Misógino e chulo: Bolsonaro aparece em vídeo dançando funk que compara mulheres esquerdistas com “cadelas”

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Nesta segunda-feira (20), o Senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou um vídeo em que aparece o presidente Jair Bolsonaro (PL) dançando uma versão de Baile de Favela em uma lancha no litoral paulista, ao lado de apoiadores. A música, apelidada de Funk do Bolsonaro, ataca opositores, compara mulheres esquerdistas a cadelas e recentemente embalou o ato de filiação de Bolsonaro ao PL.

O mesmo vídeo também foi publicado por um assessor presidencial, o Tenente Mosart Aragão, que na legenda ironizou a preocupação do chefe do Executivo federal com o “Jantar da Democracia”, como foi apelidado o evento organizado pelo grupo de advogados conhecido como Prerrogativas. O jantar em homenagem a Lula contou com a presença de Geraldo Alckmin e reuniu 500 convidados na capital paulista. Enquanto isso, Bolsonaro está de recesso em Guarujá, litoral de São Paulo.

“Presidente preocupado com o “Jantar da Democracia” de Lula/Alckmin!”, ironizou o tenente, que integra a equipe presidencial”.

“Proibidão do Bolsonaro”

Cristão, gaúcho, comediante, instrutor de boxe. Esse é o perfil de Tales Volpi, o MC Reaça, autor do “funk” que agride as mulheres de esquerda ao compará-las com “cadelas”. Em sua página no Facebook, Tales Volpi faz zoeira com a reação aos insultos às feministas: “Já somos notícia no UOL hahhahah É melhor Jair me censurando ”, faz pouco caso o seguidor obstinado do ex-capitão do Exército. Ele exibe também um vídeo postado em 17 de setembro de 2018 em que aparece com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (RJ), filho do candidato, que elogia a “música”, como “da melhor qualidade”. A “música” é uma paródia ofensiva do funk “Baile de Favela” (também ofensivo), que exalta Bolsonaro e destila preconceito contra adversários.

Em um clipe no Youtube, Tales chama a música de “Proibidão do Bolsonaro” e aparece saudando o militar da reserva, enquanto grava a paródia. Ele usa imagens de Bolsonaro chutando o boneco do ex-presidente Lula, além de criticar várias políticos do campo progressista, como o deputado federal Jean Wyllys, o candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, e a candidata à vice na chapa de Fernando Haddad (PT), Manuela D´Ávila. Ao final, Bolsonaro aparece lendo um papel e gargalhando. “Um forte abraço”, diz o candidato do PSL, antes de fazer o típico gesto mostrando armas com os dedos.

“Mortadela, ração e cadelas”

“Dou para CUT pão com mortadela e para as feministas, ração na tigela. As mina de direita são as top mais belas enquanto as de esquerda têm mais pelos que as cadelas”, diz o principal verso da “música”. As deputadas federais Maria do Rosário (PT), Jandira Feghali (PCdoB) e a ex-deputada federal Luciana Genro (PSOL) são citadas nominalmente na paródia.

A letra afirma que às feministas deve ser dada “ração na tigela” e que as mulheres “de esquerda têm mais pelo que cadela”.

Estarrecedor, misógino, machista e chulo são alguns dos adjetivos atribuídos ao “funk” Proibidão do Bolsonaro, que foi usado na campanha eleitoral, nas manifestações do último dia 7 de setembro e nos demais atos pró Bolsonaro, inclusive na “Marcha da Família”.

Os bizarros trechos da música acima transcritos reduzem as mulheres à condição análoga de seres irracionais e incitam o ódio, a violência e o preconceito contra aquelas que se reconhecem feministas e/ou que têm orientação política diversa do aludido candidato.

Confira vídeo:

 

Redação PNB

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