
O município de Juazeiro, no Norte da Bahia, continua vacinando contra a Covid-19 pessoas com comorbidades. De acordo com a Secretaria de Saúde da cidade, até essa quarta-feira (26), 4.771 moradores que fazem parte deste público já receberam a primeira dose da vacina.
Para serem imunizadas, essas pessoas precisam apresentar um laudo médico comprovando a comorbidade. Porém, muitos moradores da cidade estão encontrado dificuldades para ter acesso ao documento.
“Sou hipertensa e tenho 55 anos. Assim que iniciou a vacinação das pessoas com comorbidades, procurei a Unidade Básica de Saúde do meu bairro e como não tinha o laudo, levei uma receita médica. Mas lá fui informada que precisaria do laudo. Fiquei angustiada, com medo de não conseguir a tempo o laudo, pois no posto a marcação de consulta acontece apenas uma vez na semana e por conta do atendimento aos casos suspeitos da Covid-19, o número de fichas distribuídas foi reduzido. No dia da marcação tive que chegar muito cedo a unidade e só consegui agendar a consulta para a semana seguinte. Depois de muita dificuldade, consegui o lado médico e tomar a primeira dose”, relatou a moradora Maria Silva.
Outra moradora, que preferiu não ser identificada, declarou que a exigência está evidenciando a desigualdade da população, já que a população mais pobre tem apenas uma receita médica e um exame.
“Como essa população vai conseguir um laudo médico? Essas pessoas esperam meses na fila do SUS por uma consulta. Exigir um laudo médico dessa população é praticamente deixá-la fora do plano de imunização. Além disso, algumas unidades estão sem atendimento médico. Por tanto, essa exigência está tornando inacessível a vacina a população pobre. Quem tem plano de saúde consegue fácil, e quem não tem?”, questionou.
O PNB também conversou com o vereador e médico da família, Salvador Carvalho, sobre a exigência do lado. De acordo com ele, a exigência é importante e deve ser cumprida pelos usuários, inclusive para evitar fraudes. No entanto, o profissional chama atenção da rede municipal de saúde para que agilize o acesso da população ao atendimento médico, necessário para o fornecimento do laudo comprobatório das doenças crônicas.
“A comprovação da comorbidade para qualquer vacinação é necessária, e é uma norma antiga do Ministério da Saúde. No entanto, a rede de saúde pública deve garantir o acesso ao documento exigido. A população deve sim exigir e cobrar que as unidades básicas tenham médicos, um atendimento justo e humano, que dê condições para que as pessoas com doenças crônicas acessem o laudo médico e se vacinem”, concluiu o médico.
O PNB encaminhou as reclamações para a Secretaria de Saúde.
Comorbidades
Fazem parte do grupo de comorbidade, segundo a resolução da Comissão Intergestores Bipartite da Bahia (CIB), pessoas com: diabetes, pneumopatias crônicas graves, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, cor-pulmonale e hipertensão pulmonar, cardiopatia hipertensiva, síndromes coronarianas, valvopatias, miocardiopatias e pericardiopatias, doenças da aorta, dos grandes vasos e fístula arteriovenosas, arritmias cardíacas, cardiopatias congênitas no adulto, prótese valvares e dispositivos cardíacos implantados, doenças cerebrovascular doença renal crônica, hemoglobinopatias, obesidade mórbida e cirrose hepática.
Da Redação



