Sempre Aos Domingos: “Tem muita gente brincando com a vida”, por Sibelle Fonseca

 

 

 

E vamos lá. Mais uma semana de restrição, medo e luto. Se foi Dona Eulália, mulher guerreira de Curaçá. O universo feminino ficou menor e chora. Uma pessoa querida minha e de tantos amigos de Juazeiro, acaba de sucumbir e isso me dói tanto. Tenente Bonfim, obrigada pelo respeito e consideração recíprocos. Estou muito triste. Descanse em paz!

Está adoecedor demais pra todo mundo viver esses dias. Menos pra aquele pessoal que está vivendo noutro mundo, noutros tempos. Suicidas, homicidas.

Aquela gente que anda sem máscara na orla da cidade, sufocando quem precisa de um respiro fora de casa, mas com alguma segurança. Como o médico, atuante no setor da regulação, cada dia mais superlotada, Rogério Leal. Ele está exausto, assim como os todos os profissionais de saúde, e desabafou nas suas mídias sociais.

” Percebendo como o trabalho tem me exigido muito e como a pandemia tem me afetado emocionalmente, minha irmã e meu cunhado me chamaram para vermos o pôr do sol e tirar umas fotos na orla de Juazeiro. Infelizmente tivemos que ficar pouco, porque havia muita gente sem máscara. Não preciso de mais motivo pra medo e raiva. Mas contemplar a exuberância da natureza sempre faz renovar a esperança e, só por isso, já valeu”, postou o médico na sua rede social.

Aquela gente que superlota as ilhas do São Francisco e provoca indignação nas redes sociais por onde circulam os vídeos com um lote de mal criados jovens. Estúpidos! Aquela galera que quer só curtir uma “vibe top”, dando a sua carne para o vírus, e a carne dos seus também. Muitos são jovens de pais ausentes. O pior é que tem também os “vei das lancha” que gostam das novinhas nada imunes nem a vírus e nem a nada, e ainda não se convenceram que estão no grupo de risco. Morrem e matam, ambos. Jovens das baladas. Coroas que não se tocam.

“Muita irresponsabilidade e falta de amor ao próximo. Jovens alienados, desumanos, mal criados e que já dizem que tipo de gente será no futuro. Agora, os pais, as famílias são co-responsáveis. Por onde andam os pais destes irresponsáveis? Que autoridade eles têm? Não acompanham a vida dos filhos? Preferem morrer e se contaminar a contrariar um filho, a ter pulso?”, questionou Aparecida Lima, em desabafo enviado ao PNB.

A verdade é o que vírus, o “corona”, como dizem os íntimos dele lá, está nos almoços de família, nas festinhas de amigos que querem “saúde mental”, e nos encontros nos motéis, a dois ou em grupo. Ando sabendo dos regues nos quartos para dez ou mais pessoas, banquetes para a covid, por um precinho de 200, 300 reais por grupo.

Os gestores pecam na fiscalização das medidas sim. Mas, cá pra nós, um fiscal por cidadão ou cidadã, ainda seria pouco, diante de tamanha irresponsabilidade e nenhum senso coletivo.

Talvez, quem sabe, a ignorância exija um fiscal por pessoa, mandando lavar as mãos, não aglomerar, manter o distanciamento, ficar em casa, dizer o óbvio, ensinar que vida é pra ser preservada e o momento, é de salvação.

“Tenho certeza que estas pessoas são alienadas e ignorantes. Para aqueles que ignoram, negam a realidade e estão vendo as filas de UTIs se formando, se você precisar, não terá. E o resultado disso você já sabe”, alertou o Prefeito de Petrolina, pelas suas redes sociais, neste domingo (28).

Não faltam alertas, nem números que comprovem essa tragédia. Não faltam mais rostos conhecidos, nem amigos e vizinhos que se foram. O medo em mim só aumenta e a indignação também. Tem muita gente brincando com a vida.  Fazendo pouco caso. Matando e morrendo, irresponsáveis.

Ignorantes, como disse o gestor de Petrolina. Estúpidos, digo eu.

Sibelle Fonseca é radialista, militante do jornalismo, pedagoga, feminista, conselheira da mulher, mãe de quatro filhos, cantora nas horas mais prazerosas, defensora dos direitos humanos e uma amante da vida e de gente

 

 

 

 

 

 

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