“O Governador Paulo Câmara que nos espere, no Palácio das Princesas, em Recife, na data prevista. É la, ao ar livre, no sol, que queremos não mais uma conversa, ou o mesmo ‘blá blá blá’, mas a garantia de atendimentos aos nossos pleitos, ou seja a federalização ou a participação dos investigadores americanos no caso Beatriz”, assim se manifestou ao PNB, Lucinha Mota, mãe da menina Beatriz Mota, após circular uma informação de que o governador de Pernambuco iria recebê-la na próxima terça-feira (21).
“Não há nada oficial neste sentido. Não recebemos qualquer contato nem da assessoria do governador, nem da Casa Civil, ou da cúpula da segurança pública de Pernambuco. Isso não passa de mera especulação de intermediários, que tentam tirar proveito da nossa luta por justiça, e se saírem como ‘salvadores da pátria, o que repudiamos veementemente. Avaliamos que seja uma tentativa de desestabilizar a nossa caminhada, de abreviar nossa peregrinação por justiça e evitar que atravessemos o estado de Pernambuco, passando por suas diversas regiões, denunciando a incompetência e o descaso do Governo de Pernambuco com este bárbaro crime, que há 6 anos vem sendo cercado de mistérios e absurdos no processo de investigação. Estamos conquistando corações e mentes e vamos seguir até o nosso destino”, reforçou o pai de Beatriz, Sandro Romilton.
Os pais de Beatriz ainda declaram ao PNB: “Estamos mais fortes do que nunca, e nada e nem ninguém nos deterão. Estamos recebendo apoio, força, carinho e muita solidariedade do povo pernambucano. Por onde passamos ganhamos energia, adeptos e reconhecimento. Esta caminhada está sendo feita por milhares de pés, e vamos honrá-la até o fim”, concluíram.
Lucinha Mota, Sandro Romilton e integrantes do Movimento Somos Todos Beatriz já percorreram 430 dos 730 quilômetros de Petrolina à capital pernambucana, no “Caminho da Justiça”, iniciado no último dia 5.
Hoje os integrantes da caminhada estão no distrito de Moderna, Sertânia. Amanhã, 18, o grupo segue para Cruzeiro do Nordeste , e no domingo, 19, chegam a Arcoverde, no agreste pernambucano.
Caminho da Justiça
O destino será no Palácio das Princesas, onde a mãe de Beatriz, mais uma vez, vai reivindicar que o Governo de Pernambuco aceite a cooperação do grupo de peritos americanos nas investigações do caso e também a federalização do crime. Ao todo serão 700km, que devem ser percorridos em 23 dias.
Luta
Beatriz Mota foi assassinada, brutalmente, no dia 10 de dezembro de 2015, no colégio Maria Auxiliadora, em Petrolina, durante um evento realizado pela instituição de ensino.
O movimento “Somos Todos Beatriz” não descansou um só dia e numa mobilização jamais vista na região percorreu todos os caminhos em busca da verdade: Quem matou Beatriz?
Ao longo destes 6 anos, os pais da menina apelaram para a então Presidenta Dilma Roussef, quando ela veio a Juazeiro; Eles foram à Brasília e apelaram para o Ministro da Justiça do Governo Temer. Através de carta, chegaram ao Papa Francisco; Ao Recife foram mais algumas vezes para protestar e apelar para as autoridades máximas do estado de Pernambuco; Do alto do portão da Ponte Presidente Dutra, Lucinha Mota gritou por Justiça. Ela já se acorrentou, fez greve de fome e correntes de oração. Junto com os participantes do movimento, ocupou a ponte, as ruas, foi ao plenário dos legislativos municipais das duas cidades, a audiência pública na OAB. Uma rotina exaustiva, desde que o crime bárbaro aconteceu em 10 de dezembro de 2015.
Até agora, nenhuma resposta, nada de concreto. Somente evidências, falácias, retratos falados (sim, já foi mais de um), numa demonstração bizarra de incompetência institucional. Delegados foram trocados, foi feita uma “força-tarefa” fantasma (sim, fantasma, porque até agora nenhuma força mostrou na solução da tarefa de solucionar o caso).
Poderíamos pensar que todas as possibilidades foram esgotadas e que os pais, familiares e o movimento “Somos Todos Beatriz” se cansariam da luta inglória por justiça. Mas não! Este caso não cairá no esquecimento, e Lucinha Mota se reinventa a cada manifestação.
Esta chaga na sociedade do vale do São Francisco está aberta, sangrando, supurando.
“Esta página não será virada, enquanto as autoridades remuneradas para a função de garantir justiça apresentem uma resposta e desvendem este crime misterioso que aconteceu numa instituição da tradicional família pernambucana. Jamais irão me calar. Não pensem, os senhores da lei, que eu não vou aceitar tamanha impunidade. Enquanto vida eu tiver, será para buscar respostas. Quem matou minha filha? A quem interessa este silêncio, esta inoperância da polícia e da justiça de Pernambuco”, questionou, a incansável Lucinha.
Da Redação PNB



