“Não há motivo para pânico”: médica tranquiliza grávidas imunizadas com a Oxford/Astrazeneca; veja o que dizem os especialistas

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A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Juazeiro informou ao Portal Preto No Branco, na tarde desta terça-feira (11), que 228 grávidas se vacinaram com a primeira dose da Oxford/Astrazeneca, no último sábado e na segunda-feira(10), antes da notificação da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendendo a aplicação da fabricante Oxford para este grupo.

Após a orientação da Anvisa, os municípios de Juazeiro e Petrolina suspenderam, de imediato, a vacinação em grávidas.

As mulheres que foram imunizadas com a Astrazeneca têm demonstrado preocupação com os possíveis efeitos adversos que o imunizante poderá provocar.

“Me vacinei ontem e me senti aliviada. Mas a notícia da suspensão pelo Ministério da Saúde, me deixou apreensiva.  Fiquei muito temerosa com os efeitos colaterais que posso sentir, ou até mesmo se afetará meu bebê”, disse a gestante Ludmila Santana, grávida de 6 meses.

A preocupação de Ludmila é a mesma de muitas gestantes que foram imunizadas com a Astrazeneca, segundo a ginecologista e obstetra Fabiola Ribeiro.

Em conversa com o PBN, a médica disse que a suspensão gerou temor na gestantes que usaram a Astrazeneca.

Fabíola Ribeiro tranquiliza as gestantes e orienta que elas observem qualquer sintoma adverso.

“O Ministério da Saúde investiga a morte de uma gestante no Rio de Janeiro, que pode ter ocorrido por causa da vacina. De forma criteriosa, o órgão suspendeu a aplicação da fabricante para este grupo. A orientação é que as gestantes que receberam o imunizante devam procurar, de imediato, as Secretarias Municipais de Saúde e o seu médico, caso apresentem sintomas adversos. É importante salientar que estamos diante de uma doença nova, de uma vacina nova, criada especificamente para a covid 19, doença ainda em estudo, tendo muito o que se descobrir sobre ela. Se você, grávida, já fez uso da Astrazeneca, agora é acalmar o coração. A vacinação contra a covid continua sendo indicada para gestantes e puérperas, porém com imunizantes como a Coronavac e Pfizer. Quem tomou a primeira dose da Astrazeneca deve aguardar as recomendações do Ministério da Saúde. Neste primeiro momento, em que houve alguns efeitos colaterais diferentes do que se esperava, em raros casos, é manter a calma e fazer uso de medidas sintomáticas, caso apareçam efeitos adversos. Não há motivo para pânico, apenas de atenção a qualquer sintoma ou sinal mais importante”, orientou a médica.

O que dizem os especialistas 

De acordo com especialistas ouvidas pelo G1, grávidas que receberam a primeira dose da vacina de Oxford/AstraZeneca precisam ter acompanhamento médico para eventos adversos, mas devem receber a segunda dose – porque o risco oferecido pela Covid-19 é bem maior do que eventuais efeitos da vacina.

“Quem tomou a primeira dose deve tomar a segunda. Mas o médico que acompanha a gestante deve monitorar caso surjam alguns eventos adversos”, afirma a epidemiologista Ethel Maciel, professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo.

Na segunda-feira (10), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária recomendou a suspensão da vacina em gestantes.

A professora de imunologia Letícia Sarturi, do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Paulista, em São Paulo, explica que a chance de ocorrer um evento adverso relacionado à vacina após a segunda dose é menor – mas há ressalvas.

Se a vacina tiver gerado efeitos adversos na circulação sanguínea – como, por exemplo, trombose –, é necessário reavaliar. Isso porque a gravidez, sozinha, já aumenta o risco de aparecimento de coágulos e a ocorrência de trombose. Esse risco aumenta à medida que a gestação avança – por causa do aumento no tamanho do útero, que acaba atrapalhando a circulação.

“Com a segunda dose, a chance de ocorrer um evento adverso é menor, porque ela já tomou uma dose e não houve nenhum evento adverso – mas é claro que, com o avanço da gestação, pode se ter, sim, maior risco circulatório. Se o caso foi de uma trombose, a gente tem que reavaliar, sim. Tem que aguardar a investigação para ver qual vai ser a recomendação”, afirma Sarturi.

A infectologista Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, explica que o tempo até o aparecimento de eventos adversos relacionados à vacina varia de acordo com o evento.

“Depende da reação. Os eventos trombóticos, que são as reações adversas graves, que são muito raros, podem acontecer até 3 semanas depois da tomada da vacina. E tem os efeitos colaterais que são dor no braço, dor no corpo, de cabeça, que aí pode ser nos 5 primeiros dias”, diz.

Dal Ben reforça que o risco associado à Covid-19 na gestação ainda é “muito maior” do que um potencial risco relacionado à vacina.

Já Sarturi reforça que, se houver relação de caso de trombose na gestação com a vacina, é necessário aguardar recomendações dos órgãos de saúde.

“Por enquanto, não sabemos ao certo. Reações adversas costumam aparecer na primeira dose, mas no caso de eventos trombóticos a gente tem que avaliar o risco quando a gestante for tomar a segunda dose. Se o médico ou os órgãos de saúde recomendarem que não se tome, deve ser seguido”, diz.

Quais são os efeitos colaterais conhecidos da vacina?

Considerando dados dos ensaios clínicos de fase 3, o governo britânico lista as seguintes reações adversas como mais frequentes após a aplicação da vacina de Oxford:

  • sensibilidade e/ou dor no local da injeção
  • cefaleia (dor de cabeça)
  • fadiga
  • mialgia (dor muscular)
  • mal-estar
  • febre
  • calafrios
  • dor nas articulações
  • náuseas

Entre as 23 mil pessoas que participaram dos testes, cerca de 1 a cada 10 relatou ao menos um dos sintomas acima.

A maioria das reações adversas foi leve a moderada e geralmente resolvida alguns dias após a vacinação. As reações notificadas após a segunda dose foram mais leves e menos frequentes do que após a primeira dose. Além disso, foram geralmente mais leves e menos frequentes em idosos (com 65 anos ou mais) do que em pessoas mais jovens.

Mesmo após casos raros de coágulos que ocorreram em pessoas imunizadas com a vacina, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) manteve a recomendação de que ela fosse aplicada – pois os benefícios superavam os riscos.

Na página oficial de informações sobre a vacina da AstraZeneca, o governo britânico reconhece os eventos adversos de trombose e diz que a maior parte deles ocorreu nos primeiros 14 dias após a vacinação, mas que também houve relatos após esse período.

Nenhum grupo de risco foi identificado, mas, como medida de precaução, o governo recomenda que a administração da vacina da AstraZeneca em pacientes com histórico de trombose do seio venoso cerebral ou síndrome antifosfolipídica seja considerada apenas quando o benefício superar riscos potenciais (veja mais abaixo quais são os grupos para os quais a vacina não é indicada).

A página também recomenda que pessoas imunizadas com a vacina de Oxford/AstraZeneca devem buscar atendimento médico imediato se, 4 dias ou mais após a vacinação, desenvolverem:

  • um novo início ou agravamento de dores de cabeça fortes ou persistentes com visão turva, que não respondem a analgésicos simples;
  • novos sintomas, como falta de ar, dor no peito, inchaço nas pernas, dor abdominal persistente, sintomas ou sinais neurológicos (como confusão ou convulsões) ou hematomas e/ou petéquias (manchas vermelhas ou marrons) incomuns na pele.

Pessoas com eventos tromboembólicos e trombocitopenia (baixo nível de plaquetas) devem ser levadas ao hospital com urgência e a um especialista em hematologia para aconselhamento.

Da Redação, com informações G1

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