Antes de mais nada, prestamos solidariedade aos familiares de quase 600 mil irmãos brasileiros que tombaram, vítimas da Covid 19.
O momento em que aflora o clima patriótico da independência em nossos corações, requer que sejam levantadas as bandeiras de defesa do patrimônio nacional e da soberania brasileira diante do avanço de potências multinacionais sobre as nossas riquezas.
Parte estratégica do patrimônio brasileiro está sendo colocada à venda, à disposição de empresas públicas e privadas de outras nações. O processo em curso para privatização da Eletrobras e dos Correios representa a perda da nossa soberania na energia e na comunicação postal, setores estratégicos para uma nação que quer ser verdadeiramente independente.
Por outro lado, nossa subserviência aos interesses das petroleiras internacionais, faz com que a Petrobras deixe de priorizar a estratégia do refino do petróleo para exportar óleo bruto e depois importar os produtos acabados
Essa posição na Petrobras, reforçada pelo balizamento de preços internacionais, culmina nos preços estratosféricos da gasolina, deixando o brasileiro espantado toda vez que vai ao posto de combustível e eleva o custo final da sexta básica, pois influencia também a elevação do custo do frete, que também encarece com o preço do óleo diesel nas nuvens.
Somos autossuficientes na capacidade de extração e refino, mas a decisão do governo de não ser independente, importando parte da produção acabada, apresenta uma conta pesada, que somada à inflação elevada, corrói o poder de compra do brasileiro, construindo um panorama em que metade dos habitantes do pátria viva no limite da segurança alimentar.
Contraditoriamente, neste sete de setembro, testemunhamos à fome de tantos irmãos brasileiros, ao mesmo tempo em que pela primeira vez na história brasileira, a parcela dos 1% mais ricos detém metade da riqueza nacional. Não existe pátria verdadeiramente independente com tamanha concentração de riquezas.
Nossa bandeira tão exaltada, tem seu verde aos prantos diante da devastação da floresta amazônica, num cenário em que se “passa a boiada” e se exporta ilegalmente madeiras nobres de árvores centenárias na Amazônia e na Mata Atlântica, sob o manto protetor de um discurso patriota. Um misto de ironia e sinismo.
Ao mesmo tempo em que a retórica é de independência, em meio ao clima de patriotismo, o sucateamento dos investimentos nas universidades, na pesquisa e inovação desnudam um cenário futuro de maior dependência brasileira na indústria e nas tecnologias em geral.
É preciso erguer a voz demonstrando nosso amor ao Brasil e que defenderemos a democracia incansavelmente. É preciso lutar pelos interesses soberanos da nossa nação, até que alcancemos a plena e verdadeira independência.
Viva a Pátria brasileira, viva o brasileiro, viva a democracia, viva a nossa nação!
Por Gilberto Santana, cientista político



