“Um atraso e sem nenhum amparo técnico”: proposta do deputado Roberto Carlos de transformar Grande Hotel em Centro Administrativo repercute negativamente; Prefeitura de Juazeiro se manifesta

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Após anúncio feito pelo Deputado Estadual Roberto Carlos, pelas redes sociais, do seu pedido ao Governo do Estado para cessão do Grande Hotel de Juazeiro à administração pública municipal, com vistas a transformar o equipamento turístico em um Centro Administrativo, a Prefeitura de Juazeiro, procurada pelo PNB, se manifestou.

Em nota, a gestão municipal confirmou que endossou o pedido do parlamentar “como tentativa de preservar as características do prédio que faz parte da história de Juazeiro”.

Veja nota: 

Diante da possibilidade do Governo do Estado vir a leiloar o Grande Hotel de Juazeiro e o prédio ser arrematado por algum empreendimento privado diverso do ramo hoteleiro, a Prefeitura de Juazeiro, junto com o deputado Roberto Carlos, sugeriu que o Governo do Estado leiloasse outro imóvel e que cedesse o prédio do hotel ao município, ainda sob a análise da possibilidade de ali implantar o centro administrativo.

Entretanto, cabe ao Governo Estadual analisar essa sugestão e decidir, embora a Prefeitura considere remota essa sugestão ser de fato concretizada.

A Prefeitura esclarece ainda que a ideia de implantar o centro administrativo nas dependências do Grande Hotel seria unicamente como tentativa de preservar as características do prédio que faz parte da história de Juazeiro, para que este não venha a ser utilizado em interesses outros que não seja a rede hoteleira”(Ascom PMJ).

O Governo do Estado do Estado da Bahia encaminhou Projeto de Lei à Assembleia Legislativa do Estado, propondo a venda de imóveis na capital e interior, entre os equipamentos consta o prédio do Grande Hotel, inaugurado em Juazeiro, há mais de 50 anos

Reação

A intenção provocou reações de representantes do turismo regional e de juazeirenses que demonstraram indignação com a justificativa do Deputado Roberto Carlos de que um Centro Administrativo no local traria “progresso” para o município, considerando a importância histórica do tradicional hotel para o desenvolvimento econômico, social e cultural da região.

O engenheiro civil João Pedro da Silva Neto, professor da Univasf e ex-secretário municipal de Planejamento e Aceleração do Crescimento, comentou que ideia do parlamentar representa “retrocesso e atraso”, e argumentou:

“Alinhando-se ao turismo, que equipamento traria mais visibilidade e contemplação ao Velho Chico que o Grande Hotel de Juazeiro? A pujança histórica e grandiosidade do bem, usado numa visão de “progresso” para utilização do patrimônio como Centro Administrativo? Já pensaram se esse patrimônio fosse a porta de entrada para o investimento em um Centro de Desenvolvimento de Ações Culturais, Turísticas, Gastronômicas, de Inovação Tecnológica, Pesquisas Locais, Nanotecnologias, Captação e Geração de Energia, juntamente com difusão, capacitação e distribuição de projetos e ações para todo o Vale do São Francisco? Nem todas essas atividades estariam realmente inseridas neste ambiente, mas é a proposta mais coerente quando pensamos no envolvimento dos inúmeros atores e parceiros para o pós-pandemia. Vale muito a pena promover e discutir o potencial de aglutinar em Juazeiro e Petrolina o protagonismo para o Desenvolvimento Regional, o turismo como porta de entrada para o investimento em Tecnologia, Inovação e Comunicação para o Vale do São Francisco. Não. O que está sendo proposto não é “progresso”. É retrocesso, é regredir, é retroagir, é retroceder, é atrasar, é desandar, é desistir, é evacuar, é recuar, é refluir, é refugir, é retrogradar, é retrogredir, é retrosseguir, é reverter. Escolha Deputado a melhor palavra para o que está sendo posto por vossa senhoria”, finalizou o ex-secretário.

Sérgio Motta Lopes, arquiteto e urbanista, mestre em conservação e restauro, professor do Colegiado de Engenharia Civil da UNIVASF e Conselheiro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco, também rechaçou a possibilidade .

“Considero ser a ideia sem nenhum amparo na técnica e sem nenhuma exequibilidade. Um centro administrativo literalmente “não cabe” ali. Há ainda questões, igualmente incontornáveis, no que se refere ao seu valor de monumento cultural (arquitetônico e histórico), signo de um momento da história social e econômica de Juazeiro e da região e também exemplar da mais alta qualidade de um momento da arquitetura nacional — a arquitetura modernista — implantado no sertão do Nordeste, o que já pode ser considerado excepcionalidade. Sem falar nas questões específicas da implantação do edifício: às margens do rio e em comunicação direta (visual e física) com ele, o que lhe confere caráter único. Penso ser um erro a mudança do uso hoteleiro, principalmente ao se considerar o padrão arquitetônico da edificação e esta localização única à margem do rio. Seria uma imensa perda para o setor hoteleiro, sem a menor sombra de dúvida. É incontornável que a equipe técnica da Prefeitura seja consultada sobre o tema e se manifeste a respeito”, disse Mota.

Internautas

Nas redes sociais do PNB os leitores também se manifestaram contrários a proposta.

Confira alguns comentários:

“O deputado deveria estar preocupado com o Centro de Cultura João Gilberto. É não ter e desconhecer sobre política pública. Juazeiro tem o atraso porque elege políticos desse tipo”, escreveu a leitora Clarice Alves.

“Lamentável! Esses políticos de Juazeiro não pensam em trazer nenhum investimento, só destruir o que existe. Pelo amor de Deus @deputadorobertocarlos @suzanaramosjua vamos olhar pra frente, vamos pensar no futuro de Juazeiro. Será que nossa terra vai se eternizar como a cidade do “já teve”? Olha aí o Country Club, abandonado! A AABB um lixo, a orla sem nenhum atrativo. Agora querem pegar um prédio histórico para conforto de Vossas Senhorias? Pelo amor de Deus! Querem passar o dia olhando para o rio, comprem um apartamento na orla”, declarou o leitor Thiago Monte.

“Esses políticos não fazem nada por Juazeiro e querem tirar o pouco que temos. Juazeiro tá lascado!”, lamentou o leitor Júlio César.

Da Redação

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