Driblando decretos: ilhas e margem do São Francisco se transformam em palcos de festas clandestinas

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Com a proibição de funcionamento de bares e realização de festas, medida que visa conter a propagação do novo coronavírus, os eventos clandestinos viraram uma rotina nos finais de semana. Longe dos olhos dos órgãos fiscalizadores grandes grupos se encontram nas ilhas do São Francisco para driblar os decretos vigentes em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

“Os donos de lanchas se juntam e fazem festas nas ilhas aglomerando pessoas. Há também aqueles que alugam uma lancha por mil e duzentos reais, para dez pessoas, e saem em grupos, principalmente nas tardes de sábado e as festas duram o dia todo. Gente sem máscara, muita bebedeira, contato íntimo entre as pessoas, sendo que a maioria é de jovens”, denunciou um leitor ao  PNB.

Os eventos clandestinos são organizados e divulgados em grupos privados de páginas nas redes sociais.

Nossa redação recebeu um cartaz virtual de um “passeio na ilha” marcado para acontecer neste sábado (17). Divulgando os atrativos e valores do evento, os organizadores pedem para “não espalhar a divulgação”, assumindo a clandestinidade da festa. Além de promover uma possível aglomeração, o evento também desrespeita o decreto que proíbe venda de bebidas alcoólicas nos finais de semana.

Segundo informações apuradas pelo PNB o passeio acontece em um trecho da margem do rio, em Juazeiro.

Encaminhamos o material de divulgação para a Guarda Municipal de Juazeiro. Em entrevista ao programa Preto No Branco na Transrio Fm, nesta sexta-feira (16), o inspetor-chefe Gilson Santana garantiu que irá intensificar a fiscalização, na tentativa de coibir a realização dos eventos clandestinos.

“Nós temos conhecimento destes eventos e estamos atuando em pontos como a prainha da Marinha, no trecho do Nego d’água, no Angari, e outros na margem do rio. Infelizmente as pessoas não se conscientizaram da gravidade da situação”.

O inspetor pediu a colaboração da comunidade e informou que a fiscalização nas ilhas do São Francisco cabe a Prefeitura de Petrolina.

No dia 4 de março, o Prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, determinou o fechamento para acesso do público, nos sábados e domingos, às ilhas do Fogo, Rodeadouro e as demais situadas no município.

A restrição, no entanto, não vem sendo fiscalizada pelos poderes públicos e os infratores se valem disso para fazerem as festinhas longe dos olhos da lei, e bem perto do vírus mortal.

“Não adianta baixar decreto, se não fiscalizam. Os decretos estão virando piada. Se quisessem cumprir, era só mandar uma fiscalização nas ilhas que encontrariam aglomerações destes irresponsáveis. Agora fazem vistas grossas. Se fosse em um bar de periferia, a polícia baixava, mas o Corpo de Bombeiros não alcança quem pode alugar uma lancha, né? Os riquinhos, da alta sociedade têm seus privilégios. Então fazem vistas grossas”, questionou uma leitora.

Ilhas lotadas

No dia 28 de março, o PNB recebeu, de leitores, diversas imagens de aglomeração em algumas ilhas do São Francisco. As lanchas, a maioria locada por empresas do ramo, ancoram nas ilhas e os passageiros se juntam, sem máscaras, sem respeitar nenhum distanciamento e em desrespeito aos decretos em vigência. A grande maioria dos aglomerados é de jovens que, mesmo diante do pior momento da pandemia do novo coronavírus, escapam para as ilhas, nos finais de semana, em busca de diversão.

“Muita irresponsabilidade e falta de amor ao próximo. Jovens alienados, desumanos, mal criados e que já dizem que tipo de gente será no futuro. Agora, os pais, as famílias são co-responsáveis. Por onde andam os pais destes irresponsáveis? Que autoridade eles têm? Não acompanham a vida dos filhos? Preferem morrer e se contaminar a contrariar um filho, a ter pulso?”, questionou Aparecida Lima.

Em uma publicação no Instagram, um internauta escreveu: “E você aí sendo tratado como um criminoso, porque está indo trabalhar. Lockdown é para pobre”, protestou.

Da Redação

 

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