Especial: “Todos os dias temos escolhas diferentes a fazer”, nutricionista alerta para transtornos alimentares ocasionados por relacionamentos abusivos

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Neste mês de março, o Portal Preto No Branco tem dado uma contribuição no sentido de informar e propor uma reflexão sobre relacionamento abusivo e suas consequências para a vida da mulher, as maiores vítimas desta  experiência traumática, que deixa sequelas psicológicas e afetam sua saúde física e mental.

O assunto não é novo, mas persiste na sociedade, e é bem comum. Muitas vítimas sequer identificam que estão numa relação abusiva e levam anos se submetendo a abusos psicológicos, físicos, morais, sexuais e patrimoniais, tipos de violência que têm sérias consequências e deixam um rastro de sofrimento.

O abuso do parceiro deixa consequências psicológicas em diferentes áreas da vida. Vestígios permanecem no corpo, mente e vida social.

Os sintomas psicológicos mais comuns em vítimas de violência doméstica são: insônia, falta de concentração, irritabilidade, transtornos alimentares, ansiedade, depressão, síndrome do pânico, estresse pós-traumático, uso e abuso de álcool e outras drogas e tentativas de suicídio.

Sobre transtornos alimentares que afetam as mulheres vítimas de relacionamentos abusivos, nós conversamos com a nutricionista Ana Jéssica Da Silva, formada pela Universidade de Pernambuco. A profissional atua com ênfase no gerenciamento das emoções como forma de manter uma alimentação saudável e equilibrada.

” A inteligência emocional é indispensável para manter o foco na reeducação alimentar e reconhecer quais as barreiras emocionais que impedem o emagrecimento saudável”, afirma Ana Jéssica.

Confira entrevista:

PNB:  Muitas mulheres vítimas de relacionamentos abusivos tendem a refletir seu sofrimento emocional na alimentação? De que forma?

Ana Jéssica: A comida dá prazer, comida também está ligada ao comportamento, um exemplo disso já é a TPM (TENSÃO PRÉ MENSTRUAL) onde a busca por doces é maior. Quando uma mulher está sofrendo quase sempre ela busca alivio na comida, geralmente mais doces e massas.

PNB: Qual o risco desse comportamento?

Ana Jéssica: O risco é viver querendo preencher um espaço que a comida não pode preencher! Quando você torna esse comportamento um ciclo vicioso, toda vez que estiver triste vai compensar na alimentação, e nós precisamos entender que isso é momentâneo e existem outras formas de diminuir esse sofrimento, não prejudicando a saúde.

PNB: Pode citar alguns casos de mulheres vítimas de relacionamentos abusivos, que desenvolveram algum transtorno alimentar?

Ana Jéssica: Sim, tenho uma paciente que emagreceu bastante por conta disso, em torno de 8 quilos e já tinha um corpo magro. Isso foi devido a crises de ansiedade, perda de apetite e insônia que esse relacionamento abusivo causou.

PNB: Essa realidade é comum no seu consultório?

Ana Jéssica: Sim, bem comum. Atendo muitas mulheres com variados tipos de transtorno alimentar decorrentes do sofrimento psíquico advindo de relações abusivas com seus parceiros.

PNB: Já acompanhou alguma paciente que tenha sido ” obrigada” pelo companheiro ( a) a fazer dieta, a se submeter a um processo de emagrecimento? Tipo: quer emagrecer porque a imagem não está agradando ao parceiro?

Ana Jéssica: Não que tenham sido obrigadas propriamente, mas já tive várias pacientes que foram a consulta induzidas por críticas dos companheiros ao seu corpo. Geralmente por acharem que a mulher está “gorda” e desqualifica-las por estarem acima do peso, fazendo comparações com outras mulheres e reforçando um padrão estético.

PNB: Também ao contrário, uma mulher magra que queira mudar o corpo porque o parceiro cobra?

Ana Jéssica: Sim, principalmente por causa das mulheres que elas veem nas redes sociais e adotam como padrão de beleza. As mulheres tentam fazer essa comparação e acabam se frustrando, querendo uma mudança que na realidade só existe em suas mentes.

PNB: Qual a importância para uma mulher vítima ter uma auto imagem positiva. Em que a nutrição pode ajudar neste aspecto?

Ana Jéssica: Fazer as pazes com a comida e com o corpo é essencial. Buscar ajuda profissional, para entender melhor os hábitos e as rotinas alimentares, buscando estratégias mais saudáveis para mudar esse comportamento negativo.

PNB: Que mensagem deixa para as mulheres vítimas de relacionamentos abusivos em processo de rompimento com o ciclo de abusos?

Ana Jéssica: Primeiramente se desapegar do passado. Recomeçar. Todos os dias temos escolhas diferentes a fazer, e ser livre é uma delas. O autoconhecimento é muito importante também, saber quais são as situações de sofrimento que te fazem correr para a comida, e nunca esquecer que você é única e o seu valor também. Não esquecendo que o mais importante é ser feliz com o próprio corpo.

Instagram: @anajessicasnutri

Da Redação por Sibelle Fonseca

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