrido na Unidade Básica de Saúde do bairro Mussambê, que também atende ao Santo Antônio.

De acordo com a moradora Patrícia Correia, a vacinação que deveria ocorrer na manhã de hoje foi suspensa na UBS, pois as doses estavam “sob suspeita”.

“Cheguei às 7h30 na UBS do Bairro Santo Antônio, juntamente com meus pais idosos (77 e 78 anos), cuja faixa etária para a vacinação contra a COVID seria contemplada a partir de hoje. Às 8h, fomos avisados por uma funcionária do posto que as vacinas não iriam ser disponibilizadas nesta manhã, pois estariam “sob suspeita”. Questionei o que isso significaria e a explicação foi de que o ar condicionado da sala de vacinas apresentou defeito, elevando demais a temperatura do local, o que poderia ter causado danos ao imunizante. Como leiga, não consegui entender como a temperatura do ambiente teria interferido na temperatura dos imunizantes, já que estes ficam acondicionados dentro da geladeira (segundo a funcionária, este último equipamento não teria apresentado problemas)”, denunciou Patrícia.

Diante da situação, a moradora cobrou esclarecimentos da Secretaria de Saúde de Juazeiro.

“Caso as vacinas lamentavelmente tenham se tornado imprestáveis pela má conservação, penso em quantos idosos deixaram de ser imunizados, num tempo em que receber a tão sonhada dose pode ser o diferencial entre viver ou morrer. Espero que a Secretaria de Saúde explique o que de fato ocorreu, pois é temerário e lamentável que vacinas sejam desperdiçadas dessa forma.”, acrescentou.

Outra moradora informou que ao procurar a unidade para vacinar a mãe, também foi informada que as doses teriam virado “água”.

“A enfermeira informou que a sala estava muito quente e que a equipe tinha perdido as vacinas.”, relatou.

Desorganização

A moradora Patrícia Correia também reclamou da falta de organização na logística de vacinação na cidade.

“Gostaria também de deixar registrada minha indignação quanto à desorganização e despreparo das unidades para atender justamente o público mais vulnerável desta pandemia. Diante do que ocorreu na UBS do Santo Antônio, buscamos atendimento na UBS do Jardim Flórida, mas fomos informados que não estavam vacinando no local, em que pese a referida unidade constar na lista fornecida pela própria prefeitura como posto de vacinação. Apesar do tempo perdido com os deslocamentos entre as unidades de saúde, encontramos fichas ainda disponíveis na UBS do Alto da Maravilha, onde meus pais finalmente foram vacinados”, afirmou.

Ainda de acordo com ela, devido a grande procura pelas vacinas, muitos idosos acabaram ficando aglomerados dentro da UBS do Alto da Maravilha.

“Outros tantos ficaram aguardando atendimento em pé, na área externa e na calçada, sem mencionar as inúmeras pessoas que voltaram para casa sem se vacinar, pois as fichas já haviam se esgotado. Por justiça, quero isentar as funcionárias da UBS responsáveis pela vacinação. Pelo que pude observar, eram apenas duas técnicas com a funções de triar, fornecer informações, verificar documentação, preencher as fichas, aplicar as vacinas. Apesar de assoberbadas, ambas tratavam os usuários do serviço com muita educação. Penso que seja um problema de planejamento geral e pergunto se não haveria meios de organizar melhor a logística de vacinação (por exemplo, dividir esses idosos em grupos pelo mês de nascimento, como estamos vendo acontecer em outras localidades), evitando desgastes e aglomerações que facilitem a disseminação do vírus e acabem comprometendo a saúde de todos”, finalizou.

 

Da Redação

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